Crítica: "Cisne Negro"  

Natalie Portman: uma actriz que vale por duas

Aos 30 anos, a actriz tem a prova definitiva de maturidade, ao protagonizar o mais recente filme de Darren Aronofsky. "O Cisne Negro" é uma visita às profundezas do subconsciente.

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Cisne Negro Nina Sayers é bailarina de uma companhia de ballet. Ela mora com a mãe, Erica, bailarina aposentada que incentiva a ambição profissional da filha. Um dia o director artístico da companhia, Thomas Leroy, decide substituir a bailarina principal, e Nina é sua primeira escolha. Mas surge uma concorrente: a nova bailarina, Lily, que deixa Thomas impressionado.
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"Cisne Negro" de Darren Aronofsky O ballet como pretexto para um filme de terror sexual e psicológico

A esforçada e dedicada Nina Sayers é eleita bailarina principal de "O Lago dos Cisnes", mas terá de provar que está á altura da dualidade do papel. O peso da responsabilidade abate-se sobre a jovem à medida que os ensaios decorrem e o director da companhia questiona a capacidade de se soltar, correr riscos e enfrentar demónios para conseguir dançar o cisne negro do bailado. Natalie Portman assume o protagonismo e dá corpo a uma obra que expõe demónios internos como se fossem reais.

Darren Aronofsky imprime um registo de thriller, próximo de ser aterrador. Estão em causa medos básicos da condição humana quando sujeita a grande stress ou responsabilidade. A falta de confiança, coragem, a dúvida permanente, a vivência de uma paranóia constante perante o medo de falhar. A personagem da bailarina vai atravessar uma zona escura, escondida no interior, tapada pela repressão materna, pela fragilidade e por um processo de amadurecimento que ainda não enfrentou.

O filme esteve na cabeça de Darren Aronofsky pelo menos durante sete anos, e já então o realizador tinha feito o convite a actriz. Natalie Portman cresceu como mulher e como actriz, e tornou-se capaz de envergar a dualidade e o confronto interior dos cisnes branco e negro. A fragilidade e a força juntos num único ser, numa única mulher, numa bailarina.

O realizador quis dar seguimento à mesma fisicalidade que trouxe Mickey Rourke de volta em "O Wrestler', e substituiu o ringue pelo palco e as luvas pelas sapatilhas. O mundo do ballet clássico, rigoroso, competitivo e de desgaste rápido é o cenário para a história da bailarina, com ego de gigante e figura de dama frágil.

Um percurso negro, feito de fantasmas e obsessões várias. Uma viagem pelo subconsciente que se encarrega de destilar os medos e as ansiedades. Natalie Portman conduz-nos pelos bastidores do ballet e pelas entranhas do sofrimento de quem se dedica a alcançar a perfeição e vive e respira com o processo criativo.

Crítica de Lara Marques Pereira actualizado às 16:45 - 04 fevereiro '11
publicado 23:08 - 02 fevereiro '11

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