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Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal. Nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. Este é um blogue com vídeos da ilha.
Publicado na revista taurina FESTA NA ILHA nº16|2012
É tarde solarenga de verão, na freguesia já se nota grande azáfama e movimento. De carrinha, moto, tractor, na "camioneta da carreira" ou mesmo a pé, chegam pessoas de toda a ilha, aficionados, turistas e emigrantes radicados nas Américas. Papelões e toalhas estendidas por cima das paredes marcam lugar, e em muitos casos já lá estão as mulheres escanchadas com a sua "sombrinha" a torrar ao sol desde o início da tarde. Dois riscos no caminho pintados a cal branco delimitam o recinto, tapadas para proteger muros mais baixos, trelas para fechar entradas. Tascas em cada ponta, foguetes no ar de hora a hora. Ouve-se ao longe a máquina que faz pipocas, música tocada, buzinadelas de quem passa, colchas à janela, açafates de flores dão um toque de requinte. O cenário está montado... é dia de toiros.
Esta é uma típica descrição do que se passa entre os dias 1 de Maio e 15 de Outubro na ilha de Jesus Cristo, quase dia sim, dia não. Contudo, o panorama exposto atravessa o canal, e assim, este tempo de antena é reservado à Ilha Branca.
Desde à muito que a proximidade entre a Terceira e a Graciosa, as baptizou de ilhas vizinhas, que se unem através das suas gentes, costumes e tradições. Talvez por isso, sejam ambas terras de gente alegre, que primam pelo bem receber e povos festivaleiros, cada um à sua escala. A paixão pelo toiro e pela festa brava é um dos laços que nos junta, toma quase proporções de "doença" e é forte crença da ilha lilás, que se expande um pouco por toda a região mas com maior impacto na terra das queijadas, dos alhos e meloas.
Quatro toiros fazem correr por quatro vezes uma corda, manifestação popular geradora de multidões, são as Touradas à Corda. É uma festa em que os toiros são prato forte, com tascas, cerveja e bifanas à mistura, para delicia dos devotos ao gado bravo, turistas, emigrantes e "amigos da pinga". Petiscam-se favas guisadas, trincam-se amendoins e pipocas. Para sobremesa ficam os gritos histéricos das mulheres, moças bonitas à janela, rapazes com olhos de engate, homens com samarras debaixo do braço e os velhos em palanques. É assim um pouco por toda a parte, e nós não fugimos à receita.
Na Graciosa existem aficionados, na Graciosa há toiros, na Graciosa fazem-se touradas à corda, na Graciosa os toiros também vão à praça e enchem as bancadas. São largas as décadas que pelos caminhos desta terra se montam arraiais. Esta tradição terceirense está de tal forma enraizada por estas paragens que já não há festa sem toiros e freguesia que se preze tem sempre a festa brava a marcar papel de destaque. Julho, Agosto e Setembro são os meses fortes, e não há Sábados e Terças-feiras (dias tradicionais de touradas à corda na Graciosa) que os toiros não pisem as estradas e terreiros desta ilha.
só o amor ao toiro, com muito esforço e dedicação é praticável manter esta actividade, que de lucrativa tem pouco
No passado fica o tempo em que barcos como o "Espirito Santo" ou o "Cruzeiro do Canal" vinham mar fora, carregando gaiolas, ganadeiros e pastores, para saudarem aos graciosenses belas tardes de tourada. Por cá destacam-se localidades como a Ribeirinha, Guadalupe e Praia, que por diversas vezes as suas comissões organizavam grandes excursões a acompanhar os toiros, bem como capinhas de classe que o povo da Graciosa já conhecia e acarinhava, exemplos do Magalhães e do "menino" Dimas. Os arraiais sobrelotavam, dia de tourada era uma autêntica festa. Com a noite, chegava a hora do regresso, lá partiam os animais e gentes com aceno de saudade.
Actualmente, e desde à uns anos a esta parte, já se criam toiros na terra, divididos pelas ganadarias de Valentim Santos & Dimas Bettencourt, José Lúcio Veiga e Manuel Silva, perfazendo o singelo número (em média) de quarenta eventos taurinos por temporada, resultado que triplicou na ultima década. Mas que número é este comparado com as duas centenas e meia de touradas à corda realizadas na Terceira? É o possível e suficiente para uma ilha com 62 km2, pouco mais de quatro mil habitantes distribuídos por quatro freguesias, e com um efectivo que ronda as cento e cinquenta cabeças de reses bravas. Como a generalidade dos criadores, só o amor ao toiro, com muito esforço e dedicação é praticável manter esta actividade, que de lucrativa tem pouco.
Infelizmente as dificuldades não são apenas por parte dos ganadeiros, os tempos de badalada crise não ajuda e o absurdo aumento no valor das licenças alarga o buraco na algibeira. Ao contrário de que se passa na Terceira, em que a maioria das touradas já estão pagas antes dos toiros correrem, na Graciosa a tourada é auto-sustentada, ou seja, durante aquelas três horas é que se gera receita para saldar as despesas. Por este motivo surgem características particulares nos arraiais, desde logo um "estafeta" em cada ponta dos riscos, com uma sacola de retalhos em mãos, fazendo um peditório. Carrinhas de caixa aberta são tascas ambulantes, que enquanto os toiros estão arrumados andam de um lado para o outro a vender litros de cerveja e copos de vinho de cheiro. Os intervalos excedem o infinito, longas esperas para que se possa vender mais uma dúzia de bifanas de leitão no espeto. Enfim, por vezes só a boa vontade dos moradores salva a tradição.
Está visto, as manifestações taurinas na Graciosa vieram para ficar. Quem cá vive, quem gosta de folia e quem é aficionado luta para a continuidade e desenvolvimento da festa brava. Um dia alguém lançou a semente, a árvore cresceu, fortificou-se e deu bons frutos. Quem nos visita apercebe-se disso, somos terra de aficion e de gente aficionada. Afinal, na ilha dos burros, o Toiro tem-se tornado rei. Olé!
por: André Cunha
A Graciosa está aqui. Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal e nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. O Graciosa Online é um blogue com vídeos, noticias e opinião da ilha branca, reserva da biosfera. Esta é a nossa janela para o mundo.
Projeto pioneiro nos Açores, desenvolvido por Luís Costa, jornalista, repórter residente da RTP/Açores na ilha Graciosa. Criado a 17 de novembro de 2009.
Este blogue foi "caso de estudo" na tese de mestrado da jornalista Fabiana Bravo: "O jornalismo hiper-local na era digital - o contributo do Graciosa Online para a RTP", defendida a 16 de julho de 2012 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e obteve 16 valores.

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CRÓNICAS
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André Bruno Cristina
Cunha Silveira Cabeceiras
Fábio Gabriel Joana
Mendes Melo Ferreira
Jorge Júlio Luís
Cunha Mendonça Lobão
Lurdes Madalena M. Jorge
Cunha Picanço Lobão
Marco Merçes Miguel
Martins Coelho Estorninho
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Pólo Local de Prevenção
e Combate à Violência Doméstica da Graciosa
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EM CARTAZ

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Centro Cultural da Ilha Graciosa
LINCOLN
24 maio

O IMPOSSIVEL
31 maio

Bilheteira: 20h30 | Sessão: 21h30
GRACIOSA LHE CHAMARAM...
A Ilha Graciosa desenha-se ao longe
como dois bocados de pão mal partidos
Vitorino Nemésio, in
Corsário das Ilhas
Ei-la surgindo mimosa
das águas do fundo do mar,
Rainha leda e garbosa
No Atlântico a reinar!
Esmeralda dos Açores,
Lindo açafate de flores,
Feitiço de mil primores,
Berço gentil de amores!
Oh, pátria, te vou cantar.
António Gil, 1868
A Graciosa dum verde
muito tenro acabando
dum lado e do outro
em penhascos decorativos...
Raul Brandão, in
As Ilhas Desconhecidas"À primeira vista" parece por vezes, ser uma paisagem agreste; mas logo surge uma encosta florida, uma Feteira de arvoredo frondoso, um vale das Courelas com suas culturas e os afamados vinhedos da Terra do Conde, e outros motivos que nos alegram a vista.
José Simões Borges, in
Manhãs de Sábado Amo as rochas empinhadas
que ao oeste e norte dão
- pontas da serra escalvadas
- Do Pico Negro a negridão;
Amo as costas do nascente
Onde as ondas mansamente
Vão quebrar sua corrente
No areal tão luzente
Do sol ao mago clarão.
António Gil, 1868
Quem te pôs nome tão
lindo,
Que é tão próprio,
tão teu,
Nos legou eterna prova
Do bom gosto e génio seu...
António Borges do Canto Moniz, in
Ilha Graciosa
Falar desta ilha é,
antes demais,
falar do paraíso perdido
na minha infância,
isto é, da alegria
dos meus verdes anos.
Victor Rui Dores, in
A Graciosa Ilha
Que risonho panorama,
Que subline inspiração!
Se o meu estro se par'cesse
Ao que o sente o coração,
Em torrentes de poesia
Te inundara, ilha formosa.
E um poema escreveria,
Que eu chamara - GRACIOSA.
João Hermeto d'Amarante, in
Páginas de Prosa e Verso Santa Cruz, a capital
É a mais linda p'ra mim
das vilas de Portugal
Santa Cruz é um jardim.
Guadalupe, linda aldeia
Onde crescem os trigais
No céu, linda lua cheia
Ilumina seus casais.
A Praia olhando o mar
Sorri contente ao ilhéu
E o sul vive a sonhar
Com a Luz olhando o céu.
Juventino Silva Correia, in
Juventino Ramos, poeta cantador
E aquela gente!!! De sorriso sempre aberto, mesmo que o coração se lhes doa, mesmo que a velhice as consuma, mesmo que a pobreza se lhes aperte...
Rosa Meireles, in
Graciosa ilha serena
Aqui
entre o azul
e o mar que me circunda
é quase perfeita a coincidência.
Atrevida e fugazmente desfeita
por um verde envergonhado
que acaba sempre azul
ou categoricamente esfacelada
por um inequívoco e invernal
cinzento.
E no âmago do liquido,
lá onde a luz se perde
e onde a luz se faz,
a abissal fosforescência
de peixes misteriosos,
a ondulante e sensual
insinuação das algas
e a secreta e vital marca
do mais remoto início.
E lá ficamos
plasmados num horizonte
vertical e marítimo
onde bate sereno e azul
o nosso olhar.
Ouve-se então
claro e inconfundível
o grito
da criação.
Manuel Jorge Lobão, in
Passam Seres Luminosos Vestidos de Vermelho
Aqui deixamos a
Ilha Graciosa,
ao por do sol,
que fica à espera
daqueles que sabem
apreciar a natureza
em toda a sua força,
por vezes quase
selvagem!
Norberto da Cunha Pacheco, in
Graciosa, Imagens e Palavras
Branca,
desmaia-te o gesto
na brisa que poisa,
borboleia-te
a cor do íris
que poiso breve,
melodia-te
o negro azulado,
húmido,
do grito em serenata,
rendeia-te
o frio de chuva,
bailarino
voado em vento,
baralha-te
o pingo de água,
lágrima de telha,
beiral
de nada abrigo...
José Berto