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Uma tragédia chilena

"Post Mortem" propõe uma revisitação do Chile no momento da queda do governo democrático de Salvador Allende: para o realizador Pablo Larraín, trata-se de prolongar a reflexão sobre a história do seu país.

Uma tragédia chilena
Alfredo Castro como protagonista de "Post Mortem": entre o horror e o medo
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 Uma tragédia chilena
Post Mortem Santiago, 1973. Mario Cornejo trabalha na morgue, dactilografando os relatórios das autópsias efectuadas pelos médicos legistas. Durante os dias do golpe de estado militar, Mario envolve-se com uma dançarina do cabaré Bim Bam Bum. “Voltar ao passado. Reconstruir a cena. Viver outra vez aquilo que já foi vivido. Repensar aquilo que já foi pensado. Recordar. Amar. Perder.”
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Critica "Post Mortem"

Conhecemos o chileno Pablo Larraín através de "Tony Manero" (2008), um filme centrado na personagem de um homem obcecado pela duplicação da personagem de John Travolta (Tony Manero) em "Febre de Sábado à Noite" (1978); situado em 1979, nele se propunha uma visão subtil e perturbante dos tempos da ditadura de Augusto Pinochet.

Agora, através de "Post Mortem", Larraín prolonga a sua inventariação dos traumas da história moderna do Chile, mais uma vez escolhendo uma personagem "marginal" para a história que nos conta: é ele Mario, um empregado da morgue da cidade de Santiago. A acção recua, desta vez, aos dias (Setembro 1973) da queda do governo democrático de Salvador Allende, com Mario a ter de lidar com os cadáveres que vão chegando.

O registo de Larraín envolve um calculado equilíbrio entre elementos históricos e factores dramáticos: por um lado, somos confrontados com uma época tão complexa quanto atribulada que, para além do mais, deixou marcas profundas na história da democracia no continente sul-americano; por outro lado, a colagem a personagens esquecidas como Mario confere a "Post Mortem" a dimensão de uma radical tragédia humana.

As emoções mais fortes do cinema de Larraín passam sempre por um cuidado trabalho com os actores. Daí que seja inevitável destacar a composição de Alfredo Castro na personagem de Mario (ele que era também o intérprete principal de "Tony Manero"). Figura marcante do teatro chileno, como actor e encenador, Castro consegue colocar em cena uma terrível duplicidade: a que se estabelece entre a descoberta do horror e o medo mais radical.

Crítica de João Lopes actualizado às 14:10 - 25 setembro '11
publicado 13:19 - 25 setembro '11

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