O desencanto de Sofia Coppola

No regresso à realização, Sofia Coppola propõe o retrato de uma intimidade muito especial: em cena estão um actor famoso e a sua filha adolescente.

O desencanto de Sofia Coppola
Stephen Dorff e Elle Fanning: uma história pai/filha tendo por pano de fundo o mundo da fama
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 O desencanto de Sofia Coppola
Algures - Somewhere Johnny Marco vive no lendário hotel "Chateau" Marmont, em Hollywood. Tem um Ferrari e vida de boémio. Até ao momento em que a sua filha de 11 anos, Cleo, fruto de um casamento falhado, chega inesperadamente ao "Chateau".
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O desencanto de Sofia Coppola
"Algures": entrevista com Sofia Coppola José Paulo Alcobia entrevista a realizadora premiada com o Leão de Ouro em Veneza.

De que se faz, afinal, o cinema de Sofia Coppola? Que temas, obsessões ou sentimentos ligam "As Virgens Suicidas" (1999), "Lost in Translation" (2003) e "Maria Antonieta" (2006)?

Digamos que o seu novo filme, "Somewhere / Algures" (premiado com o Leão de Ouro de Veneza, em 2010), pode ajudar a responder um pouco a tais questões. Que é como quem diz: esta história da relação instável de um actor famoso e a sua filha corresponde a uma espécie de nostalgia romântica, e familiar, que desemboca quase sempre num desencanto suave. Dir-se-ia que as personagens vivem na memória de uma utopia, não política, mas afectiva, que nunca mais poderão encontrar.

Inevitavelmente, a história da relação do actor (Stephen Dorff) e da sua filha adolescente (Elle Fanning) suscitou paralelismos diversos com a próprio biografia de Sofia Coppola. Afinal de contas, ela é filha de um dos nomes grandes do moderno cinema americano, Francis Ford Coppola, e podemos sempre supor que a sua relação com o pai terá passado também por momentos em que algum conflito terá havido entre as nuances da vida particular e as exigências da profissão.

Dito isto, importa também acrescentar que o filme não nos força a tal tipo de metáfora. Aliás, o maior problema de "Somewhere" não é o seu maior ou menor grau de verdade, mas a ligeireza com que tudo é tratado, a ponto de se instalar uma indefinição pouco produtiva: crónica sofrida intimidade ou retrato caricatural da arte de ser célebre? Se Sofia Coppola é uma cineasta dos impasses existenciais da modernidade, "Lost in Translation" continua a ser o momento mais forte do seu trabalho.

Crítica de João Lopes actualizado às 17:53 - 25 fevereiro '11
publicado 16:52 - 24 fevereiro '11

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