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No labirinto da adopção

Rodrigo García, cineasta de origem colombiana que se tem afirmado na produção dos EUA, reaparece com "Mães e Filhas": uma viagem através dos dramas de um caso de adopção.

No labirinto da adopção
Annette Benning dirigida por Rodrigo García: reencontro com uma actriz extraordinária
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 No labirinto da adopção
Mães e Filhas Três mulheres. Três gerações. Três adoções. Há quase 40 anos uma jovem adolescente engravidou e deu o seu bebé para adoção. Hoje, descobrimos três mulheres diferentes, que tentam encontrar um equilíbrio para as suas vidas. A atraente Elizabeth (Naomi Watts), uma advogada bem sucedida, que usa o seu lado mais sedutor para conseguir o que quer; a amargurada e solitária Karen (Annette Bening), ...
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Critica "Mães e filhas"

Colombiano, nascido em 1959, filho do escritor Gabriel García Márquez, Rodrigo García é um curioso caso de afirmação no interior da actual produção americana. Há nele, acima de tudo, uma crença nas potencialidades do melodrama como um género susceptível de abrir caminhos para a observação do mundo contemporâneo, em particular para o labirinto das relações familiares.

Assim acontecia, por exemplo, em "Things You Can Tell Just By Looking a Her" (2000). Assim volta a acontecer em "Mães e Filhas" (2010), agora lançado entre nós. Mantém-se a mesma preocupação em compreender, em particular, as personagens maternas, agora com um detalhe que está longe de ser secundário: este é um filme sobre um caso de adopção que, por assim dizer, se arrasta no tempo, já que, várias décadas passadas, a mãe biológica quer conhecer a filha.

Não creio que o filme consiga sempre sustentar a rede de sugestões e implicações que vai desenhando através das suas histórias paralelas. Em todo o caso, o trabalho de Rodrigo García possui o mérito principal de (re)afirmar um cinema que foge a qualquer exibicionismo tecnológico, preferindo antes a verdade do factor humano, isto é, a intensidade dos actores.

Annette Benning é, como sempre, extraordinário, como extraordinárias são Naomi Watts e Kerry Washington; até mesmo Samuel L. Jackson surge num registo invulgarmente discreto, contrastando com o cliché que, não poucas vezes, o "obrigam" a repetir de filme para filme. Através deles fica, acima de tudo, a certeza de que é possível manter uma abordagem da vida contemporânea sem cair nos estereótipos de telenovela.

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Crítica de João Lopes actualizado às 02:04 - 02 maio '11
publicado 02:03 - 02 maio '11

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