"Sou um homem de 33 anos e não me envergonho de afirmar que o vosso programa muito tem contribuído para aprendizagem e evolução de determinados aspectos da sexualidade. Ninguém nasce ensinado e a própria experiência de aprendizado é já por si uma experiência de onde se pode tirar imenso prazer, assim o entendo.
Eu a minha esposa somos um casal com quase nove anos de relação e de há seis anos para cá, que esporadicamente temos experiências de swing ou de menage, entre outras experiências liberais. Não gosto de colocar rótulos às experiências que temos, mas a verdade é que os rótulos ajudam a compreender aquilo que esporadicamente fazemos. Digo esporadicamente, porque é algo que acontece, quando de vez em quando, nos dá para realizar uma aventura ou até proporcionar a realização de uma fantasia de um de nós. Conto isto, porque hà cerca de três anos, não tivemos problemas em falar disto publicamente na rádio (justamente na antena 3) e na televisão, e por isso mesmo fomos imediatamente reconhecidos por amigos, familiares e colegas. Aconteceu algo que eu já previra, mas como a liberdade é para mim um valor mais alto, não me importei com as consequências que daí viessem. O que aconteceu na verdade, é que nos dias seguintes tinha alguns amigos, muitos familiares e uns tantos colegas a olhar-me de lado, outros a cochicharem sobre a minha relação, e alguns familiares chocados com as poucas vergonhas que eu e minha esposa fazíamos.
Agora, dou por mim a pensar nisto outra vez, porque muitas - quando digo muitas é muitas mesmo - das pessoas que nos condenaram enquanto casal, acusando-nos de não nos amarmos o suficiente para sermos só um do outro e tantas outras baboseiras filosóficas e moralistas, hoje eu sei que traem os seus parceiros às escondidas. Ora bem, eu posso afirmar que nunca trai a minha esposa e posso ainda afirmar com toda a certeza (não me perguntem como) que a minha esposa nunca me traiu. Tudo o que fizemos foi sempre em conjunto, com o aval um do outro e vivemos experiências magníficas que não temos qualquer problema em dizer um ao outro que adorámos, e apesar disso temos uma vida sexual plena de satisfação entre os dois, damo-nos super bem na cama e na vida, e nutrimos um amor, paixão e respeito muito forte um pelo outro.
O que me faz confusão, é o facto de não entender o porquê de todas as pessoas que nos olharam e olham de lado julgam que trair alguém às escondidas é mais aceitável do que proporcionar experiências liberais ao parceiro, por mútuo consentimento. Nós somos porcos, sem vergonha e imorais, e essas pessoas não o são? Se tudo o que fazemos está errado - atenção que para nós não há nada de errado - o que essas pessoas fazem não teria a agravante da desonestidade com o parceiro? Enfim, gostaria apenas de tentar entender porque a nível social e cultural é ainda mais bem aceite o que se faz ás escondidas do que o que se faz com transparência..."
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por : Raquel Bulha