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Relendo as palavras de Ginsberg

Foi um momento marcante na história da cultura americana na década de 1950: a publicação do poema "Howl", de Allen Ginsberg, é agora tema central de um filme da dupla Rob Epstein/Jeffrey Friedman.

Relendo as palavras de Ginsberg
James Franco interpretando Allen Ginsberg: memórias americanas, 1956
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 Relendo as palavras de Ginsberg
Uivo São Francisco, 1957. Uma obra-prima é julgada e esse é um momento decisivo para a contra-cultura americana. O filme recria a vida de Allen Ginsberg e do poema Howl, explorando géneros e temas que ainda hoje são actuais: a definição de obscenidade, os limites da liberdade de expressão, a natureza da arte.
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Critica "O Uivo"

Quando o poema "Howl", de Allen Ginsberg, foi publicado em 1956, de imediato desencadeou reacções de protesto e indignação. Para os que assim reagiam, estava em jogo não apenas o subtexto homossexual, mas também o vernáculo e a própria legitimidade de usar as palavras daquele modo.

O filme "Howl / Uivo" possui a primeira e essencial virtude de se colar à singularidade das palavras e à forma de as dizer. Por alguma razão, o motor da sua construção é a própria leitura do poema, por Ginsberg, magnificamente refeita pela interpretação de James Franco: somos confrontados, assim, com a densidade, a sensualidade e o fascínio do acto de dizer.

Além do mais, através do julgamento público de Ginsberg, somos também envolvidos nas memórias contraditórias de um tempo americano em que a questão da liberdade de expressão ocupava o centro da vida social e dos combates políticos.

Podemos considerar que o filme nem sempre encontra o melhor equilíbrio entre os seus diversos materiais: a ficção propriamente dita, alguns fragmentos documentais e ainda uma muito discutida inserção de cenas em desenho animado. Em todo o caso, a sua força decorre também dessa pluralidade interior: não é possível evocar Ginsberg, bem como as convulsões da Beat Generation, sem conferir a devida atenção a todas essas diferenças e contrastes.

Rob Epstein e Jeffrey Friedman, os realizadores de "Howl", chegam a este filme em parte através da experiência documental: foram eles que assinaram o magnífico "The Celluloid Closet" (1995), um estudo sobre as formas de tratamento das personagens homossexuais no cinema americano.

Além do mais, importa também lembrar que Epstein, a solo, dirigiu "Os Tempos de Harvey Milk" (1984), documentário sobre aquele que foi o primeiro membro de uma assembleia municipal (de São Francisco) a assumir publicamente a sua homossexualidade; para Gus van Sant, esse documentário foi uma fundamental referência quando realizou "Milk" (2008), com Sean Penn -- agora, van Sant é um dos produtores executivos de "Howl". 

Crítica de João Lopes actualizado às 13:19 - 23 setembro '11
publicado 00:32 - 23 setembro '11

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