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O cinema no labirinto da ditadura

Um documentário estranho às convenções "documentais": através de "48", Susana Sousa Dias ilumina a história do Estado Novo a partir das fotografias dos prisioneiros da polícia política.

O cinema no labirinto da ditadura
"48": através das imagens, escutando as palavras
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 O cinema no labirinto da ditadura
48 O que pode uma fotografia de um rosto revelar sobre um sistema político? O que pode uma imagem tirada há mais de 35 anos dizer sobre a nossa actualidade? Partindo de um núcleo de fotografias de cadastro de prisioneiros políticos da ditadura portuguesa (1926-1974), 48 procura mostrar os mecanismos através dos quais um sistema autoritário se tentou auto-perpetuar durante 48 anos. Depois de ...
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Critica "48"

Como revisitar a memória do Estado Novo?

Como percorrer o labirinto de factos e imaginações de que são feitos 48 anos de ditadura?

No seu filme "48", Susana Sousa Dias propõe uma via muito concreta, tão didáctica quanto obsessiva: começa com as fotografias dos prisioneiros da polícia política, a PIDE, para tentar compreender que memórias elas contêm. Ou ainda: que palavras elas podem suscitar?

Estamos nos antípodas das soluções correntes, estereotipadas, dos "documentários" de raiz televisiva. Nem discursos normativos da história, nem bandas sonoras automáticas para dar o "contexto".

Através de um método pacientemente mantido até final, "48" é o lugar de uma nova coexistência: de um lado, as imagens que a PIDE fez daqueles que prendeu e, muitas vezes, torturou; do outro, as vozes actuais daqueles que vemos nas imagens.

Na prática, Susana Sousa Dias mostra-nos que contar a história, qualquer história, não é nada que esteja garantido apenas porque se coloca um microfone à frente seja de quem for... "48" é um filme de reencontro com a espessura (história, política, emocional) de qualquer imagem, de qualquer palavra -- um belo acontecimento de cinema.

Crítica de João Lopes actualizado às 00:17 - 23 abril '11
publicado 00:12 - 23 abril '11

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