O Barão, um filme raro no cinema português

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"O Barão", um filme raro no cinema português

Edgar Pêra filma contos de Branquinho da Fonseca. Memória da rodagem de uma adaptação fiel anos 40 do século XX quando o expressionismo alemão marcava o género de terror.

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 O Barão, um filme raro no cinema português
O Barão "O Barão", inspirado na obra de Branquinho da Fonseca, é um remake neuro-gótico, expressionista, de um filme fantasma. Durante a Segunda Guerra Mundial uma equipa americana de filmes Série B refugiou-se em Lisboa. No ano de 1943 a produtora Valerie Lewton casou-se com um ator português que lhe traduziu o conto de Branquinho da Fonseca, “O Barão”, acerca de um tirano que aterrorizava a população ...
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Antevisão "O Barão" com Edgar Pêra e Nuno Melo

Antes de contar a história de "O Barão", o realizador propõe uma farsa introdutória, sobre um filme realizado em Portugal durante os anos 40, censurado e depois recuperado para a actualidade.

Ou seja, o que vemos é o resultado do trabalho de recuperação da cópia encontrada num cine clube no Barreiro. Edgar Pêra cria uma pequena ficção para situar no tempo a mais recente longa-metragem e transforma-se ele mesmo numa personagem de ficção, assumindo o trabalho de um realizador de estúdio nos tempos da ditadura.

Uma rodagem na Cinemate Habituado a andar de câmara na mão e a propostas mais experimentais, Edgar Pêra entrega-se à rotina de filmar em estúdio, para concretizar também ele uma parte da farsa que propõe.

Nos arredores de Lisboa, a Cinemate tem os espaços que normalmente são utilizados por equipas de televisão, mas que se transformaram em plateau da equipa de Edgar Pêra.

A rotina de rodagem é diferente, própria de outros tempos do cinema, os tempos que o realizador pretendia mostrar com a história de "O Barão". Depois há a artificialidade do estúdio, que já só é possível no teatro, em que o público assiste na plateia à criação de ilusões sem questionar os meios.

As paredes são de esferovite, os cenários reaproveitados das sobras de um concurso de televisão, o espaço rural e a casa foram recriados na mesma área, onde andaram cavalos, burros e uma carroça.

Um outro mundo à parte para quem faz cinema hoje em dia, e seguramente uma experiência rara no cinema português.

Jogos de LuzesO terror provocado por um temível senhor que manda é constante em todo o filme, através da figura vampiresca e terrifica interpretada por Nuno Melo.

O ator maquilhado e vestido a preceito, é um conhecedor do trabalho de Edgar Pêra e colaborador perfeito quando se trata de expor a figura à iluminação necessária para o ambiente de terror. Um barão à altura das circunstâncias, numa performance de excesso que serve os objectivos do filme.

O cinema de memória a 2D"O Barão" é um exercício de memória e de imaginação para o público e um campo de experimentação, mais um, para o realizador sempre em busca de acrescentar novas formas de linguagem à visão que tem do mundo.

Edgar Pêra assume a intenção de sublinhar que este é um filme 2D, ainda por cima a preto e branco.

Não é provocação é antecipação do que aí vem, os próximos trabalhos vão ser a três dimensões!

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