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A Jogada

Joaquim Rita

2009-09-16 13:30:04

A coragem de não ter medo

A coragem de não ter medo
EPAAnelka, do Chelsea e Freddy Guarin, do FCP Na Liga dos Campeões, os «prémios de consolação» diluem-se na frustração dos euros por arrecadar. Na competição de elite do futebol europeu há um compromisso quase sagrado entre a componente desportiva e a financeira, num envolvente caminhar entrelaçado por entre obstáculos de diversa natureza que vão surgindo, como se ali colocados maliciosa e sorrateiramente para identificar a real dimensão das equipas. É na «Champions» que se vê a verdadeira cara das equipas, bastas vezes travestidas na sua própria valia por força da fragilidade competitiva dos seus Campeonatos domésticos.
Sem entrar nas miudezas do Chelsea- F.C. Porto, do confronto de «Stamford Bridge» ressaltaram dois atributos portistas: a personalidade que o levou a tratar o adversário por tu, e a coragem de se revoltar nos largos minutos finais, durante os quais encaixotou o opositor no meio campo londrino, fazendo-o sofrer desalmadamente de modo a segurar a vantagem conseguida por Anelka (portentosa execução no remate, infelizmente vitorioso).

O bom desempenho portista não pode, no entanto, maquilhar duas realidades. Estas:

                  - a maior capacidade do Chelsea, expressa, sobretudo, na segunda metade da primeira parte;

                  - a maior diversidade londrina de jogadores capazes de decidir o jogo, de Lampard a Anelka, de Ballack a Malouda.

Terá sido a serena consciencialização do poderio contrário que levou Jesualdo Ferreira a adoptar uma estratégia mais prudente, ao chamar Guarin para apoiar Fernando no preenchimento do espaço central do meio campo, o que levou a que o F.C. Porto balanceasse entre o 4.2.3.1 quando não dispunha da bola e o 4.3.3 logo que se projectava para o ataque. Como lhe competia, depois de sofrer o golo inglês, Jesualdo Ferreira foi promovendo alterações de incidência atacante na procura do golo. E foi aí, nessa assunção de risco, que o F.C. Porto mostrou o seu ADN competitivo, capaz do seguinte:

                - roubar ao adversário o comando do jogo, obrigando-o mesmo a trocar um avançado (Kalou) por um defesa (Beletti) que foi jogar no meio campo - o sentido das substituições londrinas foi o inverso das operadas pelos portistas;

                - deslocar o «teatro de operações» para a proximidade da grande área de Petr Cech, num tu-cá-tu-lá de inegável atrevimento.

Talvez a pesada derrota (4-0) sofrida na época passada, contra o Arsenal, também na fase de Grupos, tenha servido de sebenta para a forma como o F.C. Porto olhou ontem o Chelsea. Na «Champions» o medo é o primeiro passo para o fracasso porque a experiência e qualidade dos jogadores adversários rapidamente o detectam. Se é certo que o F.C. Porto saiu de mãos vazias de «Stamford Bridge», por outro lado acabou por receber uma prenda com proveniência do «Vicente Calderon», onde o presunçoso Atlético de Madrid empatou com o ingénuo Apoel. Afinal, nem tudo foi mau para os portistas no arranque da Liga dos Campeões.

           



por : Joaquim Rita
Tags : FC Porto,Liga dos Campeões

JOAQUIM RITA
Perfil biográfico:
- Iniciou a carreira de jornalista em 1968, no jornal «A BOLA», onde foi colaborador, redactor e chefe de Redacção.
- Director de «A Bola Magazine»
- Director -adjunto de «O JOGO»
- Comentador de futebol na SPORTtV
- Comentador de futebol na RDP (Antena 1)
- Jornalista português que vota para a eleição da «Bola de Ouro da revista «France Football»


Presenças em grandes competições de futebol:
- Campeonatos do Mundo de 1990, 1994, 1998 e 2006
- Campeonatos da Europa de 1984, 1988, 1992, 2000 e 2004
- Finais da Taça (Liga) dos Campeões de 1991, 1993, 1997
- Final da Taça UEFA de 1987
- Final da Taça das Taças de 1992
- Fase final da Taça das Nações Africanas de 1992

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