Os Oscars nem sempre são sinónimo de maiores receitas de bilheteira. Olhando para os números dos últimos anos, podemos ver que só alguns filmes beneficiaram com toda a exposição que os prémios da academia proporcionam.
A pergunta do título é mais uma provocação do que uma questão real. É duvidoso que algum dos nomeados venha a afirmar alguma vez que isto dos prémios da Academia é uma chatice que não serve para nada.
No entanto, permitam que vos apresente uma teoria que vai contra o que normalmente se pensa acerca dos
Oscars.
Sugiro que olhemos
para os resultados de uma série de filmes que estiveram na corrida à estatueta e que analisemos se é verdade que as nomeações e os prémios da Academia significam mais
dinheiro no Box Office.
A resposta é
semelhante a tantas outras nesta área: sim e não. Depende.
Depende da
altura do ano em que o filme é lançado. À medida que as janelas de estreia
foram encolhendo, os filmes passaram a dar a volta aos ecrãs em todo o mundo em
muito menos tempo.
Porque todo
o sistema ficou mais ágil e para evitar a pirataria, a passagem do cinema para
o DVD e derivados é agora muito mais rápida.
Ou seja, um
filme estreado a meio do ano, quando chega aos Oscars já pouco tem a
ganhar com nomeações e prémios.
Este ano o melhor exemplo é "O
Cavaleiro das Trevas". Foi nomeado em oito categorias mas pouco ou nada lhe valerá no box
office pois estreou em Julho do ano passado.
Quanto muito,
este novo interesse que cerca o filme servirá para aumentar as vendas noutros canais como o home entertainment ou a
televisão.
Será sem dúvida
uma fonte de prestígio para realizador e actores - que poderão cobrar mais em
projectos futuros - mas em
termos de receitas de bilheteira o que havia a ganhar já entrou na altura da
estreia em Julho de 2008.
Vamos ver outros exemplos.
O vencedor
do ano passado, "Este País Não é Para Velhos" estreou no início de Novembro.
Fez 66% das
receitas nos Estados Unidos antes do anúncio das nomeações. 21% entre as
nomeações e a cerimónia, e apenas 13,5% após ter ganho o Oscar para melhor
filme.
Na entrega de
prémios que teve lugar em finais de Fevereiro de 2007, o escolhido como melhor
filme foi "The Departed - Entre Inimigos". Um filme que estreou quatro meses
antes e fez 92% das receitas no mercado doméstico antes do anuncio dos
nomeados.
Apesar de
todos estes argumentos, que de alguma forma retiram valor financeiro aos Oscars,
existem casos em que o benefício é real.
Para
obter o maior retorno possível dos prémios da Academia são necessários dois
factores: estrear o mais tarde possível e obter um número significativo de
nomeações.
Só assim se
consegue destaque suficiente na imprensa mundial que permita impactar o consumidor
de cinema de modo eficaz.
Eis dois
bons exemplos de como funciona esta receita milagrosa:
"Haverá
Sangue" estreou a 26 de Dezembro e teve oito nomeações. "Million Dollar Baby"
também foi lançado no último mês do ano e foi nomeado em sete categorias.
Ambos
obtiveram a maior parte das receitas de box office no período entre o anúncio
dos nomeados e a cerimónia.
"Haverá
Sangue" somou 78% de receitas após a saída das nomeações e "Million Dollar
Baby" fez ainda melhor, com mais de 90% dos bilhetes vendidos nesse mesmo
período.
Regressando à colheita
de Oscarizáveis deste ano, logo à partida existem duas estreias de Verão que
pouco têm a ganhar: "Wall-E" e o já
citado "O Cavaleiro das Trevas".
Na situação
oposta, tanto "O Estranho Caso de Benjamin Button" como "Quem Quer Ser
Bilionário" têm aproveitado da melhor maneira esta onda de interesse à sua
volta. No caso do filme de David Boyle, o buzz é criado a partir de uma acumulação de prémios que tem um fluxo contínuo de referências nos media.
Quanto aos
restantes pouco se fala: "Milk", "Dúvida", "Frost/Nixon" e "O Leitor" não
escapam à mediania em termos de resultados de bilheteira.
Versão restaurada de "Lawrence da Arábia"
O clássico de David Lean ganhou sete Oscars da academia norte-americana, entre eles, o de melhor filme e melhor realizador.