O realismo segundo Kechiche
Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux: microscopia dos afectos

Cannes, dia 8: LA VIE D'ADÈLE, Abdellatif Kechiche  

O realismo segundo Kechiche

O nosso bem conhecido realizador de "O Segredo de um Cuscuz", regressa com um filme admirável sobre o amor de duas mulheres: "La Vie d'Adèle - Chapitre 1 & 2" é mais um caso exemplar de direcção de actores (e actrizes!).

Trailer/Cartaz/Sinopse:
 O realismo segundo Kechiche
A Vida de Adèle: capítulos 1 e 2 Aos 15 anos, Adèle tem duas certezas: é uma menina, e uma menina sai com os meninos. Mas no dia em que vê o cabelo azul de Emma, na praça principal, ela sente que sua vida vai mudar. Sozinha com seus problemas de adolescente, ela transforma o olhar sobre si mesmo e o modo como os outros olham para ele. Graças ao seu amor por Emma, ​​ela amadurece enquanto mulher e adulta. Mas Adèle ...
Média Cinemax:
4.875

Com a apresentação dos títulos a concurso a aproximar-se do seu final, reforça-se a sensação de que este ficará como um ano forte do Festival de Cannes, em especial porque o certame tem sabido dar a ver filmes que desafiam os limites do próprio cinema contemporâneo.

É o caso de "La Vie d'Adèle", mais um representante francês na competição, com assinatura do nosso conhecido Abdellatif Kechiche -- dele estrearam em Portugal: "A Esquiva" (2003), "O Segredo de um Cuscuz" (2007) e "Vénus Negra" (2010).

Na verdade, através de universos temáticos bem diversos, Kechiche tem-se revelado como um cineasta do risco dramático e, em particular, de um realismo que passa sempre pelo muito cuidado trabalho dos actores.

Curiosamente, "La Vie d'Adèle - Chapitre 1 & 2" tem como ponto de partida uma banda desenhada, "Bleu Est une Couleur Chaude", de Julie Maroh. Nela se conta a convulsiva relação amorosa de duas jovens: Adèle (Adèle Exarchopoulos), uma estudante de liceu, e Emma (Léa Seydoux), uma jovem que tenta afirmar-se no circuito das galerias de pintura.

Aquilo que correria o risco de se transformar num caso "exemplar" de um amor lésbico, é tratado por Kechiche sem qualquer generalização simplista (sexual ou simbólica), com uma profunda atenção às mais microscópicas manifestações dos afectos. Sem descurar a subtil inserção dramática da história de Adèle e Emma nos espaços da família e da vida social, "La Vie d'Adèle" mostra, afinal, que a herança de Maurice Pialat está bem viva na produção francesa.

Para Kechiche, esta é também uma história com o seu quê de "folhetim", já que, como esclareceu, gostaria que Adèle lhe contasse a continuação dos seus amores & desamores: o subtítulo "Capítulo 1 & 2" antecipa essa possibilidade...

por
publicado 16:21 - 23 maio '13

Recomendamos: Veja mais Artigos de Cannes 2013