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Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal. Nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. Este é um blogue com vídeos da ilha.
De 6 a 10 de julho
Realizam-se de 6 a 10 de julho as festividades em honra de Nossa Senhora das Dores - Santa Cruz da Graciosa.
Programa:
Sexta-feira - 6 de julho
19h30 - Missa Solene
20h00 - Procissão de Nossa Senhora do Ar ao Aeroporto
22h00 - Abertura da iluminação
22h30 - Concerto: "ALMA NOVA"
23H30 - Concerto "JOANA"
Sábado - 7 de julho
18h00 - Grandiosa tourada à corda da ganadaria de José Lúcio
22h30 - Concerto: "KONTRABANDA"
23H30 - Concerto: "BRUNA" e suas bailarinas
Domingo - 8 de julho
18h00 - Missa de festa - Campal
19h00 - Desfile de filarmónicas
19h30 - Procissão de Nossa Senhora das Dores ao Charco da Cruz
21h30 - Concerto: "Orquestra Porto Judeu"
23h30 - Concerto: "LÉO E LEANDRO"
Segunda-feira - 9 de julho
22h30 - Concerto "NÉLIO MARQUES E SÉRGIO"
Terça-feira - 10 de julho
18h00 - Grandiosa tourada à corda da ganadaria de Valentim Santos e Dimas Bettencourt
22h30 - Concerto: "FERNANDO COSTA"
23H30 - Concerto: "DÁRIO"
Há pouco mais de um ano, meti-me a fazer algumas entrevistas que terminavam com a pergunta "afinal o que é isto de ser Graciosense?" Entre umas coisas boas e outras más, as respostas ficaram entre o viver na "dualidade entre o mar e a terra" e o "sufoco" causado pelo isolamento. Estes dois extremos serão talvez, por um lado, a maior vantagem de um ilhéu e, por outro, a lição mais dura que ele terá de aprender.
Hoje, já que o sol da manhã não se digna a convidar-me para um mergulho na Calheta, tenho tempo para ensaiar uma resposta diferente a uma pergunta adulterada: "e se fosse ditador da Graciosa, o que mudava?"
Ora, debaixo deste céu nublado e deprimente que me faz duvidar se estamos mesmo em Julho ou se o tempo parou há dois meses, lembrei-me do que será porventura a parte mais difícil de estar nesta ilha, a saber, a saudade dos amigos e amigas que se vão embora. Uma foi para Espanha, outra nem sei bem, outros para os E.U.A. ou Porto ou Terceira...
Mas quem é que eles pensam que são para nos abandonar??? O PDB depressa resolveria a questão: tal qual regime Cubano, daqui só saía quem tivesse um carimbo no seu passaporte. (Para quê dar incentivos para que as pessoas fiquem, quando podemos obrigá-las a ficar?) Ficava imediatamente resolvido o problema da fixação dos jovens.
Proibia-se então a televisão, ou racionava-se o seu consumo a uma hora diária por família, censurando todos os canais menos o Caça e Pesca, pois quem vive numa ditadura não precisa de saber as notícias.
Outra das queixas é que a vida social e cultural da ilha se está a deteriorar. Podíamos perguntar se se trata mesmo de uma destruição pura ou, pelo contrário, se estamos a evoluir para algo melhor. Mas como somos ditadores, não precisamos de nos preocupar com a moral da história ou com questões éticas: se a população se queixa, o PDB tem a solução, quer resolva o problema ou simplesmente lhe dê outra aparência. Ora, Robert Putnam, juntando uma Descomunal Imensidão de estudos e dados estatísticos sobre a influência da televisão, concluiu sem grande margem para dúvidas que esta é a principal causa para a deterioração da participação cívica quer em eventos sociais, culturais ou políticos. Provou até que a televisão é a única actividade que contraria a máxima de que quanto mais nos envolvemos em algo, mais activos nos tornamos em tudo o resto.
Proibia-se então a televisão, ou racionava-se o seu consumo a uma hora diária por família, censurando todos os canais menos o Caça e Pesca, pois quem vive numa ditadura não precisa de saber as notícias. Em troca, o PDB construiria um Planetário gigante, para que os Graciosenses pudessem admirar, mesmo em noites de nevoeiro, o excelente céu estrelado que é privilégio de locais isolados como o nosso. Menos televisão e as pessoas passariam menos tempo em casa e mais tempo a admirar esta bela ilha! Como disse Thoreau, o gosto pelo belo é na sua grande parte cultivado ao ar livre.
Enfim, esta lengalenga toda simplesmente para dizer que nunca mais chega o Verão e, com ele, o Sol e os amigos que estão longe durante o resto do ano.
A Graciosa está aqui. Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal e nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. O Graciosa Online é um blogue com vídeos, noticias e opinião da ilha branca, reserva da biosfera. Esta é a nossa janela para o mundo.
Projeto pioneiro nos Açores, desenvolvido por Luís Costa, jornalista, repórter residente da RTP/Açores na ilha Graciosa. Criado a 17 de novembro de 2009.
Este blogue foi "caso de estudo" na tese de mestrado da jornalista Fabiana Bravo: "O jornalismo hiper-local na era digital - o contributo do Graciosa Online para a RTP", defendida a 16 de julho de 2012 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e obteve 16 valores.

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CRÓNICAS
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André Bruno Cristina
Cunha Silveira Cabeceiras
Fábio Gabriel Joana
Mendes Melo Ferreira
Jorge Júlio Luís
Cunha Mendonça Lobão
Lurdes Madalena M. Jorge
Cunha Picanço Lobão
Marco Merçes Miguel
Martins Coelho Estorninho
Paulo Rita Rita
Aranha Ávila Silva
Rogério Rui Sérgio
Mendonça Carneiro Mendonça
Sofia Teresa Vânia
Rocha Reis Bettencourt
Victor William
Rui Dores Brenuvida
Luís Tiago José
Pereira Avelar Ávila
Pólo Local de Prevenção
e Combate à Violência Doméstica da Graciosa
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EM CARTAZ

AGENDA CULTURAL
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LINCOLN
24 maio

O IMPOSSIVEL
31 maio

Bilheteira: 20h30 | Sessão: 21h30
GRACIOSA LHE CHAMARAM...
A Ilha Graciosa desenha-se ao longe
como dois bocados de pão mal partidos
Vitorino Nemésio, in
Corsário das Ilhas
Ei-la surgindo mimosa
das águas do fundo do mar,
Rainha leda e garbosa
No Atlântico a reinar!
Esmeralda dos Açores,
Lindo açafate de flores,
Feitiço de mil primores,
Berço gentil de amores!
Oh, pátria, te vou cantar.
António Gil, 1868
A Graciosa dum verde
muito tenro acabando
dum lado e do outro
em penhascos decorativos...
Raul Brandão, in
As Ilhas Desconhecidas"À primeira vista" parece por vezes, ser uma paisagem agreste; mas logo surge uma encosta florida, uma Feteira de arvoredo frondoso, um vale das Courelas com suas culturas e os afamados vinhedos da Terra do Conde, e outros motivos que nos alegram a vista.
José Simões Borges, in
Manhãs de Sábado Amo as rochas empinhadas
que ao oeste e norte dão
- pontas da serra escalvadas
- Do Pico Negro a negridão;
Amo as costas do nascente
Onde as ondas mansamente
Vão quebrar sua corrente
No areal tão luzente
Do sol ao mago clarão.
António Gil, 1868
Quem te pôs nome tão
lindo,
Que é tão próprio,
tão teu,
Nos legou eterna prova
Do bom gosto e génio seu...
António Borges do Canto Moniz, in
Ilha Graciosa
Falar desta ilha é,
antes demais,
falar do paraíso perdido
na minha infância,
isto é, da alegria
dos meus verdes anos.
Victor Rui Dores, in
A Graciosa Ilha
Que risonho panorama,
Que subline inspiração!
Se o meu estro se par'cesse
Ao que o sente o coração,
Em torrentes de poesia
Te inundara, ilha formosa.
E um poema escreveria,
Que eu chamara - GRACIOSA.
João Hermeto d'Amarante, in
Páginas de Prosa e Verso Santa Cruz, a capital
É a mais linda p'ra mim
das vilas de Portugal
Santa Cruz é um jardim.
Guadalupe, linda aldeia
Onde crescem os trigais
No céu, linda lua cheia
Ilumina seus casais.
A Praia olhando o mar
Sorri contente ao ilhéu
E o sul vive a sonhar
Com a Luz olhando o céu.
Juventino Silva Correia, in
Juventino Ramos, poeta cantador
E aquela gente!!! De sorriso sempre aberto, mesmo que o coração se lhes doa, mesmo que a velhice as consuma, mesmo que a pobreza se lhes aperte...
Rosa Meireles, in
Graciosa ilha serena
Aqui
entre o azul
e o mar que me circunda
é quase perfeita a coincidência.
Atrevida e fugazmente desfeita
por um verde envergonhado
que acaba sempre azul
ou categoricamente esfacelada
por um inequívoco e invernal
cinzento.
E no âmago do liquido,
lá onde a luz se perde
e onde a luz se faz,
a abissal fosforescência
de peixes misteriosos,
a ondulante e sensual
insinuação das algas
e a secreta e vital marca
do mais remoto início.
E lá ficamos
plasmados num horizonte
vertical e marítimo
onde bate sereno e azul
o nosso olhar.
Ouve-se então
claro e inconfundível
o grito
da criação.
Manuel Jorge Lobão, in
Passam Seres Luminosos Vestidos de Vermelho
Aqui deixamos a
Ilha Graciosa,
ao por do sol,
que fica à espera
daqueles que sabem
apreciar a natureza
em toda a sua força,
por vezes quase
selvagem!
Norberto da Cunha Pacheco, in
Graciosa, Imagens e Palavras
Branca,
desmaia-te o gesto
na brisa que poisa,
borboleia-te
a cor do íris
que poiso breve,
melodia-te
o negro azulado,
húmido,
do grito em serenata,
rendeia-te
o frio de chuva,
bailarino
voado em vento,
baralha-te
o pingo de água,
lágrima de telha,
beiral
de nada abrigo...
José Berto