NASA quer chegar a Marte em três dias

| Ciências

|

Um projeto da NASA baseado em fotões e ainda em fase laboratorial, promete revolucionar as viagens espaciais humanas dentro de poucos anos. Usando partículas de luz e velas poderá ser possível percorrer enormes distâncias espaciais em poucos dias.

Viajar através do espaço, a velocidades equivalentes ou até superiores à da luz  sempre foi um dos objetivos científicos, em particular de quem quer fazer da exploração espacial um facto real.

Um objetivo cada vez mais próximo da realidade e que a Agência Espacial Norte Americana – NASA – espera conseguir com um novo projeto de propulsão espacial baseado na tecnologia laser, inteiramente ligada a feixes fotónicos.

Os estudos dados agora a conhecer por parte do cientista do Departamento de Pesquisa Científica da NASA, Philip Lubin, demonstram que a agência espacial americana tem vindo a trabalhar num sistema onde feixes concentrados de luz (lasers) podem ser a solução para aumentar o impulso de um veículo espacial.

Em laboratório, já se provou ser possível impulsionar partículas a uma velocidade próxima da luz. A tecnologia está agora a ser desenvolvida para ser aplicada a um veículo.

Com a atual tecnologia, uma cápsula espacial com capacidade de transporte humano leva cerca de cinco meses até chegar a Marte, isto sem falar no retorno.

A concretizar-se, o novo sistema da NASA irá permitir encurtar significativamente o tempo das viagens espaciais.

Os dados agora divulgados falam num projecto que visa criar uma nave espacial, para já não tripulada, que em teoria poderá atingir Marte em três dias.
Marte a três dias da Terra
O projeto passa por criar um veículo equipado com velas, o que pode parecer uma contradição.

Os veículos actuais com propulsão própria levam pouco mais de cinco meses (cerca de 150 dias) a colocar máquinas (e eventualmente seres humanos) no planeta vermelho que, na sua distância mais curta, ficará a cerca de 57,6 milhões de quilómetros da Terra e 2018. É para já uma velocidade considerada "rápida".

Parece estranho existir alguém que diz que consegue construir uma nave com velas para viajar até Marte em três dias.

Quando essa informação parte de uma agência com credibilidade, como a NASA, podemos sempre pensar duas vezes antes de afirmar a impossibilidade.

Num vídeo da NASA 360º (canal oficial da NASA que serve para transmitir informações de descobertas, curiosidades de engenharia espacial e outros dados ciêntificos), o cientista do Departamento de Pesquisa Científica da NASA, Philip Lubin, explica que este tipo de tecnologia existe e que, com disponibilidade científica, o sistema poderia ser facilmente ampliado e executado.



"Face à atual realidade científica estes avanços recentes parecem saídos de um cenário de ficção," explica Lubin.

Mas o cientista diz que "não há razão para não chegarmos a essa solução. Esta fonte de energia (fotões), não apenas influencia o impulso da nave espacial, mas também é vista como um sistema incrivelmente eficiente quando comparado à aceleração de combustão".

"A aceleração electromagnética - ou uso dos fotões - é limitada apenas pela velocidade da luz, enquanto os sistemas químicos (combustão OH) estão limitados à energia de processos químicos," refere Philip Lubin num artigo sobre a tecnologia.

Mas será que os fotões (partículas elementares presentes nas forças eletromagnéticas) poderiam trabalhar no sentido de impulsionar algo tão grande como uma nave espacial?

Apesar destas partículas não possuírem nenhum tipo de massa, as mesmas têm tanta energia e força cinética que, quando se refletem num objeto, a força é transferida sob forma de um pequeno impulso.

Ora, se a este sistema adicionarmos uma grande vela, contra a qual são lançados os fotões, é possível em teoria gerar impulso suficiente para acelerar gradualmente uma nave espacial.

O sistema vai agora passar a testes reais em laboratório e a equipa cientifica de Lubin, perante os cálculos elaborados com a aplicação de uma propulsão fotónica, estima que se conseguirá colocar uma estrutura robótica de 100kg, em Marte, em três dias.


Lubin faz também a comparação entre as velocidades alcançadas por uma nave com propulsão química e aquela ainda teorizada.

Explica que, nos 10 minutos que uma nave actual leva para descolar da área de lançamento terrestre até ficar em órbita, a propulsão fotónica irá, no mesmo tempo, impulsionar uma nave a uma velocidade correspondente a 30 por cento da velocidade da luz - utilizando a mesma quantidade de energia química (50 a 100 gigawatts) na sua execução.

Sistema será testado primordialmente em equipamentos robóticos
O sistema fotónico não está a ser desenhado, para já, para enviar seres humanos a distâncias interestelares, sendo no entanto muito útil para o envio de sistemas robotizados e sondas espaciais.

Ainda dentro deste contexto, Lubin propõe a criação de uma sonda ultra-compacta que pode mesmo chegar perto da velocidade da luz e colocar inteligência artificial terrestre em sistemas solares distantes em questão de dias - especialmente aqueles que potencialmente possam abrigar formas de vida, em planetas considerados dentro da zona de habitabilidade.

Se pensa que isto tudo não passa de uma grande aventura e que tudo ainda existe apenas na teoria, saiba que este projecto está a ser desenvolvido há já vários anos, sendo que, em 2015, Lubin e sua equipa receberam uma doação da NASA para realizar uma demonstração experimental e mostrar que a propulsão fotónica pode ser usada para o transporte.

Uma experiência a avançar brevemente e que, a mostrar-se eficaz, pode marcar toda a diferença na história da exploração espacial tal como a conhecemos.

"É hora de começar esta nova jornada, que vai além de nossos lares.” – (Philip Lubin)

Marte aqui tão perto, ali tão longe

O Planeta Vermelho não está sempre ali à mão de semear.

Veja aqui uma simulação do quão longe fica Marte

Pertencente ao Sistema Solar, Marte ora se aproxima, ora se afasta da Terra, ao ritmo da sua posição cósmica. Para quem quer fazer deste planeta o próximo troféu a explorar terá sempre que saber qual o momento certo para lá ir com o menor dispêndio possível.

A humanidade vai perder uma boa oportunidade de se deslocar a Marte já daqui a dois anos, visto ser nesse ano que se verifica uma das alturas em que o planeta vermelho vai se geolocalizar mais perto da Terra. Sendo que a NASA quer colocar um ser humano em Marte o mais tardar em 2030.



Registo das distâncias mais curtas entre a Terra e Marte entre 2014-2031 (fonte: NASA)

              Data:        (AUs / Milhões Km)
  • 14 Abr 2014 - 0.61756 / 92,3
  • 30 Mai 2016 - 0.50321 / 75,3
  • 31 Jul 2018 - 0.38496 / 57,6
  • 06 Out 2020 - 0.41492 / 62,1
  • 01 Dez 2022 - 0.54447 / 81.4
  • 12 Jan 2025 - 0.64228 / 96,0
  • 20 Fev 2027 - 0.67792 /101,3
  • 29 Mar 2029 - 0.64722 / 96,8
  • 12 Mai 2031 - 0.55336 / 82,7

O sonho (do homem) é viajar e bem depressa
Dentro dos vários objetos espaciais criados pelo homem, desde o início da exploração espacial em 1957, com o lançamento da sonda soviética Sputnik 1, o vencedor incontestável da imensa lista, está registado pelo projeto espacial composto por duas sondas espaciais – Helios A e Helios B - com o objetivo de estudar os processos solares.

Segundo dados oficiais e embora ambas tenham atingido velocidades recorde, o registo oficial mais elevado é da HeliosB, que atingiu a velocidade de 252.792 km/h. (0,023 por cento velocidade da luz).

Mas, apesar do registo oficial, existe quem defenda que o objecto espacial mais rápido a viajar no Espaço e a aumentar permanentemente de velocidade, é a sonda espacial da NASA Voyager 1, lançada em 1977.



Estima-se que esta possa atingir os 77,3 km/s (278.280 km/h) ou 0,0257 por cento da velocidade da luz . A tal velocidade, uma viagem ao sistema planetário mais próximo conhecido do Sol, designado por Alpha Centauri, situado a 4,2 anos-luz de distância, demoraria 16.342 anos.

Um tempo que, se a vela espacial fotónica for uma realidade, poderia ser reduzido em alguns milénios ou mesmo alguns séculos, acreditam os mais sonhadores de aventuras ainda muito ficcionais e de um outro mundo muito, muito longe daqui.

Tópicos:

Dias, Fotões, Lasers, Luz, Marte, Naves Espaciais, Philip Lubin, Velas fotónicas, NASA,

A informação mais vista

+ Em Foco

A Redação da RTP votou sobre as figuras e acontecimentos mais destacados, a nível nacional e internacional. Veja aqui as escolhas.

    O embaixador russo em Lisboa afirma, em entrevista à RTP, que as declarações e decisões de Donald Trump sobre Jerusalém podem incendiar todo o Médio Oriente.

    Rui Rosinha, bombeiro de Castanheira de Pêra, sofreu queimaduras de terceiro grau e esteve dez horas à espera de ser internado. Foi operado 14 vezes e regressou a casa ao fim de seis meses.

    Uma caricatura do mundo em que vivemos.