Estreias  

Por amor de Judy Garland

Na corrida ao Oscar de melhor actriz referente à produção de 2019, Renée Zellweger está na linha da frente: a sua interpretação de Judy Garland permite-nos revisitar e redescobrir os filmes e os bastidores da idade de ouro de Hollywood.

Por amor de Judy Garland
Renée Zellweger: reinventando o corpo e a voz de Judy Garland
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 Por amor de Judy Garland
Judy No ano de 1968 a lenda Judy Garland chega a Londres para uma série de concertos. Passaram-se 30 anos desde foi catapultada como estrela global com o filme "O Feiticeiro de Oz". Está cansada; assombrada por memórias de uma infância perdida para Hollywood; agarrada ao desejo de voltar para casa para junto dos filhos; mas determinada a nunca desapontar os seus fãs. Apresentando alguns dos seus temas ...

Renée Zellweger é uma talentosa actriz que viu a sua imagem de marca e, mais do que isso, a sua carreira minada pela mediocridade "O Diário de Bridget Jones" (2001) e respectivas derivações. De tal modo que, numa fase crítica da sua evolução pessoal (nasceu há 50 anos, na cidade de Katy, Texas), consegue renascer através da magnífica interpretação de Judy Garland (1922-1969) no filme "Judy".

Convenhamos que nunca seria fácil evocar Garland, figura maior da idade de ouro de Hollywood, nome indissociável de títulos míticos como "O Feiticeiro de Oz" (1939), de Victor Fleming, ou "Não Há como a Nossa Casa" (1944), de Vincente Minnelli. Até porque a aposta de "Judy" arrisca muito para além do fausto dessas memórias — trata-se, afinal, de construir uma narrativa que, sem prescindir de alguns ziguezagues temporais (nomeadamente para a rodagem de "O Feiticeiro de Oz"), se centra no período final em que Garland protagonizou alguns dramáticos concertos em Londres.

Pois bem, Zellwegger consegue a proeza de compor a personagem de Garland, não apenas através de um impressionante trabalho realista de "reconstituição" do corpo da actriz (e da voz!), mas sobretudo expondo as tensões mais delicadas que nascem da relação da sua imagem pública com os bastidores da sua existência artística e familiar. Dito de outro modo: mesmo aplicando uma matriz tradicional de "filme-biográfico", a realização de Rupert Goold sabe respeitar a complexidade psicológica das relações que coloca em cena.

Filme de genuíno amor pelo cinema, "Judy" consegue, assim, contrariar as descrições pitorescas, por vezes anedóticas, da vida de uma star, afinal celebrando a importância de conhecer os protagonistas de Hollywood sem ceder a qualquer maniqueísmo ("pró" ou "contra"). E vale a pena repetir o que todos os analistas americanos garantem: Zellweger é, para já, a grande favorita ao Oscar de melhor actriz, a atribuir no dia 9 de Fevereiro de 2020.

Crítica de João Lopes
publicado 03:38 - 12 outubro '19

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