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Domingo, 26 de Maio de 2013
Pesquisa na RTP Açores - Informação e Desporto

Comunidades

Irene Maria F. Blayer, Lélia Pereira Nunes

2013-05-25 18:53:35

Lurdes Cordeiro, "RECORDAÇÕES" - Olegário Paz (C/áudio)


AÇORIANIDADE

153

PorqueHojeEhSabado

2013.05.25








 

Pergunto à minha caneta

Que devo eu escrever?

- Usa a minha tinta preta

Que está aí na gaveta

Para as horas de lazer! -

E o papel imponente

Estende-se à minha frente

Com linhas até de mais

Usando a sua perícia

Diz baixinho com malícia

- Em linhas horizontais

Fala daquela saudade

Que tu costumas sentir

O carinho e a lealdade

A partilha da verdade

Para quem gosta de ouvir. -

E com a fronte na mão

Ideias em turbilhão

Vejo a minha mocidade

Vejo família e amigos

Que hoje estão repartidos

Por outras comunidades.

Uma lágrima rolando

Desceu até ao papel

Para selar a amizade

O amor a saudade

Que às vezes é cruel!

 

(1991)

Lourdes Cordeiro,

Inédito.


Maria de Lourdes Sardinha Alves Cordeiro (1939), doméstica, animadora cultural, natural do lugar de Covoada, freguesia da Relva, ilha de S. Miguel, reside e trabalha na terra natal.




por : Blogs Açores
Tags : Açores,Portugal,Brasil,Venezuela,E.U.A.,Canadá,Japão,Espanha,Inglaterra,França,Uruguai,Argentina,Alemanha,Macau

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2013-05-25 05:43:54

Saída: Murmúrios com Vinho de Missa de ÁLAMO DE OLIVEIRA

A Livraria SolMar Artes e Letras,a Publiçor convidam para a sessão de 
lançamento do livro Murmúrios com Vinho de Missa, novo romance  de Álamo de  Oliveira.
Data: 25 de maio,sábado
Hora: 18 horas.

Parabéns  à SolMar por ser a melhor referência do autor e do leitor açoriano e não só.

Um grande  abraço de cumprimentos e votos de muito sucesso ao amigo escritor
Álamo Oliveira por mais este novo romance.
 
Blog Comunidades.
25/5/2013

Saída: Murmúrios com Vinho de Missa de ÁLAMO DE OLIVEIRA



por : Lélia Pereira Nunes e Irene Maria Blayer
Tags : Açores,Portugal,Brasil,Canadá

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2013-05-24 05:14:53

MENINO JESUS ENTRE OS DOUTORES-- Mário T Cabral, 2013

MENINO JESUS ENTRE OS DOUTORES--Mário T Cabral, 2013

37. RETRATOS DE FAMÍLIA
j) Flannery O’Connor

Ela poderia ser uma personagem de si própria: menina rica da Geórgia, o mítico sul da América esclavagista; filha única e solteirona, que morre de lúpus aos trinta e nove anos, não sem antes se consagrar como a maior escritora dos States do séc. XX.
Há nela uma mistura cativante entre a herdeira provinciana com paixão por pavões e a inteligência cáustica de quem põe as pretensões citadinas no seu devido lugar. Imaginemo-la a dizer as suas graças, cheias de ironia fina, com sotaque.
E católica num país protestante – e não apenas católica mas empenhadamente católica no seu ofício, a ler muita teologia para se preparar para as suas histórias, a escrever para jornais de paróquia durante anos – e, sobretudo, a fazer das melhores palestras que há para ler sobre o ser escritor e crente, ao mesmo tempo.
Não se podem perder estes pequenos ensaios duma agudeza cirúrgica de filósofo analítico. Os americanos têm esta qualidade que rareia na Europa: são muito confessionais, sem temerem perder o crédito, que não lhes é tirado por ninguém por causa disso.
Não estão traduzidos, mas alguns dos seus romances estão, assim como os contos. Flannery O’Connor é melhor no formato curto que valoriza a sua incisão estilística, as suas atmosferas de filme de suspense.
Quase todas as personagens são más, até perversas, sobressaindo aquelas que começam por surgir imunes ao pecado e que vimos a descobrir guardarem um defeito qualquer. E há vítimas inocentes da maldade diabólica, como em “Um Homem Bom é Difícil de Encontrar”.
Aliás, este é um traço comum entre muitos dos grandes escritores católicos. Porque é que isto acontece, apetece perguntar. Conhecem a natureza humana, não disfarçam a maldade, sabedores de que só a Graça nos leva ao Céu.
Quem não acredita tende a disfarçar as mil caretas do Inimigo com historietas de cárácácá. Ou então apresenta um mundo porco como uma tragédia inevitável, sem a fímbria da esperança, que um católico consciente tem a obrigação de deixar em aberto.
Muita literatura contemporânea é pornográfica, neste sentido: tranca a porta da esperança e obriga-nos a enojar-nos com o mergulho na decadência, como se não sobrasse outro destino ao ser humano.
Nos tais ensaios, Flannery O’Connor explica muito bem estes temas: um escritor católico não deve confundir o Reino de Deus com o mundo dos homens, procurando disfarçar piedosamente as manifestações do mal. Todavia, isto não quer dizer que se bata palmas às personagens descritas.
Ela é exímia neste equilíbrio de forças.


por : Irene Maria Blayer e Lélia Pereira Nunes
Tags : Açores,Portugal,Brasil,Canadá

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2013-05-21 07:02:25

A partida - Dora Nunes Gago



A partida

                                                                           

     A carrinha afastava-se, seguida por uma onda de poeira. Para trás ficava os retalhos da infância e da adolescência, semeados naquela terra dourada. Pedro já era um homem. Por isso, partia para conquistar o pão lá longe, onde a vida parecia sorrir. Então porquê aquele nó na garganta? Aquela teia no estômago que lhe subia até ao peito e quase o estrangulava? Aquelas lágrimas secas que lhe nasciam e morriam nos olhos? A sua terra natal já ficara para trás. Mas cada vez mais parecia mais viva e presente na memória. As brincadeiras, os amigos, a família, o namorico com a Joana...

    Não, não se podia esquecer que até era um felizardo. Trabalharia, pelo menos um ou dois anos, em Espanha, na construção civil. Ainda não assinara o contrato nem tinha garantias de nada, nem sequer conhecia as condições de trabalho, mas o representante do empreiteiro parecia honesto. E nos tempos que correm quem pode exigir muitas certezas?

     Ele sempre vivera com pouco. Não quisera seguir os estudos e deixara a escola assim que havia terminado o 6° ano, portanto não podia esperar grandes oportunidades. Não é que não gostasse de estudar, mas também tinha de ajudar os pais no campo e às vezes guardar o gado. Depois, o cansaço apoderava-se dele e se pegava num livro as letras esquivavam-se-lhe numa nuvem de sono, como se fossem feitas de fumo ou de vento. Além disso, ninguém o queria para doutor, nem os pais o poderiam manter muito tempo na escola, pois as três irmãs mais novas já eram despesa suficiente.

    Enfim, a terra era mais madrasta do que mãe, tudo dela era arrancado a ferros e apenas bastava para assegurar a subsistência... Por isso, o sonho de ter uma casa e uma família sua tinha de ser conquistado de outra maneira. Assim, quando viu o anúncio no jornal lá no café da terra, nem pensou duas vezes. E o espírito aventureiro que habitava na sua família veio à tona. Bastou lembrar-se que o avô, natural de Juromenha, havia sido contrabandista e falecera precisamente com o certeiro tiro impiedoso dum guarda. O pai também ainda contrabandeara, mas o susto acabara por desencorajá-lo. Mudou de terra e de vida. Por isso, ele até tinha sorte, ia trabalhar legalmente, sem correr risco de vida e ganhar bem - fora a promessa do empreiteiro. Pedro desconhecia ainda a matéria da qual poderiam ser tecidas as promessas, a substância volátil que as habitava convertendo-as tantas vezes em espuma ou vento.

    A planície dormia ainda e o novo dia era, também ele, apenas o eco duma promessa. A viagem parecia interminável, sustentada pela ansiedade e pelo sonho. Já tinha ouvido, às vezes, histórias estranhas de gente que emigrava e era escravizada, maltratada, explorada... mas não, isso não lhe aconteceria, eram coisas que se diziam e o povo inventa tanto! Só aos outros acontecem certas desgraças, aos incautos, aos desprevenidos ou inconscientes.

     Pedro rendeu-se ao cansaço e adormeceu durante muitas horas. Sonhava com o regresso, triunfante e endinheirado, com a construção de uma casa e o casamento com a Joana.

   Ausente da realidade, nem se apercebeu de que havia atravessado a fronteira e chegara à terra de todas as promessas, junto ao barracão degradado que iria partilhar com outros oito homens, durante os próximos meses, entre a ilusão e o pesadelo, o suor, as lágrimas e os sonhos vencidos em cada poente.

 

Dora Nunes Gago



Dora Nunes Gago é professora de Literatura na Universidade de Macau (China), doutorada em Línguas e Literaturas Românicas Comparadas. Foi leitora do Instituto Camões em Montevideu (Uruguai), professora do ensino secundário e investigadora de pós-doutoramento da FCT na Universidade de Aveiro.Publicou: Planície de Memória (poesia, 1997); Sete Histórias de Gatos (em co-autoria com Arlinda Mártires), 1ªed. 2004, 2ª ed. 2005; A Sul da escrita (Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca, 2007); Imagens do estrangeiro no Diário de Miguel Torga, Fundação Calouste Gulbenkian/FCT, 2008. Além disso, tem poemas, contos, artigos e ensaios em diversos jornais, revistas e antologias.



por : Irene Maria F. Blayer - Lelia Pereira Nunes
Tags : Macau,Canadá,Brasil,Açores

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2013-05-23 10:33:14

Poema do Dia:Naquele Tempo Éramos Donos Emanuel Jorge Botelho

Do «POEMA do DIA»,uma rubrica da Associação Despe-te-que-suas em coprodução com Antena1/Açores e o patrocínio da Direção Regional da Cultura,Governo dos Açores,sob a Direção de
 Nelson Cabral e Consultoria de Urbano Bettencourt, apresentamos o poema
« Naquele tempo Éramos Donos».

Dito: Emanuel Jorge Botelho
Comentários: Sònia Chagas e Urbano Bettencourt

Poema do Dia:Naquele Tempo Éramos DonosEmanuel Jorge Botelho





            


NAQUELE TEMPO ÉRAMOS DONOS
 

Naquele tempo éramos donos

das palavras,

não pagávamos tributo ao dicionário.


Naquele tempo fazíamos dos actos

factos,

ignorávamos os agiotas da decência.


Éramos dragões vomitando fogo,

lava,

origem,

trigo e

irreverência.


Éramos libertinos, libertários,

vagabundos

sentados nas sarjetas da

inocência.


Naquele tempo éramos donos

naquele tempo éramos

naquele tempo ...

                       -1978-




por : Lélia Pereira Nunes e Irene Maria Blayer
Tags : Canadá,Brasil,Portugal,Açores

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2013-05-20 12:18:39

"Que bom é ser Açoriano!"

Que bom é ser Açoriano!

No Canadá - onde resido - é feriado nacional, dia de festividades por todo o país; celebra-se o aniversário da Rainha Victória.  Nos Açores, decorrem as celebrações do Dia dos Açores. Símbolo da nossa Autonomia. Neste dia ergue-se e assume-se - no eu açoriano - um espaço de emoção composto de gestos, de palavras, de ritmos, de memórias cuja consciência colectiva se harmoniza numa 'voz insular' de intensa relação com a terra mater. Para os  Açorianos nos Açores e espalhados pela diáspora, 'viver' as manifestações em louvor a este NOSSO dia, é fixar e afirmar o testemunho da nossa 'açorianidade'; é saber reiterar orgulhosamente as palavras do ex-Presidente do Governo dos Açores, Carlos César, neste Dia da Região em 2009 na cidade de Toronto: "Tenho a certeza que nunca há-de faltar uma razão para que não se pense e não se diga: Que bom é ser Açoriano!".Irene Maria F. Blayer e Lélia Pereira Nunes20 de Maio de 2013

por : Irene Maria F. Blayer - Lélia Pereira Nunes
Tags : Canadá,Açores

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Este blogue é  sobre a perspectiva da distância, o olhar de quem vive os Açores radicado na América do Norte, na Europa, no Brasil, ou em qualquer outra região. É escrito por personalidades de referência das nossas comunidades com ligações intensas ao arquipélago dos Açores.

Irene Maria F. Blayer was born in  Velas, São Jorge, Azores, and lives in Niagara-on-the-Lake, Ontario, Canada.  She holds a Ph.D. in Linguistics (1992) and is a Full Professor (Doutorada em linguística, é Professora Catedrática) at Brock University. Neste espaço procura-se a colaboração de colegas e amigos cujos textos, depoimentos, e outros -em Inglês, Português, Francês, ou Castelhano- sejam vozes que testemunhem a  nossa 'narrativa' diaspórica, ou se remetam a uma pluralidade de encontros onde se enquadra um universo  que  contempla uma íntima proximidade e cumplicidade com o nosso imaginário cultural e identitário.

Lélia Pereira da Silva Nunes - Brasil
Nasceu em Tubarão, vive em Florianópolis, Ilha de Santa Catarina. Socióloga, Professora da Universidade Federal de Santa Catarina, aposentada, investigadora do Patrimônio Cultural Imaterial (experts/UNESCO,Mercosul), escritora e, sobretudo, uma apaixonada pelos Açores. Este é um espaço, sem limites nem fronteiras, aberto ao diálogo plural sobre as nossas comunidades. Um espaço que, aproximando geografias, reflete mundivivências a partir do "olhar distante e olhar de casa," alicerçado no vínculo afetivo e intelectual com os Açores. Vozes açorianas, onde quer que vivam, espalhadas pelo mundo e, aqui reunidas num grande abraço fraterno, se fazem ouvir. Azorean descent.-- Born in Tubarão(SC) and  lives in Florianopolis, Santa Catarina Island,Brasil. She holds postgraduate degreees  in Public Administration, and is an Associate Professor at Federal University of Santa Catarina.

 

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Nota: é proíbida a reprodução de textos e fotos deste blogue sem autorização escrita do Multimédia Açores.

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