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Uma criança de apelido Frankenstein

Será possível voltar a contar o mito de Frankenstein, agora com bonequinhos animados, em 3D e... a preto e branco? A resposta é afirmativa e dá pelo título de "Frankenweenie". O autor de tão bela proeza só poderia ser Tim Burton.

Uma criança de apelido Frankenstein
Victor e o seu querido Sparky: "Frankenstein" revisto por Tim Burton
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 Uma criança de apelido Frankenstein
Frankenweenie Do génio criativo Tim Burton (“Alice no País das Maravilhas”, “O Estranho Mundo de Jack”) chega-nos “Frankenweenie,” um conto encantador sobre um menino e o seu cão. Depois de perder inesperadamente o seu cão Sparky, o jovem Victor recorre aos poderes da ciência para trazer o seu melhor amigo de volta à vida – com uns pequenos ajustes. Ele tenta esconder a sua criação pessoal, mas quando Sparky ...
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A posição de Tim Burton no actual cinema americano envolve uma independência criativa que, num certo sentido, faz lembrar a saga de Alfred Hitchcock (1899-1980) em Hollywood. De facto, tal como o autor de "Janela Indiscreta" e "Psico", também Burton se foi impondo através de uma singularidade (temática e formal) que, paradoxalmente, nunca o distanciou do sistema dos grandes estúdios.

O caso do novo "Frankenweenie" é tanto mais significativo quanto, de facto, remete para aquele que terá sido o maior incidente profissional da carreira de Burton: foi com a sua curta-metragem homónima (realizada em 1984) que o cineasta entrou em conflito com o estúdio produtor, Disney, acabando por ser despedido... Agora, retomando ponto por ponto a sua curta, assina a longa "Frankenweenie" com chancela da... Disney!

A história do rapazinho, Victor, que aplica os seus conhecimentos científicos para devolver à vida o seu bem amado cãozinho, de nome Sparky, é uma assumida variação sobre o mito de Frankenstein (aliás, o apelido de Victor é Frankenstein). E é-o de forma tanto mais desconcertante e fascinante quanto Burton intensifica a sua dimensão de desconcertante parábola: Victor e Sparky representam, afinal, um desafio às normas sociais e, muito em particular, aos modos correntes de lidar com a morte.

O filme constitui um objecto tanto mais invulgar quanto, para além de ser fabricado com bonecos animados, filmados imagem a imagem (stop motion), em 3D, se apresenta fotografado a preto e branco. Na verdade, com a generalização das imagens a cores (na prática, iniciada há várias décadas através da generalização dos televisores a cores), o preto e branco tornou-se uma opção cada vez mais rara, na prática só acessível a realizadores com poder suficiente para impor as suas escolhas menos ortodoxas. Pormenor não secundário: Burton conta com a colaboração do talentoso director de fotografia alemão que é Peter Sorg.

Crítica de João Lopes actualizado às 15:40 - 26 outubro '12
publicado 01:35 - 20 outubro '12

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