Realismo e parábola filosóficaem tom norueguês
Uma boa surpresa vinda da Noruega

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Realismo e parábola filosófica
em tom norueguês

Subitamente, uma simpática revelação: "A Nova Vida do Sr. O'Horten" revaloriza as potencialidades do realismo social

Com o seu ar sereno, e também o seu emblemático cachimbo, o Sr. O'Horten, respeitado condutor de comboios, é uma personagem que suscita uma crónica social mais ou menos lírica — a sua existência é um modelo de estabilidade e harmonia. "A Nova Vida do Sr. O'Horten" é um filme sobre o súbito abalo da pacatez desse quadro: O'Horten atinge os 67 anos de idade e a reforma é um dado novo na sua existência.

Poderíamos estar perante uma visão mais ou menos paternalista e "telenovelesca" dos prós & contras do envelhecimento. Mas não: o filme escrito e realizado por Bent Hamer é um bom exemplo de como é possível conciliar a metódica observação realista da vida quotidiana com uma discreta e subtil dimensão de parábola filosófica.

Além do mais, não é todos os dias que podemos descobrir nas salas portuguesas um título proveniente de um país como a Noruega. De facto, mais do que nunca, importa voltar a recordar que a pluralidade da oferta é um valor nuclear da vitalidade de qualquer mercado — não esquecendo que essa vitalidade é sempre, em simultâneo, comercial & cultural.



A NOVA VIDA DO SENHOR O'HORTON


De
Bent Hamer
com Baard Owe, Espen Skjonberg, Ghita Norby Comédia, Drama
90m
M/12
ALE, FRA, NOR
2007

                   
 > Ouça a crítica de João lopes




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