Omar Sharif em

11 Jul 2015 1:48

Tudo passa pelos olhos, claro. Quando vemos ou revemos imagens como esta, de "Doutor Jivago" (1965), somos levados a revalorizar uma velha crença — não tanto que os olhos são o espelho da alma, mas que existem, de facto, como um espelho onde podemos pressentir tanto os segredos de quem olha como os enigmas que, ao olharmos, nesses olhos projectamos.

Perante a morte de Omar Sharif, talvez seja elementar (e, de alguma maneira, da mais básica justiça) lembrá-lo como um actor que inscreveu em alguns filmes memoráveis a marca de um olhar único e inconfundível. Sem esquecer que foi, precisamente, o realizador de "Doutor Jivago", o grande David Lean (1908-1991) que o revelou ao mundo — foi em 1962, em "Lawrence da Arábia", através da personagem de Sharif Ali, o seu primeiro papel em língua inglesa.
E podemos recordar alguns títulos emblemáticos da filmografia de Sharif, sobretudo das décadas de 60/70: "Funny Girl" (1968), contracenando com Barbra Streisand, sob a direcção de William Wyler; "O Ouro de MacKenna" (1969), um estilizado western com assinatura de J. Lee Thompson [trailer aqui em baixo]; enfim, o magnífico "A Semente de Tamarindo" (1974), thriller romântico com Julie Andrews, com a marca muito particular de Blake Edwards. 





O próprio Sharif era o primeiro a mostrar alguma reserva em relação a muitos momentos da sua filmografia de mais de uma centena de títulos. Não era falsa modéstia, antes a consciência prática de alguém que, a partir de certa altura, também foi utilizado como uma simples "imagem de marca" (nomeadamente em produções televisivas). O certo é que "Jivago" e mais alguns outros bastariam para lhe conferir a dimensão mitológica de um ser humano que, para as gerações que iam regularmente ao cinema há cerca de meio século, foi uma verdadeira estrela.

  • cinemaxeditor
  • 11 Jul 2015 1:48

+ conteúdos