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Reinventando a fábula

"Maléfica" (2014) já tem a sua sequela, de novo com Angelina Jolie no papel central — ou como é possível refazer um espectáculo de grande requinte tecnológico sem alienar o gosto de contar histórias.

Reinventando a fábula
Angelina Jolie retomando o papel de Maléfica, ou novas variações sobre "A Bela Adormecida"
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 Reinventando a fábula
Maléfica: Mestre do Mal Os anos têm sido gentis com Maléfica e Aurora. A relação de ambas, que nasceu de um desgosto, vingança e finalmente amor, floresceu. No entanto, o ódio entre o homem e as fadas ainda existe. O iminente casamento de Aurora com o príncipe Phillip é motivo de comemoração no reino de Ulstead e para os vizinhos Moors, uma vez que servirá para unir os dois mundos. Quando um encontro inesperado introduz ...

Tudo começou em 2014, quando os estúdios Disney, apostados em recriar com actores muitos dos seus títulos clássicos de animação, decidiram refazer a sua versão de "A Bela Adormecida" (1959), desta vez com a bruxa como personagem central — e com Angelina Jolie a assumir tal personagem, pormenor que estava longe de ser secundário.

Cinco anos depois de "Maléfica", aí está "Maléfica: Mestre do Mal" (não teria sido mais adequado traduzir "Mistress of Evil" por Senhora do Mal?...). De novo com Angelina Jolie e também Elle Fanning, na personagem de Aurora, agora com Michelle Pfeiffer a interpretar a Rainha Ingrith, mãe do Príncipe que se vai casar com Aurora.

Em boa verdade, pertence a Pfeiffer um novo e sugestivo protagonismo, confirmando que é possível manter a lógica do primeiro filme, ao mesmo tempo alargando o território dramático do conto de Charles Perrault (publicado em 1697). A saber: é possível revisitar o património tradicional da literatura, recriando alguns dos seus elementos de modo mais ou menos perverso sem que a dimensão primitiva da fábula seja desrespeitada.

Neste caso, tal opção é tanto mais significativa (e louvável!) quanto "Maléfica: Mestre do Mal" mostra que pode existir um cinema de impressionante requinte tecnológico (observe-se apenas a espectacular profusão cenográfica...) sem menosprezar os valores clássicos da arte de contar histórias. Em tempos de tanta banalidade "super-heróica", eis uma atitude a ter em conta.

Crítica de João Lopes actualizado às 17:54 - 17 outubro '19
publicado 17:50 - 17 outubro '19

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