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Uma comédia à moda antiga

O cineasta de "Os Amigos de Alex" está de volta com uma comédia familiar que não tem medo de afirmar o seu sereno classicismo: chama-se "Fiel Companheiro" e tem um elenco de luxo, incluindo Diane Keaton e Kevin Kline.

Uma comédia à moda antiga
Diane Keaton, na companhia de Casey: à procura do cinema clássico americano
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 Uma comédia à moda antiga
Fiel Companheiro "Fiel Companheiro" é a história de Joseph e Beth, um cirurgião e a sua mulher, que estão casados há muitos anos e tem duas filhas adultas, Grace e Ellie. Num dia de inverno em Denver, Beth e Grace salvam um cão perdido e mal tratado da beira da estrada. Beth, que vive numa luta contra a solidão e com um marido distraído e egocêntrico, acaba por criar uma ligação muito especial com o animal ...

Não deixa de ser desconcertante, mas é um facto: Lawrence Kasdan, autor de sucessos como "Os Amigos de Alex" (1983) ou "Silverado" (1985), como argumentista ligado às sagas de 'Indiana Jones' e 'Star Wars', é hoje em dia um cineasta relativamente marginal. Exemplo claro disso mesmo é o seu novo filme, "Fiel Companheiro" (título original: "Darling Companion"), uma comédia familiar serenamente à moda antiga.

Convém sublinhar que a "marginalidade" de Kasdan nada tem a ver com qualquer miserabilismo, seja de que natureza for. É certo que "Fiel Companheiro" foi produzido em regime independente, pela sua própria companhia (Kasdan Pictures), mas contando com um elenco absolutamente de luxo, incluindo Diane Keaton, Kevin Kline, Sam Shepard, Elizabeth Moss (da série "Mad Men") e Dianne Wiest.

Aliás, a questão dos actores é, aqui, determinante. Fiel a um dispositivo clássico de abordagem dos espaços familiares, Kasdan é um cineasta que continua a investir na subtil caracterização psicológica das personagens, logo nas singularidades dos seus actores (e actrizes!).

A história de um cão (Casey de seu nome verídico), adoptado por um casal, vai-se transfigurando num paciente exercício de análise de determinados laços humanos, tendo sempre uma interrogação eminentemente presente: afinal, que laços construímos com os outros (incluindo os animais)?

Acima de tudo, Kasdan vem mostrar que é possível reagir à desumanização emocional e narrativa de alguns produtos contemporâneos que, mesmo com grandes meios (ou por causa desses meios...), reduzem o cinema a um banal processo de ostentação tecnológica. "Fiel Companheiro" é um filme cuja desarmante simplicidade (?) nos remete para os valores perenes da nobreza clássica de Hollywood.

Crítica de João Lopes
publicado 23:11 - 22 julho '12

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