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Para além das leis humanas

Mantendo a lógica experimental do seu trabalho, Edgar Pêra propõe uma revisitação original do conto "O Barão", de Branquinho da Fonseca -- em imagens a preto e branco.

Para além das leis humanas
Nuno Melo: o preto e branco de um universo trágico e íntimo
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 Para além das leis humanas
O Barão "O Barão", inspirado na obra de Branquinho da Fonseca, é um remake neuro-gótico, expressionista, de um filme fantasma. Durante a Segunda Guerra Mundial uma equipa americana de filmes Série B refugiou-se em Lisboa. No ano de 1943 a produtora Valerie Lewton casou-se com um ator português que lhe traduziu o conto de Branquinho da Fonseca, “O Barão”, acerca de um tirano que aterrorizava a população ...
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Critica "O Barão"

Não seria fácil, nem automático, "transpor" para cinema o conto "O Barão", de Branquinho da Fonseca. Afinal de contas, estamos a falar de uma narrativa em que o enquadramento social (um "barão" que controla em absoluto um esquecido universo rural) apela sempre a um sugestivo jogo metafórico (estão em cena os limites do próprio poder e do seu exercício).

Edgar Pêra, fiel ao gosto experimental da sua filmografia ("Manual de Evasão LX94", "A Janela", "És a Nossa Fé", etc.), refaz e, sobretudo, reinventa "O Barão" como uma espécie de pesadelo estranhamente transparente: por um lado, entramos naquele universo bizarro através do olhar "normal" do inspector escolar (Marcos Barbosa); por outro lado, a figura inquietante do Barão (Nuno Melo) coloca-nos em contacto com um país dantesco em que as leis humanas já não funcionam.

Daí a sensação paradoxal: "O Barão" evolui como uma tragédia, sempre assombrada pelo pavor da aniquilação; ao mesmo tempo, há nele um ambiente de quase intimidade, como se assistíssemos ao desnudamento de sentimentos e medos primordiais.

Além do mais, eis um filme... a preto e branco! Num tempo de crescente "demonização" televisiva do preto e branco, é bom encontrar um obejcto que reafirma a dignidade formal (e as potencialidades técnicas) de um tipo de fotografia com evidentes raízes numa longa e fascinante tradição.

Crítica de João Lopes
publicado 18:58 - 21 outubro '11

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