Agência Espacial Europeia acusada de preterir mulheres
| Ciências
Rita Schulz, uma das cientistas da Agência Espacial Europeia, acusou esta estrutura de não “conseguir promover mulheres” a cargos de topo. A cientista diz sentir-se “enganada” ao ter sido retirada da Missão Rosetta, seis meses antes de esta atingir o seu ponto alto, sem lhe ter sido dada qualquer justificação.
Rita Schulz era a
cientista líder de Rosetta, a missão a um cometa que decorreu entre 2007 e 2013.
Schulz relatou ao diário britânico The Guardian a sua insatisfação
com a Agência por sentir-se enganada, ao ter sido afastada da missão pela
administração.
A cientista alemã foi a primeira e única mulher
cientista presente neste projeto histórico da Agência Espacial Europeia e
nunca escondeu o descontentamento com esta questão, sublinhando que estamos
perante um grave preconceito de género, uma vez que houve muito poucas mulheres
nos projetos da Agência nas últimas duas décadas.
Schulz foi contratada para o vice-projeto da Rosetta em 1996 e, na altura, esperava que várias mulheres a
seguissem, facto que nunca aconteceu. Até ao momento em que foi substituída no
projeto pelo cientista Matt Taylor, em 2013, Schulz foi a única mulher na
Agência Espacial Europeia a liderar uma missão ativa.
A cientista alemã afirmou que nunca
lhe foi dada uma explicação para o seu afastamento ao fim de 17 anos. No entanto, tal acontecimento foi altamente prejudicial
para a sua carreira.
Schulz abandonou a missão seis
meses antes de a nave espacial Rosetta "acordar" ao fim de três anos em modo de
hibernação.
Quando a Rosetta enviou o sinal a confirmar que os componentes da nave
continuavam intactos, a cerca de 500
milhões de milhas da Terra, os cientistas aplaudiram e abraçaram-se pelo facto de a Europa ter conseguido alcançar o sucesso numa
missão espacial tão ambiciosa.
Schulz viu este momento acontecer entre
os seus ex-colegas na sua sala de estar, depois do pedido para assistir ao fim
desta missão na sala de controlo lhe ter sido negado.
Uma regra
A cientista acredita que o primeiro
passo para resolver este desequilíbrio entre sexos na Agência Espacial Europeia
seria a introdução de uma regra: haver pelo menos duas mulheres na direção da instituição, que inclui o diretor-geral e dez subdiretores.
Até à data só uma mulher foi
admitida na direção da Agência - Magali Vaissiere - assumindo uma posição de
chefia em 2013.
Numa declaração por escrito, a
Agência Espacial Europeia argumentou: "A AEE tem um longo compromisso com a
diversidade e igualdade de sexos. No entanto, como muitas outras organizações,
a AEE sofre com o facto de o número de mulheres que optam por formar e seguir
uma carreira nestas áreas ser, em todos os países europeus, significativamente
mais baixo do que o número de homens".
Questões como o equilíbrio trabalho-família também contribuem para que menos mulheres se candidatem a cargos de
alto escalão, acrescentou a agência.
"Tendo em conta que um emprego nesta
agência implica quase sempre a deslocação do país de origem, esta organização
do trabalho e da vida privada nem sempre é fácil de gerir. Sabendo disso, a AEE
tenta apoiar o máximo possível, oferecendo várias estruturas de acolhimento,
apoio escolar e utilizando padrões de trabalho flexíveis".
A agência concluiu afirmando que na
direção da ciência foi agora admitida uma cientista do sexo feminino na Missão
Quéops, tendo de seguida citado várias cientistas de sexo feminino que integram
outras divisões que não a da ciência.

