Estreia  

Na senda da mediocridade "telenovelesca"

Chegou às salas "Morangos com Açúcar - O Filme". Dito de outro modo: a televisão mais medíocre aposta, agora, em ocupar (e normalizar) os espaços específicos do cinema.

Na senda da mediocridade telenovelesca
"Morangos" ou o cinema ocupado pela televisão
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 Na senda da mediocridade telenovelesca
Morangos com Açúcar: O Filme É na loucura do Verão e ao som da música que o passado e o presente de “Morangos com Açúcar” se cruzam, numa aventura sem igual. Entre a praia e a piscina, o parque de campismo e o campo de férias, amigos de longa data reencontram-se e novas amizades acontecem. A alegria é geral e ninguém vai querer perder o grande festival de bandas que está prestes a acontecer. É num ambiente de grande festa ...

De que falamos quando falamos de "Morangos com Açúcar - O Filme"? De muito pouco, na verdade. Podemos sistematizar o evento em três alíneas:

1. A redução da vida dos "jovens" a meia dúzia de patéticas anedotas sobre namoros, obscenas no seu maniqueísmo psicológico, sempre recalcando possíveis conotações sexuais.

2. A representação de tudo isso através de um simplismo dramático que se apoia, antes de tudo o mais, numa direcção (?) dos jovens intérpretes (porventura talentosos) apenas empenhada em utilizá-los como clones dos actores estereotipados de telenovelas e afins.

3. O tratamento de todas as situações a partir de uma "estética" publicitária totalmente alheia a qualquer elaboração do espaço/tempo que ultrapasse uma lógica grosseira de imagens "coloridas" e soundbytes (certamente não por acaso, a iluminação gritante e as cores contrastadas evocam a mais medíocre estética de telejornal).

De que falamos, então?

De algum muito básico: a ocupação do cinema pelos clichés de uma lógica televisiva consumista que há muito combate (com resultados devastadores) os valores especificamente cinematográficos. A desvalorização do cinema nas programações de canais generalistas é, infelizmente, reveladora... Dito de outro modo: o populismo televisivo não desarma e, na sua lógica normativa, partiu à conquista do mundo.

Crítica de João Lopes
publicado 23:44 - 03 setembro '12

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