Entrevista ao secretário de Estado do Empreendedorismo, Competitividade e Inovação, Carlos Nuno Oliveira
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Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal. Nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. Este é um blogue com vídeos da ilha.

Já num outro artigo disse que a economia Açoriana tinha como pedras basilares a agricultura e as pescas, apesar de se estar a desenvolver rapidamente o turismo. Mas será que este é capaz de substituir duas actividades do sector primário? Não me parece.
O turismo desenvolve riqueza, desenvolve serviços e é sem dúvida uma boa aposta para a evolução dos Açores nesta área, porque temos a sorte de sermos ilhas com muito para ver e que espantam muitos daqueles que nos visitam.
Mas nos Açores, o turismo não pode ser tratado como noutros locais. Não se pode tentar desenvolver um turismo de massas e em grande escala, pois este tem uma série de entraves que não o torna viável.
Não é atirando cimento que se desenvolve o que quer que seja em termos de turismo nos Açores. Existe uma série de falhas estruturais em termos de transportes (estamos todos fartos de bater no ceguinho e ninguém ouvir), de promoção (com pés e cabeça), preparação para receber, entre outros que devem ser resolvidos para o desenvolvimento desta área.
A Graciosa é um exemplo perfeito da inutilidade do turismo de massas nos Açores.
Somos uma ilha pequena que recebemos bem, só não temos é capacidade nem preparação para receber enormes quantidades de turistas como se vê noutras ilhas maiores, mas mesmo assim não me parece que se justifique apostar em mais infra-estruturas hoteleiras, pois estas deixariam de ser sustentáveis.
O turismo na Graciosa resulta se for promovido como turismo de qualidade com as nossas paisagens, o ambiente rural (para quem quer fugir das cidades), a qualidade do nosso ar, a nossas termas, o nosso clima, as nossas (invulgares) zonas balneares e os Graciosenses que recebem bem.
Não posso é deixar de lamentar que um dos mais importantes pontos de visita da Graciosa se encerre durante o verão: a furna do enxofre. É necessário compreender que existe realmente perigo para a saúde pública manter a furna aberta com elevadas concentrações de CO2, mas existe equipamento que faz a reciclagem de ar e que poderia ajudar a eliminar algum do CO2 libertado tornando segura a descida aquela gruta que já foi nomeada para ser uma das sete maravilhas naturais de Portugal. Esta poderia ser uma solução para o problema actual.
O turismo nos Açores não deve ser sinónimo de riqueza e utopia, mas sim de qualidade. Só assim irá resultar com resultados práticos para a região e cada uma das suas ilhas.
O turismo tem-se tornado ao longo dos anos um pilar para a economia graciosense em conjunto com a agricultura e pescas. O número de visitantes tem vindo a aumentar de ano para ano, refletindo as boas políticas aplicadas por este executivo. No 1º trimestre de 2012 houve um aumento aproximado de 5% relativamente a igual período do ano anterior.
Nos últimos anos, o mergulho tem-se revelado uma das áreas ao nível turístico com maior evolução. Segundo alguns especialistas, a Graciosa tem condições únicas para os amantes de mergulho, não subsistindo dúvidas sobre o seu potencial enquanto destino turístico pela diversidade e unicidade da sua oferta. É nesta perspetiva que a ilha Graciosa apresenta condições para que este nicho de mercado cresça e seja um chamariz turístico.
Atualmente a Graciosa recebe cerca de um milhar de turistas por ano que procuram este destino para a prática de mergulho, existindo já alguns operadores a funcionar nesta atividade. Na minha opinião, um dos mercados mais atraentes é o Alemão, dado que possui cerca de um milhão pessoas a praticar mergulho e fotografia subaquática.
A nossa Ilha já dispõe da generalidade das infraestruturas necessárias ou de apoio à atividade económica que é o Turismo, à exceção da marina. Todavia esta situação irá ser colmatada em breve, uma vez que a sua obra irá arrancar já nos próximos meses, cujo projeto será desenvolvido pelo Executivo da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa em cooperação com o Governo Regional dos Açores.
Com a recente unidade hoteleira e casas de Turismo Rural entretanto surgidas, a Graciosa já demonstra uma capacidade de alojamento maior para o fluxo de visitantes observados. Todavia os transportes permanecem como o maior obstáculo ao turismo da Graciosa, devido ao elevado preço das passagens aéreas para não residentes e face às dificuldades em chegar à nossa ilha num único dia de viagem.
Outra potencialidade da ilha Graciosa é sem dúvida o turismo de saúde que através do turismo termal associado às Termas do Carapacho, alarga a nossa oferta turística.
Por outro lado, também os transportes marítimos de passageiros assegurado pelo armador Atlanticoline têm influenciado positivamente o designado "turismo de verão", tendo-se observado ao longo dos últimos anos um aumento da circulação de açorianos interilhas e uma maior dinamização da economia local, uma boa parte devido à organização de atividades festivas, como é o caso das Festas do Sr. Santo Cristo. Não posso deixar de salientar que caso se observasse um aumento do número de viagens com abrangência de mais destinos para além da ilha Terceira, seria uma opção bem-vinda pelos Graciosenses.
No entanto e de forma a combater a sazonalidade daquele turismo, o Governo Regional dos Açores criou o programa 60+ juntamente com o INATEL Social que tem contribuído para o aumento do fluxo de passageiros durante a época baixa. Esta é uma medida de cariz económico e social, uma vez que dinamiza a hotelaria e dá a conhecer as diferentes ilhas dos Açores por residentes dos Açores com mais de 60 anos mediante um valor simbólico de participação. Em minha opinião é mais uma aposta ganha pelo Governo Regional liderado por Carlos César.
O nosso turismo terá de ser distinto. E essa singularidade deverá ser descoberta pela realização de atividades ligadas à natureza desfrutando por exemplo de passeios de bicicleta para descobrir as melhores paisagens da ilha, o recurso a caiaques, passeios pedestres, não esquecendo a uma passagem pela gastronomia graciosense, sempre convidativa.
Em suma, podemos dizer que a Graciosa tem vindo a crescer ao nível turístico, contrariando até a tendência verificada nas restantes ilhas dos Açores. Este crescimento só foi e é possível mediante as medidas adotadas por este Governo Regional dos Açores, nomeadamente pela construção de um hotel, melhoramento das Termas do Carapacho, construção do Centro de Visitantes da Furna do Enxofre, ampliação do porto da Praia que melhorou as condições de atracagem de embarcações na Graciosa, aumento do número de ligações aéreas à ilha Graciosa, conceção de apoios governamentais a empresários da Graciosa para criação de casas de turismo rural, animação turística e restauração e finalmente pelo arranque em breve da construção da Marina tão apelada pelos Graciosenses. Existem por aí várias vozes críticas à obra feita que no entanto não passam de vozes "esquecidas" da dimensão que representou o empenho fundamental deste Governo Regional para o estímulo da economia local, com especial destaque no que respeita ao Turismo.
Sexta-feira na Graciosa às 21h30

War Horse (Cavalo de Guerra) é um filme americano de drama e guerra, dirigido por Steven Spielberg e foi lançado nos Estados Unidos em dezembro de 2011.
O longa-metragem é baseado num livro para crianças com o mesmo nome que se passa durante a Primeira Guerra Mundial, do autor Michael Morpurgo, publicado pela primeira vez na Inglaterra em 1982.ç
O elenco de atores incluem David Thewlis, Benedict Cumberbatch, Jeremy Irvine, Emily Watson, Tom Hiddleston, Eddie Marsan, Toby Kebbell e Peter Mullan.
O filme foi nomeado a seis Academy Awards, dois Globos de Ouro e cinco BAFTAs.
Maritimo leva taça sem derrotas
O Desportivo Luzense despediu-se da temporada 2011/12 com uma derrota por cinco bolas a zero, esta quarta-feira, na deslocação ao reduto do campeão, na derradeira partida a contar a Taça da Associação de Futebol de Angra do Heroísmo.
Com três golos de Mário Melo e de Hugo Espínola e Luís Silva, o Marítimo completou a prova só com vitórias.
Deputado do PCP visita a Graciosa

Aníbal Pires, Deputado do PCP na Assembleia Legislativa Regional, deslocar-se-á à ilha Graciosa, entre os dias 17 e 19 de maio.
A visita tem o seguinte programa:
Quinta-feira, 17 de Maio
18h Visita às Escola Básica e Secundária e reunião com o Conselho Executivo
Sexta-feira, 18 de Maio
9.30h Reunião com o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa
14.30h Visita à Adega Cooperativa e reunião com a Direção
17h Visita às termas do Carapacho
Sábado, 19 de Maio
11h Conferência de imprensa de Balanço da visita Hotel Graciosa
Mocho libertado na Caldeira da GraciosaFoi recolhido e libertado pelos Vigilantes da Natureza do Parque Natural da Graciosa um mocho ou bufo-pequeno (Asio otus) descoberto no lugar do Tanque, Guadalupe, por alguns habitantes locais.
Sendo a única espécie de rapina noturna dos Açores, aparentemente, só não nidifica no Grupo Ocidental.
Mais abundante do que aparenta a sua observação é no entanto relativamente difícil atendendo aos seus hábitos noctívagos.
Pouco maior que um pombo, distingue-se das demais similares rapinas noturnas por apresentar olhos cor-de-laranja e uns singulares tufos na cabeça (vulgarmente designados por "orelhas").
Denotando o exemplar capturado alguma vitalidade, foi libertado no interior da Caldeira da Graciosa onde será, quando visível, vigiado pelos Vigilantes da Natureza.
entre fraturas e continuidades
O Grupo de Filosofia da Escola Básica e Secundária da Graciosa organiza na próxima segunda-feira, dia 21 de maio, às 20h30, duas conferências sobre o tema "Educação e Escola: entre fraturas e continuidades".
São conferencistas convidadas Paula Cristina Pereira, professora do Departamento de Filosofia e diretora de mestrado em ensino de filosofia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e Maria João Couto, mestre em Filosofia da Educação e licenciada em filosofia pela referida Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Paula Pereira abordará questões relacionadas com a "condição humana, patologias contemporâneas e o desafio da construção do bem comum", enquanto Maria João Couto tratará a "educação e escolarização" e os "percursos individuais e sentidos plurais".
Esta iniciativa surgiu do reconhecimento da necessidade de respostas específicas ao problema persistente do abandono escolar e das baixas qualificações dos jovens que os torna mais vulneráveis aos processos de exclusão social.
As conferências são no Auditório da EBS da Graciosa. No dia 21, às 20h30, destinada à comunidade em geral e no dia 22, às 10h00, para os alunos.
Graciosa recebe Jogos Desportivos Escolares
A Escola Básica e Secundária da Graciosa organiza na próxima semana, entre 21 e 24 de maio, a Fase Regional da XXIII edição dos Jogos Desportivos Escolares do 2º ciclo (5º e 6º ano).
Com o tema "Desporto Escolar - Naturalmente Bom", participam as escolas básicas integradas da Horta, Ribeira Grande e Roberto Ivens (Ponta Delgada), e a Escola Básica e Secundária da Graciosa.
Neste ano os Jogos Desportivos Escolares associam-se na chamada de atenção para a preciosidade do Ambiente e da Natureza Açorianos, sublinhando a necessidade de todos contribuirmos para a sua promoção e preservação. Assinala-se, pelo Desporto Escolar, a possibilidade e o dever de utilizar, respeitosamente, a Natureza Açoriana, em prol da Educação, da Saúde e do Bem-Estar, promovendo o conhecimento dos espaços naturais locais, nomeadamente os trilhos pedestres.
PROGRAMA:
Os jogos começam na segunda-feira, 21 de maio, às 14 horas. A cerimónia de abertura realiza-se no exterior do pavilhão municipal, seguindo-se, às 15 horas, um peddy paper em Santa Cruz e patinagem no pavilhão da escola, uma hora depois.
Na terça-feira, dia 22 de maio, realizam-se as provas de futebol e atletismo em masculinos e femininos. Pelas 20 horas há actividades artísticas e uma peça de teatro no Centro Cultural da Ilha Graciosa.
O voleibol e o basquetebol são as modalidades em destaque na quarta-feira, dia 23 de maio. A cerimónia de encerramento será às 19h30, ficando a manha de quinta-feira, dia 24 de maio, reservada para um passeio ambiental.
Noé Rodrigues visita as explorações da Graciosa
O secretário regional da Agricultura e Florestas visita a Graciosa esta quarta-feira, dia 16 de maio, na sequência do mau tempo que provocou estragos nas explorações agrícolas.
Noé Rodrigues chega à ilha no voo da tarde, seguindo para o Serviço de Desenvolvimento Agrário, onde a concentração está marcada para as 16h30.
O governante irá visitar as explorações afectadas pelo mau tempo.
Filarmónica União Praiense completa 123 anos
A Sociedade Filarmónica União Praiense foi fundada a 12 de maio de 1889. A banda mais antiga da Graciosa aproveitou as comemorações do centésimo vigésimo terceiro aniversário para mostrar alguns dos novos temas do reportório da época musical que se inicia.
Na sessão solene não faltou, também, quem falasse do presente, do futuro e da história da sociedade filarmónica fundada antes da república.
123 anos depois e com uma direcção nova empossada em abril, os propósitos continuam actuais: Dinamizar a cultura graciosense, a partir desta freguesia de S. Mateus, agora com pouco mais de 800 habitantes. Mais uma razão para o novo elenco diretivo pedir o envolvimento de todos os sócios.
Os actuais 39 músicos da Sociedade Filarmónica União Praiense sentem também o peso dos anos e do prestigio que lhes foi legado pelos antepassados.
Na noite de aniversário a direcção prestou ainda homenagem ao executante mais antigo que faz parte da casa desde os 9 anos de idade. João Fernandes é músico há 59 anos e já tem netos ao seu lado. É, seguramente, um exemplo de boa vontade.
JS Graciosa acolhe Fórum Geração Activa
A JS Açores promove na Graciosa, quarta-feira, 16 de maio, o Fórum Geração Activa, Geração de Ideias - "Sustentabilidade Energética e Protecção do Ambiente", que se vai realizar pelas 20 horas no Centro Cultural da Ilha Graciosa.
Os oradores convidados são o coordenador da EDA na Graciosa e a técnica operacional do Centro de Processamento de Residuos.
Na vila da minha infância havia mais pianos do que máquinas de costura...
Por isso na minha casa tínhamos um piano vertical, "Foster & Co. - Rochester, N.Y.", de fabrico americano, que, dizia-se, tinha mais de 100 anos e era uma herança familiar.
Dó, mi, sol, dó...ré, fá, lá, ré...
Tenho belas e doces saudades daquelas intermináveis tardes de solfejo na casa da minha infância.
Minha mãe dava lições de piano às meninas prendadas da vila, por um escudo à hora. Estou a vê-la, complacente, a ensinar a marcar os compassos ou a desenhar, com sorridente benevolência, a clave de sol na segunda linha, serapintando de mínimas e semínimas, com aquele traço firme de artista doméstica...
De segunda a sexta-feira era um rodopio lá em casa. As alunas da minha mãe entravam e saíam em grupinhos, trazendo debaixo do braço o Método para piano, teórico, prático e recreativo, de A. Schmoll.
Ouvia-se o matraquear do velho piano todo o santo dia. E era a monotonia do solfejo... E eram as posições de mãos, as notas, as regras, as tonalidades, as divisões, as apogeturas, as escalas, os ditados musicais...
Quando a puberdade me bateu à porta, foi através daquele velho piano que cheguei ao coração das meninas...
Tocava "La Bouquetiére", em compasso ternário, que é o compasso do coração... Infelizmente nunca passei da 7ª lição de Schmoll... Santos de casa... Tocava de cor tudo o que queria e essa era uma capacidade que eu fui desenvolvendo. Minha mãe bem que me mandava ler a partitura. Eu fingia que a lia, mas, ainda e sempre, estava era a tocar de cor...
De entre as várias músicas do meu "repertório", havia o Lac de Come, uma melodia ultra-romântica que era a minha preferida. E, quando as amigas da minha irmã iam lá para casa, eu caprichava na interpretação: assumia uma postura séria e sentida e, com enlevos de artista, semicerrava os olhos, projectava a cabeça para trás, extasiado... As amigas da minha irmã (todas mais velhas do que eu) apreciavam o estilo e, em contrapartida, deixavam-me apalpar-lhes as maminhas...
Ouvia-se o matraquear do velho piano todo o santo dia.
A música ajudou-me a disfarçar a minha timidez e foi a minha grande motivação para o flirt, mas, nessa matéria, o meu irmão José passava-me a perna...
Às vezes acontecia que, na pressa do pagamento das lições, as alunas da minha mãe deixavam escapulir moedas de escudo ou mesmo "baratinhas" (1) pelas ranhuras do teclado. Foi então que me especializei em procurar e achar dinheiro nas vísceras do piano...
Dó, mi, sol, dó... ré fá, lá, ré...
A casa da minha infância enchia-se de música, de manhã à noite... Toda a minha família tocava piano. Até a nossa gata "Princesa", para quebrar os (poucos) momentos de silêncio, saltava para o teclado, sobre o qual se passeava altivamente, compondo estranhas melodias, para gáudio dos meus irmãos mais novos...
Nesse tempo não havia televisão na vila de Santa Cruz da Graciosa e todos nós vivíamos solidários e infinitamente felizes.
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Quarenta anos depois passo pela casa que já foi minha e, no aconchego tépido da sala, reencontro o velho piano, cujos acordes ecoam ainda na minha memória. Retiro a longa tira de flanela sobre as teclas e ataco algumas notas. O piano está desafinado mas o meu coração não. Trauteio a Chiquita, canção que meu pai (que tinha uma voz bem timbrada de barítono) costumava cantar:
Si a tua ventana llega
una paloma
trata-la com cariño
que es mi persona!
E recordo, em flash back, os serões bem animados na casa onde nasci. Naquela sala tocava-se piano, dançava-se a valsa e o tango, jogava-se à sueca, às prendas e ao anel, nessas longas noites de não haver a pantalha...
Olho o teclado melancólico e escuto, do fundo dos tempos, melodias tocadas pelos dedos ágeis de minha mãe: a Oração de uma Virgem, a Avé Maria de Schubert e a de Gounod, as Czardas, de Monti, uma ou outra rapsódia húngara de Liszt...
A música vivia connosco naquela casa. O pior eram as tardes: as alunas de minha mãe martelavam, a compasso de estudo, escalas e a minha paciência...
Ainda com as mãos sobre o teclado do velho piano mudo e desafinado, abandono-me a lembranças remotas. Tento tocar o Lac de Come: vem-me uma saudade infinita de minha mãe e sinto uma lágrima rebelde ao canto do olho...
(1) Pequena moeda de 2$50
Ermida da Senhora da Ajuda foi restaurada
A Ermida da Senhora da Ajuda passou o inverno em obras de restauro e reabriu como nova no passado domingo. Além da recuperação do altar, foram substituídos o pavimento, janelas e portas, e efectuadas pinturas interiores e exteriores.
Os trabalhos incluíram suportes em pedra para o altar e a eliminação de infiltrações.
A Paróquia de Santa Cruz aproveitou o 13 de maio para reabrir a Ermida ao culto com uma missa solenizada, seguida da habitual Procissão de Velas no monte sobranceiro à Vila.
Nas obras que custaram 15 mil e 500 euros foram utilizadas ofertas doadas ao longo dos anos, na maioria por emigrantes. A Comissão Fabriqueira da Matriz de Santa Cruz recebeu também a colaboração das entidades públicas.
A Ermida da Senhora da Ajuda é do século XVI, tendo anexa uma ''casa dos romeiros'', destinada a acolher os peregrinos que ali se deslocavam em oração. Foi o primeiro edifício construído no cimo do monte.
Este templo histórico que faz lembrar um pequeno castelo, é tido como um dos melhores exemplos de "arquitectura religiosa fortificada" existente no arquipélago dos Açores.
A próxima etapa das obras é o restauro da imagem da Senhora da Ajuda que deverá acontecer após a festa deste ano. Os graciosenses celebram a festa da Senhora da Ajuda a 15 de agosto.



Fábio Gabriel Jorge
Mendes Melo Cunha
Júlio Luís Lurdes
Mendonça Lobão Cunha
Madalena M. Jorge Marco
Picanço Lobão Martins
Merçês Miguel Rita
Coelho Estorninho Ávila
Rita Sérgio Sofia
Silva Mendonça Rocha
Vânia Victor
Bettencourt Rui Dores
Luís Tiago
Pereira Avelar
DUPLO OLHAR
visão a dobrar
José
Ávila
COMO NÓS OS VIMOS
ou como nós os vemos




Ei-la surgindo mimosa
A Graciosa dum verde
"À primeira vista" parece por vezes, ser uma paisagem agreste; mas logo surge uma encosta florida, uma Feteira de arvoredo frondoso, um vale das Courelas com suas culturas e os afamados vinhedos da Terra do Conde, e outros motivos que nos alegram a vista.
Amo as rochas empinhadas
Que risonho panorama,
E aquela gente!!! De sorriso sempre aberto, mesmo que o coração se lhes doa, mesmo que a velhice as consuma, mesmo que a pobreza se lhes aperte...
E no âmago do liquido,
Branca,
A bonita Ilha Graciosa, intitulada de Ilha Branca por Raul Brandão, situa-se no Grupo Central do Arquipélago dos Açores, distando da vizinha Ilha de São Jorge 37 km, e ocupando uma área de cerca 62km2, com 12,5 km de comprimento e 8,5 km de largura máxima. Esta é Ilha menos acidentada geograficamente de todo o Arquipélago, dona de paisagens de grande deslumbre e de um património arquitectónico, humano e natural de grande valor. As datas de descobrimento do Arquipélago dos Açores são uma incógnita, existindo correntes históricas que afirmam já virem designados em mapas Genoveses desde 1351, contudo foi a partir de 1431 que as Ilhas começaram a ser povoadas. Pensa-se que a Ilha Graciosa terá sido descoberta por volta de 1450, provavelmente por navegadores vindos da ilha Terceira, que pela sua beleza natural se terão apaixonado, sendo maioritariamente povoada por naturais das regiões da Beira e do Minho, do continente Português, e também da Flandres. Local de férteis terrenos, desde cedo foram inseridos novos cultivos, trazido gado para pastagem e plantados vários campos de vinha, realizando-se as trocas comerciais com a Ilha Terceira, dona de um importante e movimentado porto marítimo.
A Graciosa, dada a sua baixa altitude e costa facilmente aportável, foi alvo de ataques Piratas e Corsários, sofrendo também diversas catástrofes naturais como sismos e tempestades, que em muito a prejudicaram, contudo o crescimento da Ilha foi acontecendo, fixando uma população considerável. A Graciosa encanta pela sua beleza natural, pela sua arquitectura tradicional de casario alvo e povoamento disperso , que contrasta com os tons escuros da herança vulcânica e o basalto, o verde dos campos de cultivo e pasto, o azul profundo do vasto Oceano Atlântico que a circunda.
O património natural conta com pérolas como as Furnas do Enxofre, um fenómeno vulcânico, com uma lagoa com 130 metros de diâmetro e 100 de profundidade de águas quentes e sulfurosas no interior de uma gruta, e a da Maria Encantada,; os Miradouros naturais no Monte da Ajuda, sobranceiro á bonita vila de Santa Cruz, e da Caldeirinha; as afamadas Termas do Carapacho, indicadas para o tratamento de doenças reumáticas e da pele; As Serras Branca e Dormida; ou a fantástica Reserva Florestal Natural da Caldeira da Graciosa.
Muito mais há para conhecer, ver e apreciar nesta pequena e "graciosa" Ilha, como o Museu Etnográfico que melhor demonstra o estilo de vida rural e a história da Ilha ao longo dos tempos, bem como os muitos monumentos religiosos, rurais e sociais que a Graciosa oferece. Terra de tradição, férteis solos e pastagens e a influência do rico Oceano Atlântico, na ilha Graciosa a Gastronomia típica reúne pratos de excepção com a melhor carne, peixe, marisco, vegetais, sendo também famosa pela sua pastelaria e doçaria, com as Queijadas e os Pastéis de Arroz, entre outras iguarias, tudo regado com os apreciados vinhos brancos e aguardentes velhas que aqui se produzem.