Um Natal em tom norueguês

Bent Hamer é, por certo, um dos poucos cineastas noruegueses a ter mais do que um filme estreado no nosso país: depois de "A Outra Vida do Sr. O'Horten", chega agora "Uma Casa para o Natal".

Um Natal em tom norueguês
"Um Casa para o Natal": personagens e histórias da Noruega
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 Um Natal em tom norueguês
Uma Casa Para o Natal Skogli, Noruega. O mundo inteiro celebra o Natal e esta pequena cidade não é exceção. Festejos à parte, a época é propícia a sentimentos antagónicos, que vão do desespero à esperança, da morte ao nascimento, da saudade aos reencontros. Uma sucessão de personagens que procuram apenas o que o Natal promete: ligações à família, aos amigos ou simplesmente a alguém que queira e possa corresponder e ...
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Cinema norueguês? É verdade. Temos tido alguns exemplos: "Tu que Vives", de Roy Andersson; "Norte", de Rune Denstad Langlo; "A Nova Vida do Sr. O'Horten", de Bent Hamer. Pois bem, este último está de volta e com um filme que prolonga o desencantado e irónico realismo do anterior: "Uma Casa para o Natal" é uma crónica sobre uma cidadezinha em que o espírito natalício nem se sempre se expressa da maneira mais transparente ou mais salutar...

Tal como "A Nova Vida do Sr. O'Horten", "Uma Casa para o Natal" vive, antes de tudo o mais, de um elaborado sentido de observação. Os cenários das casas, a definição das personagens, o sistema das suas relações, tudo nos fala de um sistema de vida em que a estabilidade do quotidiano nem sempre se traduz numa verdadeira serenidade interior das suas personagens. Daí que este seja, de uma só vez, um retrato social e um delicado exercício de psicologia.

Não será fácil dizermos se o trabalho de Bent Hamer representa, ou não, uma tendência específica da produção norueguesa (afinal de contas, faltam-nos mais elementos de comparação). Em todo o caso, podemos detectar aqui um labor alicerçado numa sólida contribuição dos actores. São, acima de tudo, actores capazes de definir de forma muito simples e directa a inserção social de uma personagem, mas evitando reduzi-la a um mero símbolo mais ou menos "sociológico".

Sem ser propriamente um acontecimento transcendente, "Uma Casa para o Natal" possui o enorme mérito de, no contexto português, nos chamar a atenção para a importância de mantermos uma relação tão aberta quanto possível com as pequenas cinematografias da Europa. Além do mais, quando a "crise" europeia serve para catalogar tudo e mais alguma coisa, já é tempo de olharmos um pouco à nossa volta.

Crítica de João Lopes
publicado 01:22 - 09 dezembro '11

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