Estreia  

Ser ou não ser Shakespeare

O realizador de "Godzilla" continua fiel a si próprio: muita ostentação e pouco cinema. Desta vez, Shakespeare é o tema que, afinal, não passa de um pretexto para um empreendimento profundamente académico.

Ser ou não ser Shakespeare
Rhys Ifans, em "Anónimo": como se fosse um telefilme de luxo
Crítica de
Subscrição das suas críticas
115
Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Ser ou não ser Shakespeare
Anónimo Um tema que há séculos intriga académicos e mentes brilhantes. Quem era o autor das peças de William Shakespeare? Os especialistas debateram, livros foram escritos e vários estudiosos têm dedicado suas vidas para proteger ou desmentir teorias em torno da autoria dos trabalhos mais famosos da literatura inglesa. Anonymous representa uma possível resposta, centrando-se nas várias intrigas ...

A veracidade dos textos de William Shakespeare pode ser pretexto para uma especulação mais ou menos insólita: será que as belíssimas obras que a humanidade consagrou, de "Hamlet" a "Romeu e Julieta", não foram escritas por esse Shakespeare que as assinou, mas por alguém que se viu condenado a permanecer nos bastidores a História?

"Anónimo" é um filme que, de certa maneira, tenta rentabilizar essa hipótese. Mas o mais espantoso é que o faz, não exactamente para formular uma tese, antes para expor um facto consumado. Esperava-se que, apesar de tudo, se tentasse problematizar a questão, quanto mais não seja porque se trata de dizer que a humanidade anda enganada... há quatro séculos!

Como é óbvio, o produtor/realizador alemão Roland Emmerich tem toda a liberdade para acreditar no que muito bem entender... O problema é que, para além de se assumir como novo sacerdote da "verdade" histórica, faz um filme que confunde a mera pompa dos meios de produção com a intensidade dramática. E, de facto, a simples emoção não nasce, automaticamente, da muito académica ostentação dos recursos técnicos.

É pena, quanto mais não seja porque Emmerich tem ao seu serviço uma respeitável galeria de actores, incluindo Rhys Ifans (intérprete de Edward De Vere, o alegado autor dos escritos que, por razões de estatuto de classe, viriam a ser assinados por um tal William Shakespeare...).

E tem também as capacidades invulgares dos estúdios alemães de Babelsberg, em nada inferiores às de muitas produções com o selo de Hollywood. O certo é que, tal como em "Godzilla" (1998), "O Dia Depois de Amanhã" (2004), ou "2012" (2009), Emmerich produz muita agitação e muito pouco cinema. Como se tudo fosse um telefilme de luxo...

Crítica de João Lopes
publicado 23:51 - 30 novembro '11

Recomendamos: Veja mais Críticas de João Lopes