Primeiro satélite lunar pode ser movido a água
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É pequeno, do tamanho de uma caixa de cereais, mas está a ser construído para funcionar pelo poder da água. A NASA lançou um desafio à comunidade e um grupo de estudantes da Universidade de Cornell, em Ithaca, Nova Iorque, aceitou-o.
O grupo de estudantes intitulados exploradores Cislunar está, neste momento, na corrida para ser pioneiro na colocação de um pequeno satélite a orbitar a Lua - um cubesat, um satélite de pequenas dimensões, mas com assinaláveis particularidades.Cislunar significa "entre a terra e a lua", que é exatamente para onde vão os satélites das equipas vencedoras.
Os exploradores Cislunar não querem ser apenas os primeiros a contornar a Lua.
Querem também mostrar inovação na forma como o pequeno satélite vai ser impulsionado.
A solução parece improvável, mas é com água que estes jovens "exploradores" estão a conceber todo o sistema de propulsão do Cubesat.
"Tudo isto tem grande um objetivo e servirá para demonstrar que se pode usar a água como um propelente", refere num comunicado Mason Peck, líder da equipa de estudantes de graduação e pós-graduação e engenheiro mecânico e aeroespacial na Cornell.
Existem muitos asteroides e planetoides onde a presença de água já foi comprovada, além da maioria dos cometas. A maioria destas reservas encontra-se congelada nas crateras dos objetos celestes.
"Claro que gostaríamos de ser os primeiros a colocar o primeiro CubeSat a orbitar a lua", acrescentou, "mas mesmo se não o fizermos e se pudermos demonstrar, com sucesso, que a água é tudo que é preciso para viajar no espaço, fazemos um longo caminho para alcançar alguns objetivos importantes".
Uma nave espacial alimentada a água não dependeria exclusivamente de recursos terrestres para funcionar, segundo os investigadores.
Tal veículo espacial poderia reabastecer-se noutros pontos do espaço com "fontes" de água, como por exemplo alguns asteroides, em vez de ter a obrigação de trazer todo o combustível necessário da Terra. O que ditaria um maior peso do veículo e maior consumo.
"Se pudéssemos reabastecer a nave já no espaço, isso significaria que poderíamos ir mais longe, provavelmente mais rápido, e não dependeríamos mais da material vindo da Terra".
A NASA pensa colocar em órbita 13 cubesats, à boleia do foguetão que transportará a primeira capsula tripulada Orion em direção à Lua.
Um Cubesat especial
O pequeno satélite que os Cislunar estão a criar é constituído por duas peças em "L", que se separarão quando estiverem em órbita lunar.O desafio CubeSat da NASA apoia com uma verba equivalente a cinco milhões de euros as equipas que estão a construir os pequenos satélites.
Ambos irão girar, para manter a estabilidade, e usar a eletricidade criada para separar a água em hidrogénio e oxigénio, que servirá como combustível do pequeno satélite artificial. Combustível esse que eventualmente iria impulsionar as duas peças em órbita da Lua
A missão passa por fotografar o Sol, a Lua e a Terra, tendo em vista manter o controlo do posicionamento— uma tecnologia chamada de navegação ótica.
Créditos: Cornell University
Estas tecnologias podem ser incrivelmente úteis para futuras viagens espaciais.

