Crítica: "Último Round - The Fighter"  

Um retrato realista do boxe

David O. Russell, realizador de "Três Reis" (sobre a guerra do Afeganistão), filma agora o boxe: o tom é de um intenso realismo

Um retrato realista do boxe
Mark Wahlberg e Christian Bale: revalorizando o papel insubstituível dos actores
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 Um retrato realista do boxe
The Fighter – Último Round Dicky Ecklund é uma antiga lenda do pugilismo que desperdiçou os seus talentos e deitou fora a sua oportunidade. Micky Ward, o seu meio-irmão, é um pugilista batalhador que viveu toda a vida na sombra do irmão. Dois irmãos muito próximos treinam para um histórico combate... O título pode significar a união da família e ganhar o orgulho perdido.
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Crítica "The Fighter - Último Round"
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Um retrato realista do boxe
"The Fighter - Último Round" de David O. Russell Entrevistas de Bárbara Oliveira Pinto com Mark Wahlberg, Christian Bale e o realizador David O.Russel.

Mark Wahlberg e Christian Bale são daqueles actores que, independentemente das coisas menos boas que têm feito, nunca cristalizaram num modelo único de personagem. Bem pelo contrário, se lhes reconhecemos um invulgar talento, isso decorre da sua capacidade para trabalhar para além dos clichés, por vezes reinventando mesmo personagens que parecem condenadas ao cliché.

É algo desse género que acontece em "The Fighter / O Último Round". Que é como quem diz: na sua representação de dois irmãos dramaticamente unidos pela paixão do boxe, eles conseguem emprestar uma emoção contagiante a uma história que, afinal de contas, retoma o tema clássico da redenção através do desporto. Para um (Wahlberg), campeão eternamente falhado, trata-se de afirmar, finalmente, o seu valor; para o outro (Bale), treinar o irmão é, de uma só vez, rever-se nele e superar a sua dependência das drogas.

Realizado por David O. Russell ("Três Reis"), este é, afinal, um filme que possui uma dimensão fortemente realista que o demarca de algumas referências lendárias do género, incluindo "Rocky" (1976), mais simbólico, e "Touro Enraivecido" (1980), visceralmente bíblico. É mesmo curioso referir que há, no actual cinema americano, sinais dispersos de uma enérgica vontade de realismo. Para nos ficarmos pelos principais nomeados para os Oscars, lembremos também o magnífico "Despojos de Inverno/Winter's Bone" (a estrear no dia 17).

Dir-se-ia que a saturação e, sobretudo, as rotinas de muitas produções alicerçadas apenas na proliferação de "efeitos especiais" gerou essa vontade. Com um corolário assaz significativo: são as interpretações que saem (re)valorizadas. Além do mais, nesse aspecto, "O Último Round" tudo sacrifica ao trabalho dos seus actores e actrizes, incluindo ainda as magníficas Melissa Leo e Amy Adams.

Crítica de João Lopes actualizado às 15:49 - 11 fevereiro '11
publicado 00:37 - 10 fevereiro '11

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