DESTINO DE SANGUE, Nicolas Winding Refn  

Saudades do cinema (realmente) épico

Consagrado em Cannes com "Drive", Nicolas Winding Refn realizara antes "Destino de Sangue", uma aventura do tempo das Cruzadas: sinais do mesmo maneirismo estético.

Saudades do cinema (realmente) épico
"Destino de Sangue": o filme que Nicolas Winding Refn dirigiu antes de "Drive"
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 Saudades do cinema (realmente) épico
Destino de Sangue Um Olho (Madds Mikkelsen), um guerreiro mudo detentor de uma força sobrenatural, esteve durante anos aprisionado por ser visto como um animal. A sua única companhia era Are (um jovem escravo, que lhe levava comida e água. Juntos conseguem aprisionar o seu captor e fugir. É quando começam uma cruzada pelo caminho da escuridão…

Confesso que, em Cannes/2011, fui um espectador desconcertado com o Prémio de Realização atribuído ao dinamarquês Nicolas Winding Refn pelo thriller (americano) "Drive".

Acima de tudo, pareceu-me que o aparato formalista de Refn não passa de uma colagem de imitações menores de algumas referências fortes do cinema americano das últimas décadas (com destaque para Tarantino).

Agora, chega ao mercado português "Valhalla Rising" (2009), entre nós lançado como "Destino de Sangue", precisamente o filme que projectou internacionalmente, nos circuitos dos festivais, o nome de Refn. E parece evidente que estamos, de facto, perante um universo cinematográfico em que a facilidade maneirista esgota as propostas temáticas e narrativas.

A aposta não é pequena, já que se trata de fazer ou refazer um cinema de vocação épica, centrado numa aventura que tem tanto de odisseia física como de demanda existencial. Esta é, afinal, a história de um grupo de homens, no tempo das Cruzadas, perdidos numa paisagem espectacular (cenários naturais da Escócia) que os acolhe tanto quanto os ameaça.

Em boa verdade, pouco mais se passa do que uma acumulação de cenas "contemplativas", ingloriamente sustentadas por música electrónica ou diálogos cuja densidade filosófica se vai tornando involuntariamente anedótica. Pontualmente, tudo isso é interrompido por situações mais ou menos brutais, prenunciadas por breves imagens de coloração vermelha.

Que tudo isto possa passar por grande modernidade, eis o que poderá servir para uma introspecção estética dos nossos tempos...

E se é de aventuras épicas à moda antiga que se trata, então ficam as saudades do sentido de espectáculo, da agilidade narrativa e também do espírito naif de filmes como "Os Vikings" (1958), de Richard Fleischer.

Crítica de João Lopes actualizado às 23:00 - 18 junho '11
publicado 17:46 - 18 junho '11

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