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"Os Livros de Próspero" ou a imagem reinventada através de Shakespeare
DVD Memória
OS LIVROS DE PRÓSPERO (1991)
"Coriolano", de Ralph Fiennes, faz-nos reencontrar a vocação shakespeareana do cinema. Este é, por isso, um bom momento para evocarmos o trabalho experimental de Peter Greenaway, tendo como base o texto de "Tempestade".
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DVD Memória "Os Livros de Próspero" de Peter Greenaway
Na altura em que descobrimos a versão cinematográfica de "Coriolano", de e com Ralph Fiennes, vale a pena lembrar que há uma frondosa tradição shakespeareana ao longo de muitas décadas da história do cinema.
Tal tradição passa, obviamente, por autores emblemáticos como Laurence Olivier ou Orson Welles. Mas está também ligada a diversas formas modernas de experimentalismo: Peter Greenaway é um bom exemplo e o seu filme de 1991, "Os Livros de Próspero", uma das expressões mais luminosas dessa vontade de reinventar Shakespeare.
Aadptação muito de livre de "Tempestade" (peça publicada em 1611), "Os Livros de Próspero" celebra a lógica experimental do seu autor. Para Greenaway, o ecrã está muito longe de ser uma mera reprodução do "teatro", a ponto de a imagem ser entendida, ela própria, como uma tela sobre a qual é possível... escrever.
Indissociável de outros trabalhos de reconversão dos poderes da escrita, desde "O Contrato" (1982) a "O Bebé de Mâcon" (1993), "Os Livros de Próspero" é, afinal, um objecto festivo. O que nele se exalta é a possibilidade de o cinema superar todas as suas fronteiras tradicionais.
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