Crítica: "O Discurso do Rei"  

Uma saga da realeza britânica

A história simples de um monarca e do seu terapeuta da fala numa época conturbada da história mundial.

Uma saga da realeza britânica
George VI enfrentando a mulitidão: será que supera a sua limitação?
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 Uma saga da realeza britânica
O Discurso do Rei A vida do Rei Jorge VI de Inglaterra e as dificuldades que enfrentou para contrariar a gaguez que o impedia de falar à nação.
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Antevisão: "O Discurso do Rei" comentado por uma terapeuta da fala

Existe um lado contraditório na personagem central de "O Discurso do Rei" , e particularmente interessante, quando abordamos a condição do rei George VI, de Inglaterra. Estamos perante um monarca que em condições muito excepcionais chega ao trono, durante a ascensão de Hitler na Europa, convive com o problema da gaguez e precisa bastante da sua voz para o chamamento das massas, num momento em que a rádio florescia como o meio de excelência para comunicar mensagens relevantes ao povo.

Este é o contexto de "O Discurso do Rei", o filme de Tom Hooper que conquistou 12 nomeações para os Oscars. É fácil afirmar que com uma direcção magistral de actores com o talento de Colin Firth, Geoffrey Rush e Helena Bonhan Carter, isso facilita a prossecução do objectivo de contar uma história tão absolutamente extraordinária, quanto verdadeira.

Claro que a relação do rei George VI (Colin Firth) com o seu falso terapeuta da fala (Geoffrey Rush) é em si mesma digna de um conto de fadas. Porque aqui a receita do pretenso "charlatão" funcionou na perfeição.

Num dos momentos finais do filme o terapeuta age como se fosse um director de orquestra, quando face a face com o monarca, em frente a um microfone, num directo radiofónico para todo o país, o incita gestualmente a projectar as palavras de um discurso escrito, na cadência correcta para se tornarem elas próprias dignas e motivadoras para um povo que sofria os bombardeamentos da aviação alemã, em plena II Grande Guerra Mundial.

Mas também é bom dizer-se que nos interstícios, o argumento de "O Discurso do Rei" é tão bem estruturado que nos permite desenvolver uma noção clara do contexto em que a Europa vivia nos anos 30 do século passado. E a forma como a realeza e o poder politico alicerçavam as suas relações.

"O Discurso do Rei" pode partir de uma história simples que segue o percurso de dois homens com destinos opostos que aparentemente nunca teriam a oportunidade de se cruzar. Mas o resultado final do filme revela uma ambição bastante maior, amplamente conseguida: o de ser um retrato fiel de uma época conturbada da história mundial.

Crítica de José Paulo Alcobia actualizado às 16:43 - 11 fevereiro '11
publicado 23:04 - 27 janeiro '11

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