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Para redescobrir o cinema de Godard

Jean-Luc Godard volta a estar no centro da actualidade cinematográfica: para além da sua mais recente longa-metragem, "Filme Socialismo", no mês de Março podemos redescobri-lo na Cinemateca e em DVD.

Para redescobrir o cinema de Godard
"Filme Socialismo": o cinema à procura do seu futuro
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 Para redescobrir o cinema de Godard
Filme Socialismo Num cruzeiro pelo mar Mediterrâneo, surgem assuntos sobre histórias de dinheiro e geometria. Entre os passageiros, a maioria em férias viajam, um criminoso de guerra acompanhado de sua neta, um filósofo francês, um representante da polícia de Moscovo, uma cantora americana, um policial francês, uma ex-funcionária da ONU, um agente aposentado e um embaixador palestino. Nessa conversa que mistura ...
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Nome: Godard Jean-Luc Godard continua a filmar o presente, o seu assombramento pelo passado e a sua vacilação face ao futuro. O título: "Film Socialisme"
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Crítica "Filme Socialismo"

Em "Filme Socialismo", as imagens contêm as próprias legendas. Que é como quem diz: a escrita surge associada às imagens, literalmente integrada nelas, como elemento fundamental para lidarmos com a complexidade do mundo.

Nada de novo, afinal, na estratégia de Jean-Luc Godard, mestre absoluto do cinema contemporâneo (fez 80 anos no passado dia 3 de Dezembro) e nome eternamente mítico das revoluções da Nova Vaga francesa durante as décadas de 50/60. Desde os grandes clássicos desse período, incluindo "O Acossado" (1959) e "Pedro o Louco" (1965), Godard é um cineasta da relação das imagens com as palavras, ou seja, da dificuldade de mostrarmos aquilo que pensamos, porventura da impossibilidade de dizermos aquilo que vemos.

"Filme Socialismo" divide-se em três partes que dialogam entre si em torno do mesmo problema: como continuar a viver num mundo saturado de mensagens redundantes e dominado por formas cínicas de comunicação?

Na primeira parte, um cruzeiro no Mediterrâneo, deparamos com uma galeria de personagens assombradas pelos dramas existenciais e políticos da Europa; na segunda, deparamos com uma espécie de teatro imaginário sobre as relações pais/filhos; enfim, na terceira, somos confrontados com os muitos impasses das nossas memórias históricas, quase sempre habitadas por formas perturbantes de violência. Godard filma tudo isso como quem faz um "telejornal", não rotineiro, mas cinematográfico: para onde vai o nosso mundo? Com uma interrogação complementar: que futuro tem, ou pode ter, o cinema?

"Filme Socialismo" é apenas uma parte de um grande mês dedicado à obra de Godard, sem esquecer algumas notáveis novidades em DVD. Eis o panorama geral:

* Ciclo “Elogio de Jean-Luc Godard”, a partir do dia 4, com mais de duas dezenas de sessões até 31 deMarço (inclui raridades como "Le Gai Savoir e "Comment Ça Va", e o inédito "One P.M.") - em Lisboa, na Cinemateca.

* "Filme Socialismo" é exibido no dia 5, em Lisboa (Culturgest), e dias 6 e 7 no Porto (Serralves).

* No dia 10, numa sala do UCI El Corte Ingles (Lisboa), estreia-se o documentário "Godard/Truffaut – Os 2 da Nova Vaga", realizado por Emmanuel Laurent, com argumento de Antoine de Baecque, autor de uma biografia de Godard.

* Em DVD, surgem edições de "Viver a Sua Vida" (1962), em cópia restaurada, e "JLGpor JLG" (1994); são reeditados "Bando à Parte" (1964), "Eu Vos Saúdo Maria" (1985) e"História(s) do Cinema" (1988-1998).

Crítica de João Lopes actualizado às 01:57 - 04 março '11
publicado 01:04 - 04 março '11

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