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Domingo, 26 de Maio de 2013
Pesquisa na RTP Açores - Informação e Desporto

Graciosa Online

Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal. Nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. Este é um blogue com vídeos da ilha.

Luís Costa

2009-11-18 00:00:01

André Cunha



Graciosa Taurina  2011-10-25

Esta tradição secular com origem na ilha Terceira, ao longo dos anos tem-se expandido para outras paragens, o que evidência a aficion do povo Açoriano. Na Graciosa, as touradas estão cada vez mais cimentadas, são parte importante das tradições populares desta terra. Freguesia que se preze inclui um ou dois espectáculos tauromáquicos nas suas festividades, que conseguem mobilizar centenas e centenas de pessoas, oriundos da ilha e não só...



Ser Aficionado  2011-11-06

No mundo dos aficionados taurinos a aficion surge de várias formas, uns já nascem com ela por pertencerem a famílias com vasta tradição nas suas gerações, outros são contagiados pela festa brava logo após o primeiro contacto, e ainda há aqueles que aprendem a gostar pouco a pouco, por vezes influência da cultura e das tradições da sociedade em que estão inseridos. Independentemente da forma como a aficion aparece, os aficionados partilham, uns mais do que outros, sentimentos semelhantes pela festa brava. Têm dentro de si a paixão aos toiros, frequentam e sentem-se bem nas tertúlias, não se preocupam com as dezenas de quilómetros feitos para assistir a uma boa corrida, conversam e falam sobre elas com entusiasmo...



Brincar aos toiros!  2011-11-28

As touradas à corda também eram brincadeira de eleição, com maior incidência nas "férias grandes" de verão. O caminho do parque (Rua de São Francisco) era o local predilecto para a dita tourada. Como manda a tradição, quatro toiros eram escolhidos a dedo para criar alvoroço no arraial. Se na Terceira o Albino tinha a Elisa e o "Ti Humberto" o nº52, nos cá tínhamos o "Crakes" (Rui Ramalho) e o "Zé Trovão" (José Cunha) como toiros mais célebres, afamados e perigosos...


A Festa do 5º  2011-12-21

Engana-se quem pensa que a tourada à corda é apenas sinónimo de quatro toiros a correr caminho acima e abaixo. Até podia ser, mas não era a mesma coisa. Começa muito antes do primeiro foguete e perdura depois do último. Em torno desta tradição geram-se muitos outros eventos, autênticos fenómenos sociais. O "Manel das Bicas" e o "José da Bomba" vão aos toiros, chegam um pouco antes de a tourada ter início, param no princípio do arraial e aproveitam para molhar a garganta numa das muitas tascas, com meia bola de vinho de cheiro. Trincam uns amendoins, petiscam umas favas escoadas, enquanto se riem ao ver o "António Malhado" num DVD a ser pegado...



Cultura de Barreira  2012-01-12

Silêncio. Lidar um toiro requer arte, sabedoria, destreza e muita concentração. Ausência relativa ou total de sons é lei imperial para o bom decorrer da faena, visto que, um simples movimento na bancada, uma conversa com volume acentuado, um assobio ali, uma criança a berrar acolá, é suficiente para distrair o toiro e o toureiro. Perde-se a concentração e pode levar a lide a descarrilar. Não se canta o fado, mas toureia-se...



Quando a coisa dá pró torto!  2012-02-06

Há marradas para todos os gostos e de todos os feitios, umas ao de leve e outras mais agressivas, que podem ferir a sensibilidade do espectador. Velhotes que não encontram buraco para escapar, apanham com o animal. Os que apoitam na tasca até criar raízes, apanham com o animal...



Falta de espada, estagnação ou retrocesso?  2012-03-05

A presença de lide apeada numa das corridas era uma mais-valia para o prestígio do certame, trazia outra dinâmica e contentava a gregos e troianos. Será que o trabalho realizado até aqui, no que diz respeito à presença de toureio a pé, não perderá fulgor?..




Tauromaquia, estado: Online!  2012-04-04

Seja pela internet, seja pela televisão, através de jornais, revistas ou livros, pela radio ou pelo telemóvel, na actualidade temos um sem fim de plataformas capazes de nos manter informados sobre a historia e actualidade da festa dos toiros, mesmo que algumas vezes seja uma faca de dois gumes e acabe por manchar a veracidade da informação taurina com falsos boatos, guerras hipócritas e desentendimentos, quando todos devíamos puxar para o mesmo lado, lutar para a boa imagem e desenvolvimento da Festa Brava.



"Eles andem aí!"  2012-04-26

De cima das gaiolas alguém faz sinal ao mesmo velhote, que a 15 de Outubro do ano transacto, passou a tarde a mascar tabaco. A incandescente ponta do cigarro volta a acender o rastilho e lá vai a cana rompendo céu. Bem no alto, um valente estrondo faz estremecer qualquer um, acaba de ser lançado o foguete, sinal de que toiro está prestes a pisar o alcatrão. Cá em baixo reina um burburinho, hormonas nervosas e corações palpitantes. Toiros de corda, sejam bem-vindos... "Eles andem aí!"



Sonhos de menino  2012-05-31

O aglomerado de pessoas cá fora é enorme, aparecem de todas as direcções mas com o "norte" bem delineado. Chicas y senõritas muy guapas! Bem produzidas, com rosetas ao peito, vestes requintadas e chamarizes dos olhos alheios. Senhores de fato, uns como viessem receber um Nobel, outros com exuberantes calças rosa. Brilhantina no cabelo, sapatos lustrados e fumaça debitada pelos velhos charutos. Estão a chegar de algum casamento? Não, é apenas a indumentária para uma tarde de toiros naquela que é considerada a primeira e principal praça de toiros do mundo, Las Ventas.



Pelos arraiais da Ilha Branca  2012-07-02

Quatro toiros fazem correr por quatro vezes uma corda, manifestação popular geradora de multidões, são as Touradas à Corda. É uma festa em que os toiros são prato forte, com tascas, cerveja e bifanas à mistura, para delicia dos devotos ao gado bravo, turistas, emigrantes e "amigos da pinga". Petiscam-se favas guisadas, trincam-se amendoins e pipocas. Para sobremesa ficam os gritos histéricos das mulheres, moças bonitas à janela, rapazes com olhos de engate, homens com samarras debaixo do braço e os velhos em palanques. É assim um pouco por toda a parte, e nós não fugimos à receita.



Aficion Insular  2012-07-30

O nosso "Criador" deseja conceber um lugar e um animal único. Para passar à realidade, de pincel em punho e tela pela frente, lança os primeiros traços e esboça o que viria a ser o planeta Terra. No auge de inspiração surgem nove migalhas de terra, apenas rodeadas por um abrangente mar azul, conjunto de ilhas que alguém baptizou de Açores. Acabara de criar uma das regiões mais belas, sítio de gente acolhedora, humilde e trabalhadora, destino paradisíaco e onde a qualidade de vida prevalece. Para o animal, usou da mesma inspiração e daí nasceu o Toiro, sinonimo de bravura, símbolo de virilidade, algo imponente e majestoso.



Feira da Graciosa 2012  2012-08-24

Os toiros de Falé Filipe saíram fartos em nobreza e de bom comportamento, mas carecendo de trapio e escassos em tamanho. Abriu praça João Moura, que perante uma grande assistência (praticamente cheia) esteve menos bem nos compridos, regular nos curtos mas sem "tourear". No seu segundo viu-se mais do mesmo, uma lide sem história ao quarto da ordem, num toiro que cumpriu como os seus irmãos de camada. O cavaleiro Tiago Pamplona mostrou-se seguro frente a um toiro nobre. Colocou três curtos de boa nota, bregou como mandam os cânones, e culminou a sua actuação com dois ferros de palmo. O segundo do seu lote era o mais bonito da tarde, toiro codicioso ferrado com o número 1.



Bravas emoções  2012-09-19

Adrenalina, risco e surpresa estão sempre lado a lado, são a força que nos move até aos eventos taurinos, rituais carregados de simbolismo e que fomentam um misto de emoções fortes, difícil de explicar a quem apenas acompanha no conforto do sofá. Não há alta definição ou 3D que substitua o cenário real, não há uma transmissão pura e leal da acção, quanto mais a total percepção das emoções que podem ser vividas.



Terminada a temporada taurina  2012-10-16

Na totalidade, realizaram-se 34 espectáculos tauromáquicos no ano de 2012, distribuídos da seguinte forma: 29 Touradas à Corda; 2 Touradas de Praça; 2 Bezerradas; e como novidade a realização de um espectáculo de Variedades Taurinas, nomeadamente uma tourada na Praça do Monte da Ajuda com um grupo de Recortadores. De fazer referência também às ferras de gado bravo que ocorreram no inicio de Junho, nas "casas" de José Lúcio Veiga e Valentim Santos & Dimas Bettencourt.



Serviçais comandantes de bravo   2012-11-22

No dia-a-dia são agricultores, têm as suas lavouras, uns atiram redes ao mar, outros carpinteiros... Mas em dia de tourada trocam a "farda" que lhes dá ganha-pão e passeiam-se arraial abaixo, desfilam orgulhosos pelo meio do povo, mesmo sem passerelle ou tapete encarnado. Para os garotos são heróis, mais do que "Homens Aranha" que lançam teias, "Hulks" que ficam verdes ou um "Dragon Ball" que lança bolas de fogo... Os homens da corda seguram bichos bravos, que guindam paredes, correm que se fartam, perseguem quem lhes atiça. Os homens da corda lidam com toiros. 


Do arraial para nossas casas  2012-12-31

Este é o resultado final de algo que começa muito antes. São precisas horas e horas de filmagens, papel que cabe aos muitos operadores que se vêm pelos arraiais. Chegam com câmara ao ombro e escadote entre mãos. Colocam-se em pontos estratégicos, normalmente postes de electricidade. Não são aves raras mas pousam em ninhos de ferro, aperaltam-se a preceito, e com verdadeiros olhos de falcão aguardam captar aquele momento. Não há grito de "Acção!" nem clique da claquete, o importante é ter atenção. Filma-se o rapazinho que puxa a corda, o vendedor de gelado, velhos á conversa em palanques, música e cantoria, gente que manda beijos para o Canadá e Massachusetts... Enfim, regista-se tudo, e o toiro muitas vezes fica para segundo plano. Já me esquecia, filmam-se também muitas moças bonitas, uns olhares sexys e decotes generosos. Um aviso á navegação, cuidado com os ciumentos! Ou volta e meia cai algum do poste a baixo



Amigos amigos, partidos à parte!  2013-01-31

Estas gentes são aficionados devotos, fiéis militantes que acarretam uma doença que nem nos manuscritos mais ancestrais vem descrita. Pensa-se que seja viral, tal a forma como se transmite, a maneira como ataca e se entranha no sangue. Uma vez infectado, o individuo apresenta como sintoma a cegueira em relação às outras casas de bravo. Fazendo uma comparação ao campo futebolístico, são adeptos das claques organizadas, muito mais pacíficos mas com todo o amor e paixão ao seu clube. No caso, à sua ganadaria. Eis que surge o termo "partido", palavra utilizada no vasto dicionário terceirense para substituir ganadaria.



Olivença / Olivenza  2013-04-29

Olivença anda na boca do mundo taurino, recebe a primeira feira importante da temporada. Ao longo de três ou quatro dias é epicentro tauromáquico, e como romeiros na quaresma, aficionados ibéricos fazem questão de marcar presença e assistir às faenas dos "Ronaldos" e "Messis" dos toiros, um certame que prima pela qualidade das suas figuras (top 10), e que faz gerar receitas na ordem dos cinco milhões de euros naquela zona e arredores. Cinco milhões!

 

por: André Cunha



A Graciosa está aqui. Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal e nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. O Graciosa Online é um blogue com vídeos, noticias e opinião da ilha branca, reserva da biosfera. Esta é a nossa janela para o mundo.

Projeto pioneiro nos Açores, desenvolvido por Luís Costa, jornalista, repórter residente da RTP/Açores na ilha Graciosa. Criado a 17 de novembro de 2009.

Este blogue foi "caso de estudo" na tese de mestrado da jornalista Fabiana Bravo: "O jornalismo hiper-local na era digital - o contributo do Graciosa Online para a RTP", defendida a 16 de julho de 2012 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e obteve 16 valores.





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RECORDES
Mensal: dezembro 2012; 48.780 visitas
Diário: 28 novembro 2012; 4.508 visitas





 


Luís Miguel da Cunha Costa nasceu na ilha Graciosa em 1978-04-06. Em setembro de 1996, ainda com o estatuto de trabalhador estudante, iniciou funções de animador, repórter de informação e narrador desportivo na Rádio Graciosa. Foi também colaborador do jornal Diário Insular na área do desporto. É reporter de ilha da RDP desde fevereiro de 1999 e da RTP desde agosto de 2004, sendo o primeiro correspondente a prestar serviços nos Açores para a rádio e televisão em simultâneo, ainda antes da fusão das respetivas empresas. Foi também pioneiro na utilização das ferramentas digitais com o lançamento do "graciosa online" em 2009. É colaborador da Rádio Graciosa e do mensal "O Breves". Exerce ainda as funções de operador de assistência em escala, sendo efetivo da Sata Air Açores, a tempo parcial, desde 2001.



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919978824 | 965420190
luiscosta.rtp@gmail.com

 
 




 

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Bilheteira: 20h30 | Sessão: 21h30




 

GRACIOSA LHE CHAMARAM...


 

A Ilha Graciosa desenha-se ao longe
como dois bocados de pão mal partidos

Vitorino Nemésio, in
Corsário das Ilhas





Ei-la surgindo mimosa
das águas do fundo do mar,
Rainha leda e garbosa
No Atlântico a reinar!
Esmeralda dos Açores,
Lindo açafate de flores,
Feitiço de mil primores,
Berço gentil de amores!
Oh, pátria, te vou cantar.

António Gil, 1868





A Graciosa dum verde
muito tenro acabando
dum lado e do outro
em penhascos decorativos...

Raul Brandão, in
As Ilhas Desconhecidas





"À primeira vista" parece por vezes, ser uma paisagem agreste; mas logo surge uma encosta florida, uma Feteira de arvoredo frondoso, um vale das Courelas com suas culturas e os afamados vinhedos da Terra do Conde, e outros motivos que nos alegram a vista.

José Simões Borges, in
Manhãs de Sábado 





Amo as rochas empinhadas
que ao oeste e norte dão
- pontas da serra escalvadas
- Do Pico Negro a negridão;
Amo as costas do nascente
Onde as ondas mansamente
Vão quebrar sua corrente
No areal tão luzente
Do sol ao mago clarão.

António Gil, 1868





Quem te pôs nome tão
lindo,
Que é tão próprio,
tão teu,
Nos legou eterna prova
Do bom gosto e génio seu...

António Borges do Canto Moniz, in
Ilha Graciosa





Falar desta ilha é,
antes demais,
falar do paraíso perdido
na minha infância,
isto é, da alegria
dos meus verdes anos.

Victor Rui Dores, in
A Graciosa Ilha





Que risonho panorama,
Que subline inspiração!
Se o meu estro se par'cesse
Ao que o sente o coração,
Em torrentes de poesia
Te inundara, ilha formosa.
E um poema escreveria,
Que eu chamara - GRACIOSA.

João Hermeto d'Amarante, in
Páginas de Prosa e Verso





Santa Cruz, a capital
É a mais linda p'ra mim
das vilas de Portugal
Santa Cruz é um jardim.
Guadalupe, linda aldeia
Onde crescem os trigais
No céu, linda lua cheia
Ilumina seus casais.
A Praia olhando o mar
Sorri contente ao ilhéu
E o sul vive a sonhar
Com a Luz olhando o céu.

Juventino Silva Correia, in
Juventino Ramos, poeta cantador





E aquela gente!!! De sorriso sempre aberto, mesmo que o coração se lhes doa, mesmo que a velhice as consuma, mesmo que a pobreza se lhes aperte...

Rosa Meireles, in
Graciosa ilha serena 





Aqui
entre o azul
e o mar que me circunda
é quase perfeita a coincidência.
Atrevida e fugazmente desfeita
por um verde envergonhado
que acaba sempre azul
ou categoricamente esfacelada
por um inequívoco e invernal
cinzento.

E no âmago do liquido,
lá onde a luz se perde
e onde a luz se faz,
a abissal fosforescência
de peixes misteriosos,
a ondulante e sensual
insinuação das algas
e a secreta e vital marca
do mais remoto início.

E lá ficamos
plasmados num horizonte
vertical e marítimo
onde bate sereno e azul
o nosso olhar.
Ouve-se então
claro e inconfundível
o grito
da criação. 

Manuel Jorge Lobão, in
Passam Seres Luminosos Vestidos de Vermelho 





Aqui deixamos a
Ilha Graciosa,
ao por do sol,
que fica à espera
daqueles que sabem
apreciar a natureza
em toda a sua força,
por vezes quase
selvagem!

Norberto da Cunha Pacheco, in
Graciosa, Imagens e Palavras





Branca,
desmaia-te o gesto
na brisa que poisa,
borboleia-te
a cor do íris
que poiso breve,
melodia-te
o negro azulado,
húmido,
do grito em serenata,
rendeia-te
o frio de chuva,
bailarino
voado em vento,
baralha-te
o pingo de água,
lágrima de telha,
beiral
de nada abrigo...

José Berto
 

        
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