O que vale o 3D?

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O que vale o 3D?

Será o cinema a três dimensões um enorme equívoco técnico e comercial? Não necessariamente. Mas face a filmes como "Megamind", a dúvida reforça-se: porquê e para quê?

Faz sentido considerar que o 3D não passa de um estratagema para tentar atrair espectadores às salas, "compensando" muitas baixas de frequência nos mercados de todo o mundo?

A minha resposta é negativa. Ou seja: nenhuma transformação técnica, mesmo "requentada" como são as três dimensões (afinal de contas, a idade fundadora do 3D ocorreu há mais de 50 anos), é em si mesma "boa " ou "má". Tudo depende, como é óbvio, do que se faz com ela... Exemplo: o Steadycam não é um invento revolucionário para as câmaras de filmar, mas quando vemos a sua utilização por Stanley Kubrick (Shining, 1980), compreendemos o seu imenso potencial.

Ora, o que um filme como Megamind vem reforçar é essa noção desconcertante que nos faz perceber que, em muitos filmes, o 3D passou a ser um mero complemento promocional. Mais do que isso: sem qualquer pertinência criativa, ou meramente visual, para os resultados que nos são apresentados.

O filme de Tom McGrath é uma variação simpática, mas menor, sobre o universo dos "Superheróis", com um "bom" e um "mau" a disputar a liderança de uma metrópole extasiada com os seus poderes. Em todo o caso, fica por esclarecer porquê, e para quê, terá sido produzido em 3D.

No horizonte está um risco real: o de os espectadores se cansarem de procurar uma "novidade" que, em pouco tempo, gerou o seu próprio academismo.

 


Poster de «Megamind (V.P. 3D)»

MEGAMIND

Ao longo dos anos, Megamind tem tentado conquistar Metro City de todas as formas possíveis e imaginárias. Cada tentativa é um colossal falhanço, devido ao herói mascarado conhecido como "Metro Man", um herói invencível, até ao dia em que Megamind, por entre os esquemas dos seus planos malévolos, o liquida. Subitamente, Megamind fica sem planos...

De Tom McGrath com Brad Pitt, Jonah Hill, Tina Fey; Animação; 96m; M/6; EUA; 2010

> Ouça a crítica de João Lopes

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