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O exílio europeu de Brian De Palma

Já há muitos anos distante da produção de Hollywood, o americano Brian De Palma continua a filmar na Europa: "Domino - A Hora da Vingança" é um "thriller" de origem dinamarquesa recheado de proezas de "mise en scène".

O exílio europeu de Brian De Palma
Nikolaj Coster-Waldau filmado por Brian De Palma: um "thriller" urbano à moda antiga
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Que é feito do autor de "Carrie" (1976)? Ou melhor: será que Brian De Palma (n. 1940) se tornou mesmo um cineasta no exílio?

Assim parece. Na verdade, o cineasta de títulos como "Blow Out" (1981) ou Missão Impossível" (1986) caiu em desgraça perante os grandes estúdios dos EUA — a sua derradeira realização feita no interior de Hollywood, "Missão a Marte", surgiu no ano 2000. E o seu trabalho mais recente está todo ele ligado a fontes europeias de financiamento (além de que não apresentava um novo filme desde 2012, ano de "Paixão").

Em termos práticos, De Palma mostra-se apostado em continuar a explorar esse misto de realismo e onirismo que pontua todos os seus grandes filmes — recorde-se o admirável "Os Olhos da Serpente" (1998), com Nicolas Cage. Agora, com "Domino - A Hora da Vingança", vamos encontrá-lo a filmar em Copenhaga, através de uma produção centrada na Dinamarca, envolvendo ainda Bélgica, França, Itália e Holanda.

Pequena produção e algumas grandes ideias de mise en scène... Com um elenco que inclui dois nomes conhecidos dos espectadores de "A Guerra dos Tronos" — o dinamarquês Nikolaj Coster-Waldau e a holandesa Carice van Houten —, De Palma encena uma história típica de "thriller" urbano, pontuada por sinais inquietantes do terrorismo, recheando-a de momentos da mais depurada invenção formal.

Certamente não por acaso, o filme deixa-nos uma sensação amarga de profunda inquietação moral. De Palma apresenta-se, assim, como um criador céptico e descrente que, em qualquer caso, não abdica das raízes do espectáculo em que se formou. Na sua imensa vulnerabilidade, "Domino" bate aos pontos os ruidosos efeitos especiais (?) da maior parte dos super-heróis cujos cartazes enchem as ruas das nossas cidades.

Crítica de João Lopes
publicado 13:46 - 26 julho '19

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