Estreia  

Tom Cruise na teia do musical

O musical desapareceu na idade clássica de Hollywood... mas não pára de regressar. "A Idade do Rock" aposta em revisitar a música mais pesada dos anos 80. O melhor é mesmo... Tom Cruise!

Tom Cruise na teia do musical
Stacee Jaxx, aliás, Tom Cruise: uma personagem maior que a vida
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 Tom Cruise na teia do musical
A Idade do Rock "Rock of Ages" conta-nos a história de Sherrie, uma rapariga do interior, e de um rapaz da cidade, Drew, que se conhecem no Sunset Strip enquanto procuram realizar os seus sonhos em Hollywood. O romance rock and roll é contado através de clássicos e canções emocionantes de Def Leppard, Joan Jett, Journey, Foreigner, Bon Jovi, Night Ranger, Reo Speedwagon, Pat Benatar, Twisted Sister, Poison, ...

Stacee Jaxx é uma daquelas personagens que apela à dimensão épica do cinema. Ou da vida, se preferirem. Em todo o caso, como estrela do rock muito heavy dos anos 80, ele vive literalmente no palco e através do palco.

Quando está "cá fora", com o comum dos mortais, é raro saber o que fazer, dizer ou até como orientar-se no espaço. A ingestão de algumas substâncias não demasiado naturais ajudará a explicar o seu vazio existencial, mas é um facto que, com a música e através da música, Stacey Jaxx renasce maior que a vida.

Não é todos os dias que, em cinema, podemos descobrir alguém como Stacee Jaxx. Que é como quem diz: alguém que não seja a mera síntese de alguns efeitos especiais mais ou menos desumanizados, mas sim uma pessoa de carne e osso que nos prende a atenção (porventura a emoção) porque há nele algo de singular e irredutível. Dito de outro modo: para Stacey Jaxx existir há também um actor imenso chamado Tom Cruise.

Não vale a pena relançarmos a discussão ociosa sobre o facto de não ser possível banalizar o talento de alguém que já fez filmes como "A Cor do Dinheiro" (Martin Scorsese, 1986), "Jerry Maguire" (Cameron Crowe, 1996), "De Olhos Bem Fechados" (Stanley Kubrick, 1999), "Magnolia" (Paul T. Anderson, 1999) ou "Relatório Minoritário" (Steven Spielberg, 2002). E também não vale a pena gastarmos muito tempo com a avaliação do modo (vergonhoso!) como a imprensa "cor-se-rosa" trata frequentemente o actor e a sua vida privada. Acontece essa ironia amarga: mesmo o talento de Tom Cruise não basta para salvar um filme como "A Idade do Rock".

Que falta, então? Talvez um pouco menos de caricatura na abordagem do universo do rock onde floresceram Bon Jovi e Guns'n'Roses. Talvez um pouco mais de atenção às possíveis nuances dramáticas de outras personagens. Talvez menos caricatura e mais elaboração narrativa. Mas falta, acima de tudo, a própria tradição. Que é como quem diz: o sempre ansiado regresso ao musical é um desejo que se enreda numa teia talvez sem solução. Afinal de contas, a fábrica de efeitos especiais de Hollywood no século XXI já não sabe (re)fazer os musicais da Metro Goldwyn Mayer.

Digamos que Adam Shankman, o realizador, não deixa de expor aquele que é o seu principal talento: a coreografia dos números musicais. E reconheçamos que o aparato técnico do empreendimento não deixa de surpreender pela sua competência. Mas nada disso anula o essencial: o musical necessitaria de um know how (de espectáculo e narrativa) que parece ter passado à história. Como se, simbolicamente, Tom Cruise pertencesse a um tempo primitivo, maravilhoso e irrepetível, do cinema made in USA.

Crítica de João Lopes
publicado 00:19 - 19 julho '12

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