CARLOS, de Olivier Assayas  

Uma mini-série que é um objecto de cinema

Foi uma mini-série televisiva e, agora, é também um filme para ver nas salas escuras: "Carlos", de Olivier Assayas, faz o retrato de um símbolo do terrorismo internacional.

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Edgar Ramirez na personagem de "Carlos, o Chacal": marcas de um notável actor
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Critica "Carlos"

A extraordinária composição de Edgar Ramirez na personagem de "Carlos, o Chacal", figura dominadora do terrorismo internacional nos anos 70/80, diz bem daquilo que está em jogo no filme "Carlos", de Olivier Assayas. Ou seja: a possibilidade de encontrar um registo de encenação enraizado na televisão, mas cuja lógica escape, ponto por ponto, a qualquer formatação humana ou narrativa.

A questão não é meramente formal. E tornou-se especialmente evidente quando "Carlos" (então apenas uma mini-série televisiva com mais de 5 horas) passou no Festival de Cannes de 2010. Aqui está um objecto que, embora gerado no espaço específico da produção para o pequeno ecrã, possui componentes e qualidades que lhe conferem a dimensão de um curioso objecto híbrido.

Que aconteceu, então? Na prática, a mini-série foi condensada para um pouco mais de 2 horas, precisamente a versão que, agora, está disponível nas salas portuguesas. Poderemos considerar que, por vezes, isso implica uma "aceleração" de informações que limita o impacto emocional do filme. Sem dúvida. Em todo o caso fica um sentido de mise en scène que, apetece dizer, transcende a dimensão de qualquer ecrã.

Acima de tudo, Assayas consegue fixar-se obsessivamente no retrato da figura de Carlos sem perder a complexidade da teia ideológica e política que enquadra as suas acções. E não deixa de ser importante assinalar que um cineasta mais ligado à tradição melodramática (lembremos o seu último filme estreado entre nós: "Tempos de Verão") consiga, aqui, exprimir-se num registo algures entre o thriller realista e a parábola política.

Crítica de João Lopes
publicado 10:26 - 03 junho '11

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