Estreia  

O cinema e o espaço que se fecha

Inspirado no caso verídico de Aaron Ralston, o novo filme de Danny Boyle acontece, no essencial, num buraco assustador das montanhas do Utah.

O cinema e o espaço que se fecha
Na solidão das paisagens do Utah: "127 Horas" conta uma história de sobrevivência
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 O cinema e o espaço que se fecha
127 Horas O Filme 127 horas conta a história de um aventureiro, chamado Ralston, que escalava uma montanha em Utah quando seu braço ficou preso numa pedra... Sozinho e sem comunicação aguentou cinco dias, até que resolve cortar o seu próprio braço com um canivete que tinha no bolso...
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Como é que se filma um homem preso, entre duas escarpas de montanha, durante mais de cinco dias, 127 horas para sermos mais precisos? Ou ainda: como é que o cinema pode lidar com uma situação em que o seu natural "movimento" parece drasticamente condicionado?

É esse o desafio que Danny Boyle assume ao filmar, em "127 Horas", a odisseia cruel (e verídica) de Aaron Ralston, literalmente encaixado entre rochas imensas e assustadoras, algures nas montanhas do Utah. Convenhamos que o cinema possui algumas obras-primas que lidam com austeras situações de fechamento do espaço — para nos ficarmos por uma única referência, lembremos o genial "Fugiu um Condenado à Morte" (1956), de Robert Bresson.

Danny Boyle não aguenta qualquer tipo de comparação com Bresson — mas quem é que se pode comparar a Bresson? Em todo o caso, o seu filme é um exercício simpático e caloroso que vale, sobretudo, pela proximidade (física e dramática) que tenta manter com o seu protagonista, obviamente enraizada numa composição hiper-controlada de James Franco.

Depois, dir-se-ia que o filme tem receio de manter o próprio radicalismo da situação, ensaiando diversas "fugas", mais ou menos em tom de flashback, que diminuem o seu impacto e consistência. Por vezes, "127 Horas" cede mesmo ao pior da "estética" MTV, confundindo fragmentação das imagens com intensidade dramática ou justeza narrativa. Fica o sentido de risco de um projecto capaz de abraçar uma história que, de uma maneira ou de outra, desafia os limites figurativos do próprio cinema.

Crítica de João Lopes actualizado às 18:21 - 25 fevereiro '11
publicado 14:00 - 23 fevereiro '11

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