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O "western" acabou?

Mais de meio século depois de "Os Sete Magníficos", o cinema americano propõe uma nova versão, com um elenco que inclui, entre outros, Denzel Washington, Ethan Hawke e Vincent D'Onofrio — infelizmente, o aparato é grande, mas o gosto do "western" perdeu-se.

O western acabou?
Denzel Washington é um dos nomes do elenco da nova versão de "Os Sete Magníficos"
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 O western acabou?
Os Sete Magníficos O realizador Antoine Fuqua traz-nos a sua visão moderna de uma história clássica, no filme Os Sete Magníficos da Metro-Goldwyn-Mayer Pictures e da Columbia Pictures. Com a cidade de Rose Creek sob o cruel domínio do industrial Bartholomew Bogue (Peter Sarsgaard), a população desesperada contrata a proteção de sete marginais, caçadores de prémios, jogadores e pistoleiros a soldo: Sam Chisolm ...

Em boa verdade, perguntar se o "western" acabou provém de um impulso inevitavelmente nostálgico... Basta reparar como há muito as histórias de "cowboys e índios" desapareceram dos mapas regulares da produção dos grandes estúdios de Hollywood. Mesmo "Imperdoável", de Clint Eastwood, foi lançado em 1992 e já nessa altura o "western" era uma excepção.

A nova versão de "Os Sete Magníficos" envolve, por isso, um misto de curiosidade e desilusão. Curiosidade porque o realizador Antoine Fuqua se rodeia de um lote de respeitáveis actores — Denzel Washington, Ethan Hawke, Vincent D'Onofrio, etc. — para refazer o lendário título homónimo de 1960; (ambos inspirados em "Os Sete Samurais", de Akira Kurosawa, lançado em 1954); desilusão porque esse labor de memória pouco mais envolve do que a redução do "western" a uma colagem de situações de "acção" que, por vezes, cedem aos vícios mais artificiosos dos piores filmes de super-heróis.

Dir-se-ia que um projecto deste teor é construído a partir de um insólito vazio histórico. De facto, o "western", primeiro num registo mais ou menos épico (do mudo até meados da década de 50), depois assumindo uma visão eminentemente crítica (sobretudo ao longo dos anos 60), foi o palco plural e contraditório da expansão americana para Oeste — agora, pouco mais resta do que um formalismo superficial, aqui e ali apostado em "imitar" algumas referências emblemáticas (por exemplo, as linhas de composição dos grandes planos de alguns filmes como "O Bom, o Mau e o Vilão", de 1966, do italiano Sergio Leone).

Encontramos, como é óbvio, a principal linha dramática do filme de 1960, assinado por John Sturges, proveniente do clássico de Kurosawa. A saber: a situação de bloqueio de uma pequena aldeia que, ameaçada por um violento senhor "feudal", pede auxílio aos "sete magníficos"... Quanto ao resto, infelizmente, o filme nem sequer tira o devido partido do talento do seu elenco. O "western" acabou? Ou já não há ninguém para o pensar, filmar e relançar?

Crítica de João Lopes
publicado 18:14 - 23 setembro '16

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