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Nasceu em 1628 em Torre de Tavares, mas cedo emigrou para a Ásia. Foi missionário, viajante e, sobretudo, tradutor. Foi essa actividade que fez dele um dos mais importantes divulgadores da língua portuguesa: a sua tradução da Bíblia tornou-se a obra mais publicada e conhecida de sempre em português, com mais de mil edições e um número superior a 100 milhões de livros vendidos. Antes dele, a Igreja contentava-se com a Bíblia em latim. É certo que havia partes traduzidas: D. Dinis dedicou-se aos primeiros capítulos do Génesis e o rei D. João I optou por traduzir os Salmos, ordenando a tradução do texto completo, objectivo que não foi atingido. Um dos poucos textos bíblicos publicados em português no período humanista foi a tradução, no século XVI, do Eclesiastes, por Damião de Góis, apesar de a Inquisição ter imposto um véu de silêncio a esse trabalho, que só João Ferreira Annes de Almeida viria a romper. Foi uma empreitada longa, iniciada em 1644, com 16 anos, mas seria o projecto da sua vida. Depois de uma formação católica, optou pelo protestantismo, facto que lhe valeu alguma incompreensão e crítica por parte de vários padres católicos. Traduziu a quase totalidade da Bíblia antes de morrer, em 1691, com 63 anos, cumprindo o seu sonho: tornar a Bíblia conhecida de todos aqueles que falam português.
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