Sábado, 18 de Maio de 2013
Pesquisa na RTP Açores - Informação e Desporto

Comunidades

Irene Maria F. Blayer, Lélia Pereira Nunes

2012-08-10 21:58:48

Mensalão: Brasil só aceita Medalha de Ouro --- ANNA RAMALHO

Mensalão: Brasil só aceita Medalha de Ouro ---ANNA RAMALHO

Deve ser defeito de fábrica, mas, francamente, não me ligo fanaticamente aos esportes, como a maioria dos brasileiros. Torço pelo Fluzão desde sempre – e herdei o clube de família, não foi uma opção – visto a camisa verde-amarela nas Copas do Mundo sem entender até hoje o que é um impedimento, assisto um ou outro jogo de vôlei, mas confesso que não tô nem aí para o remo, mal sei o que é handebol e acabei rindo com a desclassificação no tiro ao alvo. Tiro ao alvo? Temos todos os dias com a nossa polícia e com a bandidagem que, muitas vezes, erra o alvo e atinge inocentes.

Para atiçar ainda mais a implicância, tenho que entubar os anunciados Jogos Olímpicos de 2016 e já vi e li muita trampolinagem envolvendo os cartolas daqui e d’ailleurs. Nem quero imaginar o que há por debaixo desses panos. Abafa!!! Alguém conhece cartola pobre? Abafa!!!!
Vai daí, pairo qual uma imbecil quando topo com pessoas debatendo o desempenho do Phelps, a desclassificação dos nossos irmãos Hyppolito, os brilharecos do Cielo na piscina olímpica. É coisa que não me mobiliza, mas, creiam, torço para que o Brasil faça bonito. Nessas horas, sempre me baixa o espírito olímpico, podem crer. Apesar dos cartolas.

***

Em compensação, estou atenta e forte para o jogo que se joga agora no Planalto Central. Tremo de medo de sentir no ar o cheiro da muzzarela assando, molho de tomate e massa por baixo, orégano por cima. Pizza. Sabor Zé Dirceu, Delúbio, Valério, Duda Mendonça. Qualquer sabor de pizza é possível quando o pizzaiolo é o criminalista e ex-ministro Márcio Thomaz Bastos. Salta aí uma calabresa com cebola!!!! Escrevo na quinta-feira, dia do início dos trabalhos, e leio na rede que Lula da Silva já avisou que não vai assistir ao julgamento. Não me espanta. Ele já não disse que tudo é armação? Sarney ( sempre ele!!!) sobe em cima do muro - ele que até hoje, sabe lá Deus como, eterniza-se no poder, sem sustos ou cortes especiais, apesar dos malfeitos da família.

Percebo nas redes sociais o mesmo temor que eu sinto. Como podemos acreditar numa corte – a mais alta do país – em que praticamente todos os membros foram nomeados por Lula? Façam o que fizerem, até o fim de seus dias, perceberão aqueles salários altíssimos e gozarão das regalias – e liturgias – do importante cargo. O jovem Dias Toffoli não me deixa mentir. Até renegar a mulher ele renegou pra marcar uma presença tão discutida em plenário. A mulher foi rebaixada a namorada, quase ficante. É muita pouca vergonha!

Estou muito preocupada com o desenrolar dessa novela de muitos e emocionantes capítulos. Mais do que nunca espero que Deus seja mesmo brasileiro. A essa altura do campenato, só mesmo a intercessão divina para termos o prazer de ver a turma no xilindró. Oremos, pois.

__________________

Nota ANNA RAMALHO é colunista do Jornal do Brasil, criadora e editora do site www.annaramalho.com.br  e cronista sempre que pode.
Anna Ramalho, carioca, tricolor e mangueirense.Na definição do ex-chefe Ricardo Boechat, “o dinossauro do colunismo social”, já que, nos últimos 33 anos, trabalhou com todos os grandes: Zózimo Barrozo do Amaral, Fred Suter, Carlos Leonam, Fernando Zerlottini e o próprio Boechat, alternando-se entre “O Globo”, “ O Dia” e o “Jornal do Brasil”.
Noves fora Ibrahim Sued, com quem trabalhou no livro “Ibrahim Sued: 30 anos de reportagem”.
A crônica Mensalão: Brasil só aceita Medalha de Ouro  e foto  da autora  foram publicadas pelo Blog Comunidades com a devida autorização de Anna Ramalho.
____________________

Crédito Foto Medalhas: http://www.moblydesign.com.br


por : Lélia Pereira Nunes e Irene Maria Blayer
Tags : Inglaterra,Canadá,Brasil

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)
2012-02-06 23:59:10

“Açorianos no Mundo: Onde Estamos?/Azoreans in the World: Where are we?”





"Açorianos no Mundo: Onde Estamos?/Azoreans in the World: Where are we?"










A Direção Regional das Comunidades lançou no dia 3 deste mês, em parceria, com a ACORESTUBE e a ACORESPRO, um passatempo no facebook, "Açorianos no Mundo: Onde Estamos/Azoreans in the World: Where are we?"
Este concurso tem como destinatários emigrantes e açor-descendentes residentes fora do território português. Cada concorrente, independentemente da idade, poderá publicar na página do concurso uma fotografia sua, tirada no seu local de residência. A foto deve conter uma bandeira dos Açores apresentada da forma que desejar. A fotografia vencedora será a que tiver obtido maior número de "Gosto/Like", sendo o prémio a atribuir uma viagem aos Açores.

O concurso, aberto de 3 de fevereiro a 30 de Março, já está disponível na internet.
Participe! Agora é só "clicar":  
www.facebook.com/acorestube


por : Irene Maria F. Blayer - Lelia pereira Nunes
Tags : Argentina,Uruguai,França,Inglaterra,Espanha,Japão,Canadá,E.U.A.,Venezuela,Brasil,Portugal,Açores

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)
2010-12-16 23:59:40

Observatório dos Luso-Descendentes!- João Sardinha



O recém nascido Observatório dos Luso-descendentes foi criado em Lisboa no dia 10 de Junho de 2010 e oficializado dia 29 de Setembro de 2010. João Sardinha é o único representante canadiano membro do Observatório, sendo a grande maioria de França. De qualquer maneira são todos luso-descendentes regressados ao país ancestral, e querem   assim dar a conhecer ao 'mundo português' quem são, o que pretendem e que estão disponíveis para criar laços com todos os luso-descendentes e as suas instituições nos quatro cantos do mundo, ao mesmo tempo que  vão tentar ser uma ponte importantíssima entre os filhos dos emigrantes e Portugal.





December 17, 2010

Created by a group of Luso-descendents who in recent years have returned to Portugal from an array of countries that include France, Switzerland, Brazil, South Africa and Canada, the Luso-Descendent Observatory has as its primary objectives the creation of a communication and networking platform aimed at bringing together Portuguese descendent communities world-wide. The Observatory has as its first North American representative the Luso-Canadian João Sardinha who invites all Luso-descendents in Canada and in the United States, individually and collectively through the various youth groups and associations, to link with the Observatory.
Online, you can currently find the Luso-Descendent Observatory on Facebook: (http://www.facebook.com/pages/Observatorio-dos-Luso-Descendentes/125432727509561?v=wall) and through their blog: (luso-descendentes.blogs.sapo.pt. You can reach them via e-mail at the following address: observatoriodoslusodescendentes@old.pt



O Observatório dos Luso-Descendentes é uma organização privada, sem fins lucrativos, de cidadãos luso-descendentes. Tem como missão identificar os cidadãos luso-descendentes no mundo e acompanhar o número e o perfil dos luso-descendentes ao longo dos anos. É também uma plataforma de união, de representação e de apoio aos cidadãos luso-descendentes que queiram manter uma ligação com outros cidadãos luso-descendentes. É cidadão “luso-descendente” quem nasceu fora de Portugal e é simultaneamente filho de Pai e/ou de Mãe natural de Portugal e de nacionalidade portuguesa. O cidadão “luso-descendente” pode não ser de nacionalidade portuguesa. Venha connosco construir a maior comunidade de cidadãos luso-descendentes no mundo! O Observatório dos Luso-Descendentes foi criado no passado dia 10 de Junho de 2010, dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.










João Sardinha
is a researcher at the Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (CEMRI), Universidade Aberta in Lisbon, Portugal, currently carrying out research on the return of Portuguese emigrant descendents to the ancestral homeland, focusing primarily on issues of identity, belonging and transnationality. He received his PhD in Migration Studies from the University of Sussex, UK in 2007 with a thesis entitled Immigrant Associations, Integration and Identity: Angolan, Brazilian and Eastern European Communities in Portugal, published in 2009 by the Amsterdam University Press / IMISCOE series. His current research interests include return migration phenomenon, migrant life histories, migrant association phenomenon, migrant integration and identity strategies, the study of transnationalism and transnational social spaces, as well as immigrant civic and political participation. He is a member of the European Network of Excellency IMISCOE (International Migration, Integration and Social Cohesion in Europe).



por : Irene Maria F. Blayer
Tags : Uruguai,França,Inglaterra,Canadá,E.U.A.,Venezuela,Brasil,Portugal,Açores

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)
2011-01-18 23:55:25

IAC apresenta: Açores, Europa  uma antologia. Onésimo T-Almeida,org.

IAC apresenta: Açores, Europa Z uma antologia.Onésimo T-Almeida,org.


Açores,Europa - uma antologia

No  dia 12 de Dezembro de 2010 foi apresentado ao público a mais recente obra do Instituto Açoriano de Cultura intitulada Açores, Europa – uma antologia, com selecção, organização e introdução de Onésimo Teotónio Almeida, numa iniciativa da Presidência do Governo Regional dos Açores, que teve lugar no Palácio dos Capitães Generais,Angra do Heroísmo,Ilha Terceira.

A cerimónia, contou com a presença do Professor Doutor Onésimo Teotónio Almeida, sendo presidida por Sua Ex.ª o Presidente do Governo Regional dos Açores.

“Historicamente, e até há pouco, os Açores eram uma pirâmide com a base voltada para as Américas e o vértice para Portugal. Não propriamente para a Europa, se bem que a bússola cultural da nossa classe média, média-alta e alta tenha sido precisamente a europeia, em regra na sua vertente francesa. Nisso não somos originais, seguimos o modelo predominante português, se bem que nos Açores tenha havido sempre, sobretudo em S. Miguel, uns quantos anglófilos. Assim, uma antologia de textos a ver com a Europa terá de juntar os escritos que refiram o interesse dessas figuras por países específicos da Europa – livros de viagens, cartas, artigos de jornal.

Antero, mais do que ninguém, pensa Portugal (e os Açores como adjacência) - a Ibéria aliás - como um bloco que perdeu o comboio da modernidade (ele não usou o termo, mas esse é o termo hoje corrente) e que, segundo ele, temos que recuperar. Mas ele é apenas um dos antologiados. Uma busca pela bibliografia açoriana acaba por produzir um elucidativo conjunto de textos de autores açorianos em diálogo com as ideias europeias. O volume deixar-nos-á assim com uma imagem dos Açores afinal não tão distantes da Europa pois os açorianos por ela viajaram com relativa assiduidade e as ideias europeias viajaram também sempre até aos nossos mares.”

Esta obra resulta de uma parceria entre o Governo dos Açores, através do Secretário Regional da Presidência, e o Instituto Açoriano de Cultura surge no âmbito da efeméride que  distinguiu os Açores como Região Europeia 2010.

(*). Texto de divulgação de autoria do IAC - Instituto Açoriano de Cultura, In: Newsletter IAC - N.º 39 09/12/2010 e atualizado.‏





por : Lélia Pereira Nunes
Tags : Alemanha,França,Inglaterra,Espanha,E.U.A.,Brasil,Portugal,Açores

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)
2010-11-15 21:18:56

Ensino Português no estrangeiro custa 35 milhões de euros - Patrícia Jesus


Ensino Português no estrangeiro custa 35 milhões de euros
por PATRÍCIA JESUS





Rede passou do Ministério da Educação para Instituto Camões, que admite problemas. Trinta e cinco milhões de euros é quanto custa a rede de ensino de português no estrangeiro que o Instituto Camões (IC) "herdou" do Ministério da Educação este ano. Um investimento que nem sempre tem o retorno esperado, admite a presidente do instituto. Turmas muito pequenas e situações de injustiça em relação à língua portuguesa são alguns dos factores a mudar, indica - dando como exemplo o facto de Portugal pagar aos professores em países em que a língua faz parte do sistema oficial de ensino e até de suportar as despesas com salas no Reino Unido. A maior parte deste orçamento vai para gastos com pessoal: dez coordenadores, três adjuntos e 522 professores suportados directamente pelo instituto (ver infografia), indica Ana Paula Laborinho, à frente do IC desde o início do ano. Além disso, o IC suporta as deslocações de professores entre escolas e há países onde os docentes têm turmas muito pequenas e fazem longas viagens, indica. Situações que estão a ser analisadas. "Não podemos ignorar a situação económica em que nos encontramos", admite Ana Paula Laborinho. O orçamento total do IC foi reduzido de 44 para 40 milhões e além da rede de ensino do pré-escolar ao secundário o IC ainda gere uma rede de 78 leitores em universidades espalhadas por todo o mundo (ver caixa). Assim, o IC vê com preocupação as situações em que o rácio professor/alunos é muito baixo. "Temos turmas em que há apenas oito alunos. Não vamos impor um limite, mas, tirando os casos em que o ensino está integrado no sistema do país, temos de estudar caso a caso a possibilidade de agrupar os alunos através do nível e conhecimentos e não por idades", explica. Mas o corte de 8% no orçamento do IC, garante, vai ser conseguido sobretudo à custa dos salários dos funcionários, afectados como a restante função pública por reduções que podem chegar aos 10% - incluindo os dez coordenadores nomeados em Agosto passado e os docentes. Os cortes vão fazer com que a prioridade seja a consolidação da rede e não o alargamento, como o secretário de Estado das Comunidades, António Braga, tinha anunciado em Maio passado. Assim, o ensino nos EUA, Canadá e Venezuela vai continuar a ser financiado pelos próprios emigrantes, admite a presidente. Por outro lado, o IC é responsável por custos que considera injustos. Nos países em que a língua faz parte do currículo, como na França, é Portugal que paga aos professores, quando o mesmo não acontece cá com o ensino do Francês. No Reino Unido acrescem as despesas com as salas de aulas e todos os custos associados. "Uma situação muito penalizadora para a nossa língua", admite Ana Paula Laborinho. "É preciso fazer um trabalho junto desses países para reconhecerem o português como língua internacional que é e acabar com esta desigualdade de tratamento entre línguas. Há passos que temos de dar para colmatar essas dificuldades, nomeadamente ao nível da diplomacia." A presidente do instituto não tem dúvidas de que este dinheiro, no entanto, é um investimento e não uma despesa: "Temos de acreditar no valor económico e no poder da língua." Embora Ana Paula Laborinho reconheça que o investimento tem de ser feito onde dá mais frutos e tem de ter contrapartidas porque "se trata do dinheiro dos contribuintes". Sem deixar para trás as apostas de longa data, como a Europa, onde se presta um serviço a comunidade migrantes.




Diário de Notícias Portugal
14.11.2010



por : Irene Maria F. Blayer
Tags : França,Inglaterra,Canadá,E.U.A.,Venezuela

link deste artigo | comentar/ver comentários(1)
2010-04-06 01:51:02

Sobre Tales From The Tenth Island, de Onésimo T. Almeida VAMBERTO FREITAS (1/2)

Sobre Tales From The Tenth Island,     de Onésimo T. AlmeidaVAMBERTO FREITAS (1/2)

Sobre Tales From The Tenth Island,
de Onésimo T. Almeida
***
Vamberto Freitas
Tales From The Tenth Island (com selecção, tradução e introdução de David Brookshaw) é uma selecção de contos de (Sapa)teia Americana de Onésimo T. Almeida que foi originalmente publicado em Lisboa pela Editora Veja (1983), e depois saído numa segunda edição das Edições Salamandra em 2000. Recenseei-o no Diário de Notícias logo de seguida, e depois inclui-o no meu livro de ensaios Pátria ao Longe: Jornal da Emigração II (1992). Outros se pronunciariam publicamente em seguida. O autor regressaria anos depois com mais quatro narrativas de imigração incluídas no seu Aventuras De Um Nabogador & outras estórias-em-sanduíche (Bertrand Editora, Lisboa, 2007). Maria Teresa Maia Bento Amarelo Carrilho publicaria a sua tese de mestrado precisamente sobre os contos iniciais, alguns deles já antológicos, intitulada O Sonho Americano e a (Sapa)teia Americana (Universitária Editora, Lisboa, 1998). Faço aqui este brevíssimo historial pela distância no tempo que já nos separa da saída destes contos que marcaram de modo inusitado a visão que temos da nossa experiência imigrante vista através da literatura de língua portuguesa nos EUA nestas últimas décadas, e que inclui enfaticamente as narrativas de José Francisco Costa (Mar e Tudo, Edições Salamandra, Lisboa, 1998), e as de Francisco Cota Fagundes (No Vale dos Pioneiros: Narrativas da Minha Diáspora (Edição da Câmara Municipal da Praia da Vitória e da Junta de Freguesia da Agualva, 2008). Perante a habitual desatenção de alguns entre nós, a verdade é que a literatura açoriana já inclui no seu cânone esta escrita-outra, a que nos dá conta, por vezes algures entre a ficção e a realidade, de como a açor-americanidade foi perpetuada pela geração que partiria das ilhas no início dos anos 60. Deu-se, com estes e outros escritores da Diáspora, um corte epistemológico radical, que um dia Eduardo Mayone Dias atribuiu a uma nova realidade da nossa imigração a oeste, mesmo que os números permanecessem relativamente reduzidos: a primeira geração formada em universidades portuguesas e norte-americanas, mas que eventualmente se viraria para as suas raízes e as transformações sociais e culturais que aconteceram na sociedade de acolhimento, a nova pátria luso-americana. Urbino de San-Payo, outro poeta português imigrado há longos anos naquele país, também diria a respeito das nossas comunidades norte-americanas em geral: “Sim, somos os filhos de duas paisagens: a da memória e a da vista. A ausência de qualquer delas faz-nos sangrar”. Eis aí uma síntese perfeita de toda temática da literatura dos nossos autores em constante correrias e vivências profundas entre o cá e o lá.
De onde vem este interesse (entusiasmo, diria) de alguns “estrangeiros” por literaturas tão pouco conhecidas como a nossa? Podem alguns intelectuais (especialmente em Portugal, na sua indisfarçada angústia de serem europeus “autênticos”) atirar contra o multiculturalismo e o politicamente correcto, mas foram exactamente estas novas “atitudes” primeiramente emanadas da América do Norte que viriam a permitir novos olhares ante as suas sociedades-mosaico. A partir daí, já ninguém poderia ignorar todos os povos que construíram o Novo Mundo, muito menos faltar-lhes ao respeito que sempre lhes foi devido, mas ofuscado pelo histórico etnocentrismo, quando não racismo aberto e directo. Tive a felicidade imensa de ter pertencido e testemunhado como estudante na academia da Califórnia (depois como professor do ensino secundário) o início dos anos de transformação e humanização, por assim dizer, de uma sociedade que até aos anos cinquenta vedava os imigrantes e/ou grupos étnicos minoritários ao seu lugar de inteira pertença e cidadania. Dirão que alguma escrita imigrante antecedeu de longe todo este movimento societal. Só que foi a partir desse momento de viragem que essa escrita passa a ser parte de currículos e estudo sistemático nalgumas das mais prestigiadas universidades dos EUA e de outros continentes e países (Brasil e Europa, inclusive em Portugal), a sua divulgação lenta mas seguramente assegurada em publicações especializadas e gerais, acontecendo consequentemente a legitimação da mundividência, concreta e/ou transfigurada, dos que desde sempre haviam permanecido esquecidos nas margens, ou na tal “ponte” das tormentas de que nos falava o poeta já aqui citado. De resto, foi o reconhecimento por quase todos de que as sociedades da última parte do século passado eram já obra globalizada, e a nova literatura mundial teria de olhar para a complexidade humana que estava subjacente a todas as comunidades e, agora sim, vivências praticamente sem fronteiras.


por : Lélia Pereira S.Nunes
Tags : Inglaterra,E.U.A.,Brasil,Portugal,Açores

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)
2010-04-06 01:05:40

Sobre Tales From The Tenth Island, de Onésimo T. Almeida VAMBERTO FREITAS (2/2)


David Brookshaw é Professor de Estudos Luso-Brasileiros na University of Bristol (Inglaterra), especializado em literaturas pós-coloniais de língua portuguesa (nem Macau fica fora da sua lupa), e desde há alguns anos inclui nos seus estudos a literatura luso-americana e imigrante, tal como demonstra na sua longa introdução a Tales From The Tenth Island. Creio que o “fascínio” de Brookshaw que o leva a um esforço destes (toda a tradução é uma dura luta linguística e de contextualização literária e cultural adentro de uma outra Tradição) provém não só do facto de ele não querer deixar passar em branco a mais significativa escrita em língua portuguesa nas suas muitas variantes, como do facto de neste caso se tratar da representação ficcional de gente de ilhas minúsculas em termos geográficos a braços com a sua adaptação num continente imenso, que é a América do Norte. Europeus da periferia, a América esteve desde sempre muito mais próxima de nós do que a restante terra dos nossos antepassados, a distância que nos separa um mero factor da imaginação, as possibilidades de nova vida raramente consideradas possíveis fora das Américas (Brasil também presente e desejado durante séculos), a não ser para uma elite bem reduzida e historicamente privilegiada. A nossa relação com o destino a oeste nunca foi totalmente pacífica, mas o facto é que os açorianos sempre enfrentaram todas as barreiras imagináveis para se tornarem cidadãos da sua outra pátria americana. Brookshaw conhece todos os nossos meandros culturais e até psíquicos, a sua tradução evidencia nuances de uma criatividade pouco habitual. O seu Tales From The Tenth Island encerra, tal como a colectânea original (Sapa)teia Americana, com o conto “Adriano(s)”, o percurso de um adolescente terceirense na costa leste americana entre uma comunidade maioritariamente de micaelenses. Narração sob várias perspectivas, cada um “julgando” Adriano precocemente devotado ao Sonho Americano, rejeitando raivosamente todo o seu passado nas ilhas, logo em luta contra os próprios pais pelo que representam, no seu entender, de “marginalização” na nova sociedade, o mesmo adolescente enquanto visto e descrito nos mais depreciativos termos por outros imigrantes adultos é considerado um herói, um pequeno génio de altas potencialidades profissionais e económicas, pelos anglo-americanos que com ele se cruzam no dia-a-dia. O humor assim como uma certa postura trágico-cómica de Onésimo T. Almeida sobressaem aqui de modo muito especial, sem nunca retirar a seriedade com que um personagem é visto e tratado no drama em que se torna a sua própria reinvenção total. Traduzir as linguagens l(USA)landesas (o cruzamento fonético do português com o inglês, tão característico dos nossos imigrantes) de (Sapa)teia Americana é um tremendo desafio seja para quem for; Brookshaw reconhece-o na sua introdução, mas não hesita ante os mais “intraduzíveis” passos destas narrativas. Adriano, a certa altura, expressa grande antagonismo ante os seus conterrâneos oriundos de São Miguel, dizendo que nem sabia da existência dessa ilha até emigrar, chama-os pelo nome mais comum na Terceira do seu passado--coriscos. Tradução de Brookshaw: sons-of-bitches. Discutível, mas perto de uma semântica, por assim dizer, intencional na minha ilha natal, e vai aí só como um exemplo entre muitos outros das opções de um tradutor conhecedor e atento ao espírito preconceituoso de um povo como o nosso.
Tales From The Tenth Island foi publicado na Inglaterra, e deduz-se que dirigido a um público reduzido, mas talvez curioso de como navegaram outros ilhéus para um país anglófono, historicamente muito caro a eles próprios. Mesmo que seja lido só por outros estudiosos da lusofonia, o seu contributo não deixa de ser menos importante. O mundo de língua portuguesa extravasa em muito para além dos PALOP. Para quem não pertence “oficialmente” a essa grande comunidade espalhada por todos os continentes e outros arquipélagos, a sua criatividade literária em nada nos fica a dever. Muito pelo contrário: completa os arquivos criativos e memoriais de um povo que sempre navegou e se soube (re)construir em toda a parte, reinventando as suas próprias tradições nos mais improváveis recantos do globo, em convivências pacíficas só permitidas pela criação de novas linguagens, que nos poderão parecer estranhas, mas funcionam plenamente na conjugação da portugalidade com todos os outros. Que estudiosos como David Brookshaw, o muito prestigiado e reconhecido tradutor também de Mia Couto, o reconhecem e valorizam só poderá servir de lição a nós todos. Um pouco mais de atenção à nação peregrina deveria continuar a ser uma exigência intelectual no país de origem.
________________________________________
Onésimo T. Almeida, Tales From The Tenth Island (Selection, Translation and Introduction by David Brookshaw), Seagull/Faoileán, England, 2006.

          -.-.-.-.-.-.-.-.--.-.-.--.-.-.-.--.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.--.-                                    

(*)  Sobre o autor:VAMBERTO FREITAS:                                                     
                
Leitor de Língua Inglesa na Universidade dos Açores, escritor com uma expressiva produção literária sobre as literaturas norte-americana e açoriana, neste momento preparando uma coletânea de ensaios sobre literatura luso-americana,com saída prevista para outubro de 2010. Crítico Literário dos mais respeitados por sua voz coerente com os valores e princípios éticos e estéticos, sobressaindo o rigor técnico de sua escrita e a frontalidade da sua palavra na defesa e na difusão da literatura açoriana e da literatura luso-americana. Tem vários livros, entre os quais Jornal de Emigração (4 volumes) O Imaginário dos Escritores Açorianos e A Ilha em Frente: Textos do Cerco e da Fuga. Tem publicado algumas traduções, principalmente da poesia de Frank X. Gaspar e dalguma prosa de Katherine Vaz Colabora em vários periódicos com textos de crítica literária e cultura no País e no exterior, destacando-se,em particular o Brasil, onde seus ensaios são frequentemente publicados


por : Lélia Pereira da S.Nunes
Tags : Inglaterra,E.U.A.,Brasil,Portugal,Açores

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)

Este blogue é  sobre a perspectiva da distância, o olhar de quem vive os Açores radicado na América do Norte, na Europa, no Brasil, ou em qualquer outra região. É escrito por personalidades de referência das nossas comunidades com ligações intensas ao arquipélago dos Açores.

Irene Maria F. Blayer was born in  Velas, São Jorge, Azores, and lives in Niagara-on-the-Lake, Ontario, Canada.  She holds a Ph.D. in Linguistics (1992) and is a Full Professor (Doutorada em linguística, é Professora Catedrática) at Brock University. Neste espaço procura-se a colaboração de colegas e amigos cujos textos, depoimentos, e outros -em Inglês, Português, Francês, ou Castelhano- sejam vozes que testemunhem a  nossa 'narrativa' diaspórica, ou se remetam a uma pluralidade de encontros onde se enquadra um universo  que  contempla uma íntima proximidade e cumplicidade com o nosso imaginário cultural e identitário.

Lélia Pereira da Silva Nunes - Brasil
Nasceu em Tubarão, vive em Florianópolis, Ilha de Santa Catarina. Socióloga, Professora da Universidade Federal de Santa Catarina, aposentada, investigadora do Patrimônio Cultural Imaterial (experts/UNESCO,Mercosul), escritora e, sobretudo, uma apaixonada pelos Açores. Este é um espaço, sem limites nem fronteiras, aberto ao diálogo plural sobre as nossas comunidades. Um espaço que, aproximando geografias, reflete mundivivências a partir do "olhar distante e olhar de casa," alicerçado no vínculo afetivo e intelectual com os Açores. Vozes açorianas, onde quer que vivam, espalhadas pelo mundo e, aqui reunidas num grande abraço fraterno, se fazem ouvir. Azorean descent.-- Born in Tubarão(SC) and  lives in Florianopolis, Santa Catarina Island,Brasil. She holds postgraduate degreees  in Public Administration, and is an Associate Professor at Federal University of Santa Catarina.

 

--------------------------------------------------------------

Nota: é proíbida a reprodução de textos e fotos deste blogue sem autorização escrita do Multimédia Açores.

Note: Reprint or reproduction of materials from "Comunidades" is strictly prohibited without written permission from Multimedia RTP.

---------------------------------------------------------------

        
DomSegTerQuaQuiSexSab
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031