Estreia  

O Batman do apocalipse

Para Christopher Nolan, Batman é um assunto encerrado: "O Cavaleiro das Trevas Renasce" conclui, com eficácia, uma trilogia de aventuras sempre protagonizadas por Christian Bale.

O Batman do apocalipse
Tom Hardy: o actor para além da máscara
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 O Batman do apocalipse
O Cavaleiro das Trevas Renasce "O Cavaleiro das Trevas Renasce" é a conclusão épica da trilogia do realizador Christopher Nolan. A liderar um elenco internacional de luxo está Christian Bale (Bruce Wayne/Batman), ao qual se juntam pela primeira vez na saga Anne Hathaway (Selina Kyle), Tom Hardy (Bane), Marion Cotillard (Miranda Tate) e Joseph Gordon-Levitt (John Blake). De regresso ao elenco principal estão também Michael ...

Para onde vai o Batman do cinema? De um ponto de vista meramente industrial, por certo à procura de mais sequelas...

No que diz respeito a Christopher Nolan, o trabalho acabou: depois de "Batman - o Ínicio" (2005) e "O Cavaleiro das Trevas" (2008), o novo "O Cavaleiro das Trevas Renasce" encerra uma trilogia para a qual o realizador não quer procurar mais derivações.

Compreende-se, por isso, que o filme tenha todo ele um clima de fim do mundo, como se se tratasse de encenar um impulso apocalíptico, delirante e abstracto, mas que nasce, obviamente, da malaise dos tempos e, muito em particular, do sentimento de decomposição dos valores que ajudaram a edificar as grandes metrópoles como Gotham.

Creio que o cinema de Nolan é quase sempre mais interessante quando não está obrigado aos condicionalismo de uma "franchise" (como é o caso de Batman, produzido em associação com a DC Comics). Títulos como "Memento" (2000) pu "Inception/A Origem" (2010) parecem-me formalmente muito mais controlados e tematicamente mais orgânicos. Sem querer avançar com qualquer desagradável spoiler, observe-se, a esse propósito, a inconsistência do final de "O Cavaleiro das Trevas Renasce" (que, na verdade, combina dois finais, um gerado pela dramaturgia do filme, outro claramente dependente dos desígnios da indústria).

Seja como for, "O Cavaleiro das Trevas Renasce" tem a sua favor a peculiar e, afinal, paradoxal energia de duas novas personagens (no universo de Nolan). Na verdade, Bruce Wayne/Batman (Christian Bale) acaba por ser discretamente secundarizado, favorecendo o aparecimento de "Catwoman", aliás Selina Kyle (Anne Hathaway), e Bane (Tom Hardy), ele também um apocalíptico desafio lançado às forças da ordem.

Não será por acaso que Anne Hathaway e, sobretudo, Tom Hardy (mesmo "escondido" por uma dantesca máscara metálica) são o melhor de "O Cavaleiro das Trevas Renasce". São as suas personagens que, de modo algo desconcertante, carregam quase todas as emoções do filme, como se houvesse um esvaziamento simbólico de Batman que Nolan acolhe, talvez, como sintoma de um fim de ciclo.

Seja como for, este é um exemplo simples e eloquente de um entendimento do espectáculo que não se limita a acumular figuras caricaturais e cenas de "acção", nem se esgota numa contemplação beata das suas próprias proezas tecnológicas. Quando, daqui a umas décadas, alguém quiser compreender algo do nosso cepticismo civilizacional, passar por "O Cavaleiro das Trevas Renasce" poderá ser uma experiência últil.

Crítica de João Lopes
publicado 02:50 - 03 agosto '12

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