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Uma parábola metafísica

Desta vez num inesperado registo de ficção científica, Alexander Payne conta a história de um mundo em que é possível reduzir drasticamente o tamanho dos seres humanos: "Pequena Grande Vida" é um pequeno filme com uma grande ideia.

Uma parábola metafísica
No universo de "Pequena Grande Vida": uma nova dimensão humana
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 Uma parábola metafísica
Pequena Grande Vida “Pequena Grande Vida” mostra o que aconteceria se, como solução para o excesso de população no planeta, os cientistas noruegueses descobrissem como encolher humanos até 13 centímetros, de forma a proporcionar uma transição global de grande para pequeno, em 200 anos. Rapidamente as pessoas percebem a riqueza financeira e a promessa de uma vida melhor do mundo em miniatura; e é assim que Paul ...

É sempre penoso observar como uma grande ideia para um filme pode ser ingloriamente esbanjada... Assim acontece em "Pequena Grande Vida" (título original: "Downsizing"), dir-se-ia, por um paradoxo inerente à sua história, uma grande ideia contada em ponto pequeno.

Podemos resumi-la assim: num futuro mais ou menos próximo, mais ou menos indefinido, um cientista norueguês inventa um processo de redução dos seres humanos (para uma altura média de 12 cm); mais do que uma proeza de laboratório, o processo é tratado como uma verdadeira revolução ecológica — com a humanidade em ponto pequeno, o volume de lixo e matérias tóxicas diminuirá drasticamente, contribuindo para um melhor ambiente...

O realizador Alexander Payne, arrisca, assim, num registo de parábola metafísica bem diferente dos seus títulos mais emblemáticos (lembremos "Os Descendentes" e "Nebraska", respectivamente de 2011 e 2013). Com Matt Damon e Kristen Wiig a interpretar um casal que decide "converter-se" à nova pequenez, o filme evolui da ficção científica mais ou menos irónica para uma dimensão demonstrativa, algo moralizante, que acaba por anular as potencialidades do ponto de partida.

Em qualquer caso, registe-se um aspecto tantas vezes esquecido face à multiplicação de filmes com naves a rugir e arranha-céus a cair... De facto, "Pequena Grande Vida" representa um significativo invesimento no domínio dos efeitos especiais, obviamente essenciais para fazer coexistir os diferentes tamanhos das personagens — infelizmente, o sugestivo visual da primeira parte do filme vai dando lugar a um conceito de "épico" que nunca encontra a linguagem adequada.

Esperava-se até que as suas peculiaridades de encenação pudessem conduzir o filme a algumas nomeações para os Oscars. De facto, assim não aconteceu, ficando "Pequena Grande Vida" confinado a um dramático limbo mediático e comercial — acontece aos melhores...

Crítica de João Lopes
publicado 14:17 - 21 fevereiro '18

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