Estreia  

"Twilight" ou a juventude asséptica

A saga "Twilight" regressa com a primeira parte do último episódio. Infelizmente, as regras promocionais da "franchise" deram cabo de toda a energia criativa que marcava o primeiro filme de Catherine Hardwicke.

Twilight ou a juventude asséptica
Robert Pattinson e Kristen Stewart: nas malhas de uma "franchise" esgotada
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Trailer/Cartaz/Sinopse:
 Twilight ou a juventude asséptica
A Saga Twilight Amanhecer Parte 1 Contra todas as expectativas e depois de ultrapassadas várias traições e obstáculos à sua felicidade, chega finalmente o momento pelo qual Bella (Kristen Stewart) e Edward (Robert Pattinson) tanto lutaram: o dia do seu casamento. De lua-de-mel no Rio de Janeiro, entregam-se finalmente às suas paixões, mas a alegria dura pouco… Bella descobre que está grávida e, mais uma vez, não poderá celebrar ...

É difícil escapar aos valores da campanha montada em torno de "A Saga Twilight - Amanhecer Parte I". Não tanto porque uma campanha, seja ela qual for, não seja um dispositivo legítimo para dar a conhecer um filme. Mas porque qualquer campanha se define também pelos valores que transporta e promove.

E esta organizou-se, em grande parte, através da expectativa, quiçá do escândalo..., das "cenas de sexo" entre entre Edward (Robert Pattinson) e Bella (Kristen Stewart). Porque não? Em todo o caso, visto o filme, é interessante verificar que tudo se resume ao que, em boa verdade, já está por completo no trailer: uma figuração da sexualidade que, na melhor das hipóteses, concorre com as representações mais ou menos formatadas de muitos anúncios de perfumes ou desodorizantes.

E compreende-se porquê. Já não estamos exactamente perante um filme, mas sim face a um objecto (um produto, dizem os especialistas do marketing) cuja principal função é garantir as regras de uma franchise que perdeu por completo as suas relações com a origem (recordemos: o belo filme, "Crepúsculo", dirigido por Catherine Hardwicke em 2008).

Com mais ou menos reviravoltas de argumento, com mais ou menos diálogos banhados por uma desesperante pompa filosófica (?), o resultado resume-se, de novo, a uma lógica de marketing. Ou seja: preparar o lançamento da "Parte 2"... Tudo isto fazendo passar uma imagem da juventude (consumidora) que tem tanto de anedótico como de asséptico. Sugestão pedagógica: regressemos a "Esplendor na Relva".

Crítica de João Lopes
publicado 16:43 - 16 novembro '11

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