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O inferno dos "blockbusters"

Terceira adaptação das aventuras do professor Robert Langdon, sempre com Tom Hanks, "Inferno" não envolve grandes surpresas — em qualquer caso, o trabalho do argumentista David Koepp faz a diferança.

O inferno dos blockbusters
Tom Hanks e Felicity Jones — aventuras "metafísicas" em Florença
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 O inferno dos blockbusters
Inferno Ron Howard, realizador galardoado com dois Óscares® da Academia, regressa com o mais recente bestseller da série bilionária Robert Langdon de Dan Brown (O Código da Vinci), Inferno. Neste, o famoso simbologista, novamente interpretado por Tom Hanks, encontra um trilho de pistas que levam ao próprio Dante. Quando Langdon acorda, com amnesia, num hospital italiano alia-se a Sienna Brooks (Felicity ...

Convenhamos que, mesmo no plano restrito dos "blockbusters" de Verão (ou de Outono...), os filmes inspirados em livros de Dan Brown estão longe de ocupar um lugar importante. Com Tom Hanks no papel do professor Robert Langdon e Ron Howard a assinar a realização, "O Código Da Vinci" (2006) e "Anjos e Demónios" (2009) eram máquinas tão bem oleadas quanto formalmente vulgares.

"Inferno", a terceira adaptação das aventuras "metafísicas" de Langdon, agora acompanhado pela médica interpretada por Felicity Jones, não terá grande diferença em relação aos exemplos anteriores (Ron Howard continua a liderar o processo como produtor/realizador). Com uma diferença que, apesar de tudo, merece ser sublinhada: o trabalho do argumentista David Koepp consegue elaborar uma hábil teia de enigmas capaz de sustentar a tradicional lógica do "quem-como-onde" — afinal de contas, Koepp tem na sua filmografia os brilhantes scripts de títulos como "Parque Jurássico" (1993) ou "Missão Impossível" (1996), respectivamente de Steven Spielberg e Brian De Palma.

É pena que um actor tão versátil como Tom Hanks tenha a seu cargo uma personagem afinal tão esquemática como Langdon. Não admira, por isso, que a presença mais enérgica seja a do "mau da fita", o inquietante Bertrand Zobrist que, através da manipulação de um vírus letal, acha que encontrou uma solução definitiva para resolver os problemas do género humano — mesmo com uma presença escassa no ecrã, Ben Foster, no papel de Zobrist, faz a diferença no elenco de "Inferno" (vimo-lo recentemente, também impecável, em "Vencer a Qualquer Preço", de Stephen Frears).

Enfim, o espectador tem direito à habitual avalanche de cenas de "acção", por vezes confundida com a mera agitação visual. Refira-se, de qualquer modo, a boa utilização de alguns cenários de Florença, especialmente bem tratados pela direcção fotográfica de Salvatore Totino — ele é, por certo, no campo específico da imagem, um dos mais sofisticados talentos da actual produção americana.

Crítica de João Lopes
publicado 14:16 - 13 outubro '16

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