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Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal. Nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. Este é um blogue com vídeos da ilha.
"Ageing and health: Good health adds life to years", ou em português, "Envelhecimento e saúde: Uma boa saúde dá mais vida aos anos" foi o tema escolhido para assinalar o Dia Mundial da Saúde 2012, que assinala o 64º aniversário da fundação da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Comecemos pela definição de Saúde. Segundo a OMS, a saúde é um "estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças". Completo bem-estar? Esta é uma definição que, à partida, nos parece pouco provável de alcançar, algo inatingível e inacessível à maioria das pessoas. No geral, temos tendência a considerar a saúde apenas a ausência de doença; normalmente uma pessoa saudável é aquela que não padece de qualquer doença. Contudo, os cuidados de saúde debruçam-se cada vez mais, não apenas sobre a patologia em si, o controlo da progressão da doença, o tratamento da dor, mas também sobre o modo como a pessoa é afectada no seu quotidiano, as limitações funcionais que lhe são impostas, o impacto da doença na família, o sofrimento motivado pelos sintomas... Considero que o tema do Dia Mundial da Saúde este ano abrange a problemática da qualidade de vida. Mais do que viver, é preciso viver bem, com mais vida!
A população europeia está a envelhecer a olhos vistos. Actualmente cerca de 15% da população europeia (17,8% da população portuguesa em 2009) tem mais de 65 anos e prevê-se que este número aumente para 25% em 2050. A Europa tem a mais longa esperança média de vida do Mundo. Em Portugal, a esperança média de vida à nascença é de 79,5 anos para ambos os sexos, sendo mais alto nas mulheres, e encontra-se na média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).
É certo que somos pequenos em tamanho, mas podemos ser grandes naquilo que fazemos.
Mas viver mais tempo não significa viver saudável. O isolamento social, o abandono por parte das famílias, as limitações físicas e mentais, as doenças incapacitantes, as dificuldades de movimentação e o acesso limitado aos cuidados de saúde são alguns dos problemas que os nossos idosos apresentam. Os idosos são muitas vezes encarados como um "peso" e não como um "recurso" para as famílias e comunidades em que estão inseridos. De facto, com o envelhecimento é muito comum uma lentificação do pensamento e da acção, mas estes, por si só, não invalidam o bom desempenho de uma actividade intelectual. As pessoas idosas devem sentir-se úteis e valorizadas, por aquilo que são, por aquilo que foram, por tudo o que cada um das suas rugas representa... Além disso, com a sua vasta experiência de vida, os idosos podem ser muito úteis para aconselhar a comunidade, sobretudo perante as adversidades ou desafios que o futuro nos apresenta. Portanto, deverão ser convidadas a ter uma participação activa e contínua nas questões sociais, económicas, culturais e cívicas. Quem nunca se deliciou a ouvir as histórias dos avós ou dos tios das vivências de antigamente? O quotidiano, as peripécias, as dificuldades...
O envelhecimento é determinado, pelo menos em parte, pelos nossos comportamentos, ou seja, pela alimentação, a prática ou não de alguma actividade física, a exposição a factores de risco, como o tabagismo, o abuso de álcool e o consumo de drogas. "Uma boa saúde dá mais vida aos anos" remete-nos para a importância de cultivar um estilo de vida saudável, ao longo de todo a vida, para que durante o envelhecimento possamos viver uma vida produtiva, dinâmica e com qualidade. Trata-se a velhice desde jovem, porque, caso a vida permita, é para lá que todos caminhamos...
E no Dia Mundial da Saúde de que mais poderei falar? Das doenças que mais afectam os portugueses, particularmente os Açorianos? Da crise que o Serviço Nacional de Saúde atravessa? Das tão faladas listas de espera? Não, acho que de más notícias já estamos todos saturados. Hoje, puxando a brasa à minha futura "sardinha", prefiro abordar os aspectos positivos da Saúde em Portugal. É certo que somos pequenos em tamanho, mas podemos ser grandes naquilo que fazemos.
- Nos últimos 50 anos, a população portuguesa aumentou em 15,6 anos a esperança média de vida ao nascimento.
- A taxa de mortalidade infantil em Portugal teve um declínio excepcional, passando do país com a maior taxa de mortalidade infantil da Europa em 1970 para um nível actual abaixo da média dos países da OCDE, situando-se nos 3,6%.
- A taxa de mortalidade prematura (antes dos 70 anos de idade) diminuiu rapidamente em Portugal nas últimas décadas e actualmente constitui cerca de menos de um terço da taxa observada em 1970.
- Portugal tem uma das menores taxas de mortalidade devido a doença cardíaca isquémica, o vulgar "ataque cardíaco" ou "enfarte".
- Embora o acidente vascular isquémico (AVC ou simplesmente "trombose") constitua a principal causa de morte em Portugal e a mortalidade associada seja uma das mais altas da Europa, a mortalidade devido a esta doença desceu mais de 50% nas últimas três décadas no nosso país.
- A segurança rodoviária tem sido uma aposta a nível nacional que tem dado frutos. Em Portugal, desde 1995 houve uma redução de 63,1% nas taxas de mortalidade devido a acidentes rodoviários, embora a taxa de mortalidade global continue acima da média dos países da OCDE.
- Portugal constitui o país da Europa com a maior taxa de pessoas que vivem com um transplante de rim funcionante.
"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos." Charles Chaplin
por: Rita Bettencourt Silva
A Graciosa está aqui. Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal e nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. O Graciosa Online é um blogue com vídeos, noticias e opinião da ilha branca, reserva da biosfera. Esta é a nossa janela para o mundo.
Projeto pioneiro nos Açores, desenvolvido por Luís Costa, jornalista, repórter residente da RTP/Açores na ilha Graciosa. Criado a 17 de novembro de 2009.
Este blogue foi "caso de estudo" na tese de mestrado da jornalista Fabiana Bravo: "O jornalismo hiper-local na era digital - o contributo do Graciosa Online para a RTP", defendida a 16 de julho de 2012 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e obteve 16 valores.

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CRÓNICAS
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André Bruno Cristina
Cunha Silveira Cabeceiras
Fábio Gabriel Joana
Mendes Melo Ferreira
Jorge Júlio Luís
Cunha Mendonça Lobão
Lurdes Madalena M. Jorge
Cunha Picanço Lobão
Marco Merçes Miguel
Martins Coelho Estorninho
Paulo Rita Rita
Aranha Ávila Silva
Rogério Rui Sérgio
Mendonça Carneiro Mendonça
Sofia Teresa Vânia
Rocha Reis Bettencourt
Victor William
Rui Dores Brenuvida
Luís Tiago José
Pereira Avelar Ávila
Pólo Local de Prevenção
e Combate à Violência Doméstica da Graciosa
VIDEOS RECENTES
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Marítimo garante manutenção
Falta de medicamentos
Moto Club inaugura nova sede
Espírito Santo no Lar da Praia
EM CARTAZ

AGENDA CULTURAL
Museu da Graciosa
CINEMA
Centro Cultural da Ilha Graciosa
LINCOLN
24 maio

O IMPOSSIVEL
31 maio

Bilheteira: 20h30 | Sessão: 21h30
GRACIOSA LHE CHAMARAM...
A Ilha Graciosa desenha-se ao longe
como dois bocados de pão mal partidos
Vitorino Nemésio, in
Corsário das Ilhas
Ei-la surgindo mimosa
das águas do fundo do mar,
Rainha leda e garbosa
No Atlântico a reinar!
Esmeralda dos Açores,
Lindo açafate de flores,
Feitiço de mil primores,
Berço gentil de amores!
Oh, pátria, te vou cantar.
António Gil, 1868
A Graciosa dum verde
muito tenro acabando
dum lado e do outro
em penhascos decorativos...
Raul Brandão, in
As Ilhas Desconhecidas"À primeira vista" parece por vezes, ser uma paisagem agreste; mas logo surge uma encosta florida, uma Feteira de arvoredo frondoso, um vale das Courelas com suas culturas e os afamados vinhedos da Terra do Conde, e outros motivos que nos alegram a vista.
José Simões Borges, in
Manhãs de Sábado Amo as rochas empinhadas
que ao oeste e norte dão
- pontas da serra escalvadas
- Do Pico Negro a negridão;
Amo as costas do nascente
Onde as ondas mansamente
Vão quebrar sua corrente
No areal tão luzente
Do sol ao mago clarão.
António Gil, 1868
Quem te pôs nome tão
lindo,
Que é tão próprio,
tão teu,
Nos legou eterna prova
Do bom gosto e génio seu...
António Borges do Canto Moniz, in
Ilha Graciosa
Falar desta ilha é,
antes demais,
falar do paraíso perdido
na minha infância,
isto é, da alegria
dos meus verdes anos.
Victor Rui Dores, in
A Graciosa Ilha
Que risonho panorama,
Que subline inspiração!
Se o meu estro se par'cesse
Ao que o sente o coração,
Em torrentes de poesia
Te inundara, ilha formosa.
E um poema escreveria,
Que eu chamara - GRACIOSA.
João Hermeto d'Amarante, in
Páginas de Prosa e Verso Santa Cruz, a capital
É a mais linda p'ra mim
das vilas de Portugal
Santa Cruz é um jardim.
Guadalupe, linda aldeia
Onde crescem os trigais
No céu, linda lua cheia
Ilumina seus casais.
A Praia olhando o mar
Sorri contente ao ilhéu
E o sul vive a sonhar
Com a Luz olhando o céu.
Juventino Silva Correia, in
Juventino Ramos, poeta cantador
E aquela gente!!! De sorriso sempre aberto, mesmo que o coração se lhes doa, mesmo que a velhice as consuma, mesmo que a pobreza se lhes aperte...
Rosa Meireles, in
Graciosa ilha serena
Aqui
entre o azul
e o mar que me circunda
é quase perfeita a coincidência.
Atrevida e fugazmente desfeita
por um verde envergonhado
que acaba sempre azul
ou categoricamente esfacelada
por um inequívoco e invernal
cinzento.
E no âmago do liquido,
lá onde a luz se perde
e onde a luz se faz,
a abissal fosforescência
de peixes misteriosos,
a ondulante e sensual
insinuação das algas
e a secreta e vital marca
do mais remoto início.
E lá ficamos
plasmados num horizonte
vertical e marítimo
onde bate sereno e azul
o nosso olhar.
Ouve-se então
claro e inconfundível
o grito
da criação.
Manuel Jorge Lobão, in
Passam Seres Luminosos Vestidos de Vermelho
Aqui deixamos a
Ilha Graciosa,
ao por do sol,
que fica à espera
daqueles que sabem
apreciar a natureza
em toda a sua força,
por vezes quase
selvagem!
Norberto da Cunha Pacheco, in
Graciosa, Imagens e Palavras
Branca,
desmaia-te o gesto
na brisa que poisa,
borboleia-te
a cor do íris
que poiso breve,
melodia-te
o negro azulado,
húmido,
do grito em serenata,
rendeia-te
o frio de chuva,
bailarino
voado em vento,
baralha-te
o pingo de água,
lágrima de telha,
beiral
de nada abrigo...
José Berto