Estreia  

Negócios dramáticos "made in USA"

Com assinatura de John Wells, um profissional muito ligado às ficções televisivas, "Homens de Negócios" aborda a economia para além dos clichés moralistas.

Negócios dramáticos made in USA
Tommy Lee Jones e Ben Affleck: um drama da sociedade e da economia
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 Negócios dramáticos made in USA
Homens de Negócios Bobby Walker (Ben Affleck) está a viver o proverbial sonho americano: um grande emprego, uma bela família e um porsche a brilhar na garagem. Quando os despedimentos em série, numa grande corporação o deixa a ele e aos colegas Phil Woodward (Chris Cooper) e Gene McClary (Tommy Lee Jones) sem emprego, os três homens são forçados a redefinir as suas vidas como homens, pais e maridos. Bobby ...

Não deixa de ser curioso sublinhar que John Wells, o argumentista/realizador de "Homens de Negócios/The Company Men", seja um profissional com grande experiência na televisão (incluindo séries como "Serviço de Urgêngia" e "Os Homens do Presidente"). De facto, este é um filme que possui a urgência da actualidade, típica de muitos produtos televisivos, melhores ou piores. É, acima de tudo, um objecto que tenta reagir, ainda a quente, a alguns dados dramáticas da vida social e económica.

Mais concretamente, "Homens de Negócios" faz-nos entrar nos meandros de um processo de despedimento no interior de uma grande empresa financeira: um desses conjuntos de medidas que, na gíria tecnocrática, é muitas vezes referido pela "abstração" da expressão downsizing (literalmente: diminuir o tamanho).

John Wells tem, sobretudo, a percepção de que o seu tema lhe exige muito mais do que um discurso "moralista" sobre as convulsões económico-financeiras. Esta é uma história de pessoas vivas, não uma rede de figuras de natureza estatística. Vale a pena, por isso, destacar a qualidade das interpretações de Ben Affleck, Chris Cooper, Tommy Lee Jones e ainda do muito bem-vindo Kevin Costner.

"Homens de Negócios" recupera toda uma lógica dramática que vem em linha directa da tradição política do cinema americano clássico, nomeadamente a que passa por um cineasta tão importante, e tão esquecido, como Otto Preminger (1905-1986). Curiosamente, podemos também aproximar o filme de John Wells de "Margin Call", de J. C. Chandor, visto no Festival de Berlim deste ano, mais centrado nos problemas bancários que antecederam a eclosão da crise de 2008. São obras que, afinal de contas, nos confirmam a continuada atenção de alguma produção made in USA aos impasses da sua própria sociedade. Olhar para Hollywood como se fosse uma "fábrica de efeitos especiais" corre o risco de nos fazer passar ao lado do essencial...

Crítica de João Lopes
publicado 21:18 - 17 março '11

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