Estreia  

Uma comédia sexual... "ma non troppo"

Um filme que assenta, antes de tudo o mais, no talento dos actores: "Terapia a Dois" é a prova real de que é possível renovar as delícias da mais tradicional comédia familiar.

Uma comédia sexual... ma non troppo
Meryl Streep e Tommy Lee Jones: à maneira das mais "primitivas" comédias familiares
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 Uma comédia sexual... ma non troppo
Terapia a Dois Kay (Meryl Streep) e Arnold (Tommy Lee Jones) são um casal devotado, mas décadas de casamento levaram Kay a desejar apimentar a relação, de forma a chegar mais perto do seu marido. Quando ele descobre a existência de um celebrado especialista de casais (Steve Carell) na pequena cidade de Great Hope Springs, tenta persuadir o seu céptico esposo, um homem habituado às rotinas, a meter-se num ...

De vez em quando, é bom encontramos personagens que não tenham sido fabricadas pelos génios dos efeitos virtuais... isto é, actores! De vez em quando, sabe bem seguir uma história que não tenha por cenário um planeta que, daqui a 3 milhões de anos, vai chocar com a Terra... isto é, vida vivida, aqui e agora!

"Terapia a Dois" (título original: "Hope Springs") é um desses filmes que, inconfundivelmente, se refere a uma existência muito do nosso presente. E que, se outras virtudes não tivesse, consegue apresentar-nos um trio de actores tão subtis quanto discretos na sua arte de estar em frenta a uma câmara: Meryl Streep, Tommy Lee Jones e Steve Carrell.

Talvez de modo inevitável, Streep e Jones suscitam imediato destaque: eles são um casal de meia idade que tenta resolver os seus problemas... sexuais. E não só! Porque eles são também os primeiros a reconhecer que a sua comunicação não anda bem. Daí a importância que assume a figura do conselheiro matrimonial, magnificamente interpretado por Carrell (por assim dizer, fugindo ao seu estereótipo cómico).

Sob a direcção de David Frankel (que já trabalhara com Streep em "O Diabo Veste Prada"), "Terapia a Dois" resulta uma prova eloquente de algo muito simples, simplesmente não desprezável: os modelos mais "primitivos" do cinema clássico, a começar pela comédia familiar, continuam disponíveis. Mais do que isso: para além da facilidade com que se reduz o cinema, as suas histórias e a sua mitologia à "juventude", importa reconhecer que as personagens mais velhas (e os actores veteranos!) não merecem ser esquecidas.

Crítica de João Lopes
publicado 01:09 - 08 setembro '12

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