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Cada vez que escolhe novo patrão, José Mourinho deixa-se envolver por estranha controvérsia, ficando por saber se o «Special One» é vítima das circunstâncias ou se, cirurgicamente, é ele quem programa a discussão, alimenta as dúvidas e ateia a especulação.
O seu anunciado iminente ingresso no Inter não foge à sina que o persegue e, depois de ter sido noticiado que se deslocara a Itália para se encontrar com Massimo Moratti, surgiu, horas depois, um pouco convincente comunicado do técnico a desmentir esse encontro, acentuando mesmo que José Mourinho não conhece pessoalmente o presidente do Inter de Milão.
Face ao estatuto que justamente dispõe no futebol mundial, parece fácil concluir-se o seguinte:
- a exemplo do que sucedera quando ingressou no Chelsea, as negociações foram conduzidas pelo seu representante, Jorge Mendes;
- não é imaginável que José Mourinho se deslocasse aonde quer que seja se as bases do acordo não estivessem perfeitamente definitivadas;
- a sua presença, onde quer que tenha sido, terá tido como objectivo a abordagem de questões de natureza técnica - perfil de jogadores (a adquirir e a dispensar), definição de mecanismos de actuação, composição de equipas técnica e médicas, etc.
Independentemente do(s) interlocutor(es) italianos, só assim faz sentido que José Mourinho tenha prescindido de um delicioso salmonete grelhado na sua cidade à beira Sado para se deslocar ao encontro de alguém. E menos imaginável seria pensar que as negociações borregaram à ultima hora quando o desbaste e lapidação das cláusulas contratuais foram asseguradas por Jorge Mendes.
Sendo assim, como explicar o aparecimento do comunicado assinado por José Mourinho? Cremos que a razão do mesmo radica no desempenho cambaleante que o Inter está a ter no Campeonato - embora caminhe na liderança com quatro pontos de vantagem da Roma -, depois de ter sido afastado da Liga dos Campeões. Nesta conjuntura, para os dirigentes italianos, a oficialização do acordo com José Mourinho poderia provocar dois efeitos:
- desestabilização da equipa; intranquilidade nos jogadores e agitação nos adeptos;
- oferecimento ao treinador Mancini de uma desculpa dourada para a eventualidade de o título lhe escapar.
Antes de entrar em São Siro criar condições para Mancini sair como mártir é, seguramente, o que José Mourinho não deseja. ...A menos que Jorge Mendes tenha trabalhado mal - o que é altamente improvável. E no próprio comunicado do treinador, este nunca se afasta do Inter, apenas retoca aspectos temporais e pessoais, o que parece irrelevante na grandeza da operação.
Presenças em grandes competições de futebol:
- Campeonatos do Mundo de 1990, 1994, 1998 e 2006
- Campeonatos da Europa de 1984, 1988, 1992, 2000 e 2004
- Finais da Taça (Liga) dos Campeões de 1991, 1993, 1997
- Final da Taça UEFA de 1987
- Final da Taça das Taças de 1992
- Fase final da Taça das Nações Africanas de 1992